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PROGRAMA DE GOVERNO
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DIRETRIZES PARA O PROGRAMA DE TRANSFORMAÇÃO DO BRASIL:
UM PAÍS SOBERANO, DEMOCRÁTICO, DESENVOLVIDO SUSTENTÁVEL E CRIATIVO ..................................... 6
COMPROMISSO COM O PROJETO DE NAÇÃO ..................................................................................................6
1. FORTALECER A DEMOCRACIA, A PARTICIPAÇÃO SOCIAL E MODERNIZAR O ESTADO .................................................. 15
2. COMBATER AS DESIGUALDADES ...............................................................................................................................................................................18
3. PROTEGER A VIDA COM UMA SEGURANÇA PÚBLICA MAIS EFICIENTE E INTEGRADA ................................................26
4. GARANTIR O DIREITO À EDUCAÇÃO PARA TRANSFORMAR VIDAS E O PAÍS ..........................................................................30
5. FORTALECER A SAÚDE COM EQUIDADE, INOVAÇÃO E SOBERANIA ..............................................................................................34
6. AMPLIAR O ACESSO À CUL TURA E AO ESPORTE COMO VETORES DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL ..................40
7. FORTALECER O DIREITO À CIDADE ............................................................................................................................................................................44
8. PROMOVER UMA ECONOMIA MAIS SUSTENTÁVEL, PRODUTIVA E DIGITAL, PARA TODAS E TODOS ................47
9. SEGURANÇA ALIMENTAR E PRODUÇÃO AGRÍCOLA ..................................................................................................................................58
10. AMPLIAR A SEGURANÇA ENERGÉTICA E LIDERAR A TRANSIÇÃO PARA UMA ECONOMIA DE BAIXO
CARBONO .............................................................................................................................................................................................................................................63
11. PROMOVER A SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL E CLIMÁTICA ........................................................................................................69
12. VALORIZAR O TRABALHO EM SUAS MÚL TIPLAS FORMAS ..................................................................................................................73
13. DEFENDER A SOBERANIA NACIONAL E O PROTAGONISMO INTERNACIONAL DO BRASIL .......................................77
Índice
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PROGRAMA DE GOVERNO
O que nos move são os
sonhos do povo brasileiro.
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PROGRAMA DE GOVERNO
DIRETRIZES PARA O PROGRAMA DE TRANSFORMAÇÃO DO BRASIL:
UM PAÍS SOBERANO, DEMOCRÁTICO, DESENVOLVIDO,
SUSTENTÁVEL E CRIATIVO
COMPROMISSO COM O PROJETO DE NAÇÃO
O povo brasileiro sonha e almeja um futuro melhor. A esperança é o que nos
move. Sem sonhos, criatividade, desejo de transformação, fé, esperança e
trabalho, nada acontece. É com essa força coletiva que o Brasil pode seguir
transformando realidades.
Todas as vezes que estivemos à frente do Executivo Federal, governamos para
todas as pessoas, sobretudo, para quem mais precisa, comprometidos com
aqueles e aquelas cujos sonhos parecem mais distantes e cujas necessidades
ainda não foram plenamente atendidas. Nosso compromisso histórico é construir
um Brasil como potência criativa, sustentável, democrática e soberana, com
menos desigualdades.
Queremos continuar trabalhando para fortalecer uma democracia real e efetiva,
capaz de assegurar que todos os brasileiros participem dos benefícios do
crescimento econômico e dos frutos do progresso social. Isso exige políticas
públicas orientadas pela inclusão, pela equidade, pela solidariedade e pelo
interesse público.
O Brasil proposto por este programa de governo não é uma utopia distante nem
uma promessa vaga. É a continuidade de um projeto concreto de ampliação de
direitos, reconstrução do Estado, aprofundamento da democracia e transformação
estrutural do país. Todos os compromissos aqui assumidos são factíveis,
necessários e possíveis, e têm como base as conquistas e entregas do atual
mandato.
Vamos continuar fazendo as escolhas políticas necessárias à construção de um
país em que o trabalho seja valorizado, os serviços públicos sejam continuamente
aprimorados, a democracia seja praticada e não apenas declarada, e a soberania
nacional seja efetivamente exercida.
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Representamos um governo que age, executa, aprende e aperfeiçoa rumos,
mantendo o foco no que realmente importa: o bem-estar dos brasileiros e
brasileiras, a centralidade do interesse público e a construção de um modelo
eficaz de governança democrática.
O Brasil já demonstrou, em vários momentos de sua história, que é capaz de
realizar transformações essenciais quando reúne liderança política, capacidade
institucional e energia social. Foi assim na construção do maior sistema universal
público de saúde, o SUS, no combate à fome e à pobreza, na liderança em
energias renováveis e na produção de alimentos.
Este programa aposta nessa força. Aposta que uma criança nascida em qualquer
região, de qualquer origem, terá mais oportunidades do que as gerações
anteriores. Não porque o futuro esteja garantido, mas porque políticas públicas
sérias, bem planejadas, participativas e voltadas para quem mais precisa são
capazes de mudar a vida das pessoas.
Somos o verdadeiro novo porque enfrentamos o velho sistema que mantém o
Brasil no atraso, na desigualdade e na dependência. Queremos continuar
perseguindo esses objetivos, o que exige enfrentar as forças políticas do passado,
que atuam para conservar privilégios e não democratizar o uso adequado dos
recursos públicos, com transparência e foco nas grandes questões nacionais.
Nossa tarefa é derrotar o projeto liberal-conservador para seguir construindo um
Brasil popular, democrático, soberano e justo. O Brasil que sonhamos e que seja
partilhado por todos e todas.
Estamos prontos para continuar as tarefas de ampliar a capacidade de
planejamento do Estado brasileiro, fortalecer a base produtiva e tecnológica,
democratizar o orçamento público, reafirmar a soberania nacional e enfrentar as
ameaças externas que desconsideram os interesses do povo brasileiro. Não há
desenvolvimento sem soberania em áreas estratégicas, capacidade industrial,
domínio tecnológico e projeto nacional. Por isso, a disputa por recursos
estratégicos, tecnologias, conhecimento e fontes de energia impõe novos desafios
ao desenvolvimento do nosso país, e temos todas as condições de enfrentá-los.
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PROGRAMA DE GOVERNO
Seguimos com um projeto de desenvolvimento para o Brasil e pelo Brasil, baseado
nos nossos interesses, e não nos interesses de outras potências.
O governo Lula III começou com a tentativa golpista de 8 de janeiro de 2023,
mobilizações violentas contra a democracia e um Estado profundamente
desmontado e fiscalmente desequilibrado. Essa destruição começou com o golpe
contra a presidenta Dilma Rousseff e se aprofundou com os governos Temer e
Bolsonaro.
O resultado foi uma verdadeira herança maldita, marcada por uma economia
combalida, políticas públicas destruídas, revogação de direitos, aumento das
desigualdades, precarização do trabalho, fortes expressões de violência social e
política e aviltamento da soberania nacional.
A deterioração das condições de vida da população brasileira entre 2016 e 2022
não foi fruto do acaso, mas o resultado de uma política econômica equivocada, e
da inação planejada e do desmantelamento de políticas sociais consolidadas.
Entre 2017 e 2022, a economia brasileira enfrentou baixo crescimento, com uma
taxa média de 1,5% ao ano. Nesse período, a indústria de transformação, setor
essencial para a agregação de valor e geração de empregos de qualidade, teve
desempenho ainda pior, crescendo em média apenas 0,47% ao ano.
O governo Bolsonaro deixou, ainda, um legado de passivos expressivos, muito
longe de uma herança de responsabilidade fiscal. Recebemos um orçamento
fictício, deixando de fora políticas essenciais. Na tentativa de se reeleger,
Bolsonaro dilapidou os cofres públicos, deu calote em precatórios e armou uma
bomba fiscal para estados e municípios com a desoneração artificial de
combustíveis. Além disso, delegou parte expressiva do orçamento discricionário
da União ao chamado orçamento secreto.
De forma ainda mais irresponsável, a gestão anterior promoveu uma flexibilização
eleitoreira das políticas sociais, com prejuízos ao desenho e à efetividade dos
programas. O retrocesso mais visível expressou-se na volta do Brasil ao Mapa da
Fome da ONU e na fila do osso.
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Na saúde e na educação, os impactos da omissão federal traduziram-se em
severos retrocessos civilizatórios. A negligência do Governo Federal no
enfretamento à Covid 19 resultou na perda de 700 mil vidas e a falta de
coordenação de campanhas nacionais de vacinação teve como consequência a
queda dramática das taxas de imunização infantil. Na educação, a ausência de
uma coordenação federativa integrada, a redução dos recursos e a paralisia de
milhares de obras de creches e escolas que abandonaram os municípios à própria
sorte, deprimindo a qualidade pedagógica e estimulando o aumento da evasão
escolar.
No mercado de trabalho e na previdência, observamos a precarização das
relações laborais, a expansão da informalidade e o desamparo de trabalhadores
de plataforma, reduzindo o rendimento médio real das famílias.
A agenda de Ciência, Tecnologia e Inovação esteve no centro dos ataques
negacionistas e dos cortes orçamentários arbitrários que comprometeram a
pesquisa científica e o futuro do País.
No campo cultural, o desmonte institucional culminou na extinção do próprio
Ministério da Cultura (MinC), rebaixado a órgão subalterno e alvo de ataques
ideológicos sistemáticos. A gestão federal passada opôs-se de forma veemente
ao suporte emergencial destinado aos fazedores de cultura duramente
impactados pela pandemia.
A segurança pública, sob o pretexto da desregulamentação, facilitou a proliferação
descontrolada de armas de fogo, o que fortaleceu estruturas de milícias e facções
criminosas nos territórios vulneráveis e ampliou a letalidade das violências
domésticas, em especial contra mulheres, crianças e adolescentes.
A demolição planejada das estruturas ambientais legitimou o garimpo ilegal, a
grilagem de terras públicas e o aumento recorde do desmatamento ilegal. Esse
desmonte institucional promoveu o aumento expressivo de conflitos no campo e
o assassinato de defensores ambientais e lideranças tradicionais pela ação
impune de redes criminosas.
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PROGRAMA DE GOVERNO
Internacionalmente, o Brasil foi isolado geopoliticamente, sofrendo rebaixamento
de seu prestígio diplomático, desidratação de acordos regionais e o risco
iminente de perda de direito de voto em organismos multilaterais pelo não
pagamento de cotas internacionais básicas.
Voltamos ao governo em 2023 para reconstruir o Estado, retomar políticas
públicas, recuperar o crescimento econômico, reduzir desigualdades, ampliar a
sustentabilidade ambiental, recompor o protagonismo internacional e reconstruir
a presença do Brasil no mundo. Tínhamos chegado ao governo vinte anos antes e
começamos a mudar o país. Com o golpe de 2016, o Brasil foi jogado para trás.
Ao final de 2026, serão quatro anos de recuperação das condições
macroeconômicas, recomposição das políticas públicas essenciais, fortalecimento
das instituições democráticas e recuperação do papel do Brasil no mundo.
A economia brasileira passou a crescer em torno de 3% ao ano, retomando seu
posto entre as 10 maiores economias do mundo. De acordo com o FMI, o Brasil
terá crescimento no período 2023-2026 acima da média da América Latina. A
inflação registrou o menor índice acumulado de um mandato presidencial na
história do país, alcançando uma média anual de 4,6%. Retomamos o crescimento
da nossa indústria, entre 2023 e 2025, foi a 6ª que mais cresceu no mundo entre
as economias do G20, com 3,2% acumulados.
Sob a diretriz de “colocar o pobre no orçamento e o rico no Imposto de Renda”, a
gestão realizou uma profunda reorganização fiscal que elevou a proteção social
sem renunciar ao reequilíbrio das contas públicas. Fizemos a gestão fiscal mais
republicana da história do Brasil. Trabalhamos em conjunto com o Congresso
Nacional para a aprovação do arcabouço fiscal, das medidas de recomposição e
justiça tributária e da redução dos benefícios fiscais. Foi assim que cortamos
isenções tributárias e colocamos fim a benefícios ineficientes.
Adotamos uma estratégia fiscal inovadora com o novo arcabouço fiscal, que
controlou o crescimento das despesas sem prejudicar a recomposição de gastos
sociais. Restabelecemos os pisos constitucionais da saúde e da educação,
reorganizamos as contas públicas. Entre 2023 e 2026, fizemos um enorme esforço
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fiscal, de aproximadamente 2% do PIB, R$ 240 bilhões. As projeções indicam que
o déficit primário encerrará 2026 próximo de 0,4% do PIB, bastante próximo do
equilíbrio fiscal.
Nossa estrutura tributária mudou para melhor. Tributamos a renda dos super ricos
e fechamos diversas brechas que só geravam distorções na economia, como a
tributação de offshores e fundos exclusivos. Ao mesmo tempo, reduzimos o peso
dos impostos sobre os mais pobres, com medidas de isenção total ou parcial do
Imposto de Renda. Na prática, cerca de 140 mil contribuintes do topo da pirâmide
social passaram a contribuir mais, viabilizando alívio tributário para mais de 15
milhões de brasileiros e brasileiras.
Aprovamos a histórica reforma tributária do consumo. O número de impostos
cairá de cinco (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) para dois (CBS federal e IBS
subnacional). A reforma amplia a transparência, acaba com a cumulatividade e
elimina a guerra fiscal entre os entes subnacionais. A cesta básica ficará isenta
desses impostos e os mais pobres terão direito a um mecanismo de cashback, o
que favorece a progressividade tributária.
Com a Nova Indústria Brasil - NIB, investimos massivamente em áreas estratégicas
e na estrutura produtiva brasileira. Com fortalecimento institucional, diálogo com
diferentes atores da sociedade e responsabilidade pública, alcançamos a
retomada da produção industrial, recordes de safra, o crescimento das
exportações e a retomada dos investimentos públicos e privados.
Com o Plano de Transformação Ecológica (PTE) criamos os instrumentos
econômicos para implementação dos compromissos climáticos do Brasil,
colocando a sustentabilidade no centro das políticas industriais, energéticas e de
infraestrutura.
O Novo PAC levou à mobilização de um volume histórico de investimentos,
previstos em R$1,3 trilhão até o final de 2026, articulando recursos do orçamento
federal, das empresas estatais, do setor privado e de financiamentos. São
investimentos em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, energia, infraestrutura
urbana, habitação, saneamento básico, saúde, educação, inclusão digital e
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PROGRAMA DE GOVERNO
conectividade. Batemos recordes de investimentos em infraestrutura e em leilões
de concessões de logística e energia.
O País voltou a crescer com redução das desigualdades, algo que só ocorreu nos
nossos governos. A política de valorização real do salário-mínimo e o mercado de
trabalho aquecido levaram a uma expansão da massa salarial e do consumo.
Alcançamos a maior renda real do trabalho e o menor desemprego da série
histórica. O Bolsa Família foi recriado e expandido com benefícios especiais para
crianças e adolescentes. A desigualdade, medida pelo coeficiente de Gini, atingiu
o menor patamar histórico de 0,504, enquanto a pobreza extrema recuou para o
menor nível da série de 4,6% da população.
Herdamos uma taxa Selic elevada e uma política econômica equivocada do
governo que levaram ao endividamento elevado das famílias. Para aliviar o
comprometimento da renda com dívidas das famílias e das empresas,
promovemos duas edições do programa Desenrola Brasil. Em 2026, o Novo
Desenrola Brasil apoiou famílias de menor renda, pequenos negócios e
agricultores familiares, oferecendo descontos elevados, juros menores e prazos
mais longos.
Alcançamos esses resultados tão positivos a despeito de um cenário internacional
extremamente desafiador marcado por ataques ao multilateralismo e ao direito
internacional e pela tentativa de imposição de uma ordem mundial predatória. As
restrições que as guerras na Ucrânia e no Irã trouxeram ao comércio, aos
fertilizantes, à energia e à estabilidade global afetaram diretamente países em
desenvolvimento como o Brasil. Além disso, fomos alvos também de pelo menos
três ondas de tarifaços pelo Governo Trump. Esse cenário exigiu um conjunto
robusto de medidas, como o Plano Brasil Soberano, que vem dando fôlego às
empresas brasileiras, preservando o emprego e a renda do povo brasileiro.
Recebemos o Brasil na fila do osso e o entregamos fora do Mapa da Fome,
novamente.
O Sistema Único de Saúde (SUS) foi resgatado da negligência e da asfixia para
consolidar-se como a espinha dorsal do desenvolvimento humano e da soberania
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sanitária do país. A cobertura vacinal de rotina foi plenamente recuperada,
neutralizando o risco de reintrodução de doenças infectocontagiosas.
O Ministério da Educação reassumiu a liderança estratégica e federativa do setor.
Os investimentos em todos os níveis educacionais voltaram. E o governo
desenhou uma inovadora e premiada política contra a evasão no Ensino Médio: o
programa Pé-de-Meia.
Na cultura, a recriação do Ministério da Cultura (MinC) e a retomada dos
mecanismos de financiamento permitiram voltar a valorizar a identidade nacional
e a diversidade cultural brasileira.
O governo estancou a destruição acelerada dos biomas nacionais por meio do
restabelecimento das ações ambientais, com expressiva redução do
desmatamento. Em três anos e meio, alcançamos a menor taxa de desmatamento
da história da Amazônia. Além disso, promovemos a recuperação e a restauração
florestal. Retomamos o compromisso do Brasil com o Acordo de Paris, atualizando
nossas metas de redução de emissões.
A agenda de segurança pública, por sua vez, foi reorganizada visando o
enfrentamento ao crime organizado, com cooperação federativa por meio do
fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), inteligência tática
e o controle de armas de fogo. Avançamos na cooperação internacional para
enfrentar crimes transnacionais, especialmente em fronteiras, rotas do tráfico e
fluxos financeiros ilícitos.
O Brasil rompeu definitivamente com o isolamento geopolítico pretérito e
reassumiu seu protagonismo na arena global.
Esse legado evidencia os resultados robustos que devolveram ao país a melhores
patamares nos indicadores econômicos, sociais e ambientais. Recuperamos uma
década de retrocessos em três anos e meio de mandato.
Contudo, sabemos que a simples recuperação do passado é insuficiente diante
das exigências do futuro e os anseios legítimos da nossa população.
14
PROGRAMA DE GOVERNO
Na atual conjuntura histórica, o Brasil deve reafirmar sua soberania com
serenidade, criatividade, firmeza e espírito de cooperação. Em um mundo
marcado por transformações profundas, incertezas e disputas estratégicas, o país
precisa fortalecer sua autonomia de decisão, proteger seu território, seu povo,
seus recursos naturais, sua democracia e sua capacidade de construir um projeto
nacional de desenvolvimento. Defender o Brasil significa garantir que as decisões
sobre o nosso futuro sejam tomadas pelo povo brasileiro, em benefício do
desenvolvimento nacional, da redução das desigualdades e das futuras gerações.
Queremos fortalecer a soberania brasileira em todas as suas dimensões:
democrática, institucional, defesa nacional, geopolítica, científica, tecnológica,
digital, energética, mineral, ambiental, cultural, econômica, financeira, trabalho
decente, alimentar, educação e saúde.
Poucos países têm a riqueza cultural, a diversidade étnica, racial, as reservas
hídricas, os biomas, os recursos minerais, a capacidade agroalimentar, a matriz
energética limpa, o soft power e o potencial científico e tecnológico do Brasil.
Hoje acumulamos capacidade de execução, implementação e entrega. E, como
em pouco momentos de nossa história, reunimos as condições necessárias para
dar um salto qualitativo de desenvolvimento, inclusão, sustentabilidade e
soberania.
Para produzir desenvolvimento, essas potencialidades precisam ser articuladas
com planejamento democrático, inteligência estratégica e soberania nacional.
Precisam estar integradas ao combate às discriminações, condição essencial para
o desenvolvimento democrático do Brasil. Precisam caminhar junto com a
reafirmação de nossa luta pela redução de todas as dimensões da desigualdade.
Precisa assegurar a defesa da vida, garantindo segurança para a população
brasileira.
Fizemos muito, e é preciso fazer ainda mais. E é por isso que queremos continuar
governando o Brasil, porque a tarefa de realizar as reformas estruturais necessárias
para o país atingir um novo patamar de civilidade e implementar um verdadeiro
projeto nacional de desenvolvimento segue em curso.
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DIRETRIZES PROGRAMÁTICAS
1. Fortalecer a Democracia, a Participação Social e Modernizar o Estado
A democracia deve ser, de fato, o sistema político que representa o povo, assegura
uma vida livre e digna e promove o combate às desigualdades. A reforma política
e eleitoral é inadiável para superar a dissociação entre a representação política e
a composição real da sociedade brasileira, para fortalecer a democracia brasileira,
e recuperar a confiança da sociedade no sistema político. Uma das dimensões
importantes de fortalecimento de nossa democracia é a relação entre os poderes
da República e entre os entes da Federação. Nosso compromisso é manter
diálogo permanente, respeitoso e construtivo em torno dos interesses nacionais.
Consistente com o compromisso com a democracia participativa, o atual mandato
do Presidente Lula recriou os conselhos de políticas públicas, retomou as
conferências nacionais – foram realizadas 28 conferências desde 2023 – e instituiu
o Sistema de Participação Social.
Vamos aprofundar a participação. o controle social nas políticas públicas e
continuaremos realizando conferências para implantar e aprimorar políticas e
programas sob responsabilidade federal.
Construímos, na atual gestão, o PPA mais participativo da história, com plenárias
em todos os estados e municípios e mais de 1,4 milhão de participantes na
plataforma Brasil Participativo. Reforçamos a utilização no orçamento de
marcadores que permitem acompanhar gastos relacionados a cada uma das
agendas transversais do PPA 2024-2027 (mulheres; meio ambiente; igualdade
racial; povos indígenas; crianças e adolescentes). Queremos que o PPA 2028-
2031 seja ainda mais participativo e que o ciclo orçamentário federal brasileiro
também seja objeto de participação social.
Propomos ainda enfrentar uma grave distorção na elaboração e gestão do
orçamento federal – o atual sistema de emendas parlamentares. No orçamento
de 2026, as emendas somaram R$ 50 bilhões, consumindo aproximadamente um
quinto dos recursos discricionários do Poder Executivo. As emendas impositivas
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PROGRAMA DE GOVERNO
e o orçamento secreto são práticas que mudaram as relações entre o Executivo e
o Legislativo, sequestram o orçamento público, dispersam os recursos e reduzem
a eficiência alocativa. Essas práticas se reproduzem nas assembleias legislativas e
câmaras municipais por todo o Brasil, dificultando a renovação do Legislativo. É
preciso que o tema das emendas parlamentares seja debatido com a sociedade.
É parte da reafirmação da democracia avançar ainda mais na regulação
democrática das redes sociais e das plataformas digitais, de modo a impedir que
elas difundam desinformação, acolham campanhas de ódio e outras formas de
comunicação nocivas para a democracia. Nenhuma democracia sobrevive sem
uma opinião pública plural e sem a garantia plena da liberdade de expressão.
Não obstante os avanços recentes, o sistema de Justiça brasileira ainda é marcado
por uma morosidade decisória decorrente da quantidade excessiva de processos
e instâncias recursais. Nesse sentido, propomos a continuidade do diálogo
permanente com os atores do judiciário, respeitada a autonomia dos Poderes,
para estimular o aperfeiçoamento do sistema de Justiça.
Queremos um país em que o poder seja exercido pelo povo, por meio de
representantes eleitos e da participação social; em que o diálogo e a liberdade de
opinião fortaleçam o debate democrático; e em que as instituições inspirem
confiança, assegurando independência, harmonia e cooperação entre os Poderes
em todos os níveis da Federação.
Gestão e Modernização do Estado
O governo do presidente Lula adotou, desde 2023, políticas e medidas para
promover uma gestão pública eficiente e inovadora, orientada para a geração de
valor público e redução das desigualdades.
Houve a maior reestruturação na gestão de pessoas do governo federal em um
único mandato nas últimas três décadas e a retomada da política de valorização
e diálogo com servidores. Vamos aprofundar este processo, a partir da Mesa
Nacional de Negociação Permanente, que foi reaberta em nosso mandato.
Estamos construindo “um governo para cada pessoa”, com serviços
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personalizados para cada indivíduo. Com Lula, o governo passou a tratar os
dados dos brasileiros e brasileiras como ativos estratégicos. A infraestrutura
nacional de dados – a Base de Dados do Brasil – vem avançando na estruturação
de ecossistemas de dados para tornar as políticas públicas mais eficazes e criar
oportunidades de inovação e maior eficiência.
Vamos continuar investindo na universalização dos serviços públicos digitais de
qualidade, e na construção de infraestruturas públicas digitais que deem suporte
à personalização dos serviços. Vamos buscar alavancar novas iniciativas que
melhorem e facilitem a experiência de uso de plataformas públicas, como o Gov.
br, que já reúne mais de 5 mil serviços públicos federais.
Instituiremos uma Política Nacional de Letramento Digital, estruturada para
capacitar cidadãos de todas as idades a navegar criticamente na rede, combater
a desinformação, proteger sua privacidade e transformar o ecossistema digital
em um espaço de geração de renda, educação continuada e pleno exercício da
cidadania. Propomos a criação de um Conselho Nacional pela Soberania Digital,
com participação da sociedade.
Aprimoraremos o modelo de centralização e compartilhamento de serviços de
suporte (gestão de pessoas, orçamento, contratações etc.) entre ministérios e
órgãos do Executivo federal, que tanto contribui para racionalizar o uso dos
recursos e conferir mais qualidade ao gasto público.
No governo Lula, voltamos a usar o poder de compra do Estado como uma
ferramenta crucial de desenvolvimento, indução de políticas e investimentos,
inovação, estabelecimento de padrões de sustentabilidade e soberania. No
próximo mandato, vamos aprimorar os mecanismos de utilização do poder de
compra do Estado em todos os níveis da federação, estimulando o
desenvolvimento nos territórios e a descentralização das contratações públicas
por meio de plataformas como o Contrata+ Brasil.
Em nosso governo, o patrimônio imobiliário da União foi colocado a serviço das
políticas públicas de habitação, com destinação de 1,8 mil imóveis e terrenos. O
Imóvel da Gente terá continuidade para que terrenos e imóveis da União
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PROGRAMA DE GOVERNO
beneficiem famílias com regularização fundiária dos imóveis em que já residem
ou sejam convertidos em equipamentos de saúde, educação, assistência social,
entre outros. Além disso, criamos o Fundo Imobiliário da União, para tornar a
gestão do patrimônio público mais eficiente e colocar esses ativos a serviço do
desenvolvimento dos territórios.
Para superar a desigualdade na capacidade dos estados e municípios de prestar
melhores serviços à população, buscaremos fortalecer ainda mais a cooperação e
a governança federativa, por meio de instrumentos como compartilhamento de
infraestrutura pública digital, formação de servidores e elaboração de estratégias
nacionais. Como já fizemos na atual gestão, esta cooperação persistirá, orientada
pelo princípio republicano.
Vamos dar sequência às medidas de controle e integridade da administração
pública e ao combate à corrupção. O Plano de Integridade e Combate à Corrupção
2025–2027 representa um avanço institucional que será aprofundado,
fortalecendo a prevenção, a investigação e a responsabilização de corruptos e
corruptores, inclusive os do andar de cima, com pleno respeito à independência
das instituições.
Persistiremos, como no atual mandato, aprimorando as políticas e medidas de
transparência. O Portal da Transparência receberá investimentos para evoluir para
uma plataforma inteligente baseada em dados abertos e inteligência artificial.
Fortaleceremos ainda mais organismos como a Ouvidoria-Geral da União e as
consultas públicas, em laboratórios de inovação cívica, consultas digitais, uso de
inteligência artificial, observatórios temáticos, fortalecendo uma nova cultura
democrática baseada na participação da sociedade no combate à corrupção.
2. Combater as desigualdades
O combate às desigualdades requer justiça tributária, fortalecimento do Estado
de bem-estar social, valorização do salário-mínimo, inclusão produtiva, educação,
saúde, programas eficientes de transferência de renda. Por isso, devemos manter,
aperfeiçoar e ampliar as políticas de proteção social para quem mais necessita.
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Esse processo exige políticas públicas transversais e intersetoriais que enfrentem
suas causas estruturais. Desde 2023, avançamos muito na reconstrução e criação
de políticas para combater as desigualdades. Recriamos e expandimos o Bolsa
Família. Reinstituímos a política de valorização do salário-mínimo, que assegurou
ganhos reais para trabalhadores, aposentados e beneficiários do BPC.
Reorganizamos o Estado para que segmentos historicamente excluídos voltassem
a ter canais de interlocução. Voltamos a assegurar aos povos e comunidades
tradicionais – indígenas, quilombolas e ribeirinhos – seus direitos, inclusive em
relação a seus territórios. Reorganizamos as redes de proteção para enfrentar a
violência contra as mulheres e de fomento à autonomia das mulheres. Aprovamos
a reforma tributária do consumo e isentamos de imposto de renda todos os que
ganham até R$ 5.000, compromisso assumido na campanha de 2022, marcos do
início do processo de redução da regressividade do sistema tributário brasileiro.
Os indicadores mostram que avançamos. O índice de Gini, que mede o grau de
desigualdade de renda, chegou ao menor patamar histórico. O Brasil alcançou,
pela primeira vez na história, o nível de muito alto desenvolvimento humano,
segundo o PNUD, e saímos do Mapa da Fome, segundo a FAO. Fizemos muito,
mas há muito ainda a fazer para alcançarmos um Brasil mais igualitário.
Manteremos o combate ao racismo no centro de nossa estratégia de
desenvolvimento, pois não é possível compreender nem superar as desigualdades
brasileiras sem enfrentar a questão racial como dimensão estruturante da
sociedade.
Vamos continuar engajados na implementação das deliberações da 5ª Conferência
Nacional de Promoção da Igualdade Racial (V CONAPIR), realizada em 2025,
após um intervalo de sete anos. Avançaremos ainda mais na regulamentação do
Estatuto da Igualdade Racial para a consolidação da equidade como política de
Estado. As políticas de fomento à participação da população negra no
funcionalismo público, especialmente nos espaços superiores da gestão
governamental, terão continuidade, alinhadas à política de cotas no serviço
público que aprimoramos no atual mandato.
Com a política de cotas, a universidade brasileira mudou de rosto: entre os
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PROGRAMA DE GOVERNO
estudantes de graduação que declaram cor ou raça, 45,5% identificam-se como
pretos, pardos ou indígenas, e três em cada quatro ingressantes vêm da escola
pública. Neste mandato, a política de cotas foi aperfeiçoada, com a inclusão de
reserva para quilombolas.
Vamos acelerar a implementação da Política Nacional de Equidade, Educação
para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).
Implantamos o primeiro campus quilombo dos Institutos Federais, em Minas
Nova, e teremos outros mais.
Temos orgulho da retomada do processo de titulação de territórios quilombolas,
que permitiu, desde 2023, a expedição de 65 titulações e assinatura de 72
decretos de desapropriação por interesse social, recorde histórico. Vamos dar
continuidade a este processo de reconhecimento do direito ao território,
buscando acelerar os procedimentos e garantir que sejam acompanhados de
políticas de desenvolvimento territorial.
A criação do inédito Ministério dos Povos Indígenas retomou o compromisso do
Estado com os povos indígenas. Homologamos 20 novas terras indígenas,
somando cerca de 3,2 milhões de hectares de terras protegidas em 11 estados.
Publicamos 21 Portarias declaratórias terras indígenas. Realizamos desintrusão
em 9 terras, retirando invasores e asseguro o usofruto dos povos indígenas. Na
terra Yanomami enfrentamos a emergência em saúde e combatemos o garimpo
ilegal, que foi reduzido em 99%.
Reafirmamos igualmente o compromisso com a proteção dos povos indígenas,
de seus territórios, culturas e modos de vida. Persistiremos, garantindo proteção
a seus territórios, com ações para demarcação e desintrusão de terras sempre
que necessárias. Persistiremos, assegurando que as políticas de educação escolar
indígena estejam fundamentadas no respeito à autonomia dos povos indígenas,
na interculturalidade, no multilinguismo e nas formas próprias de produção e
difusão de conhecimentos. Vamos implantar plenamente a Universidade Indígena,
criada em 2026. Manteremos nossos esforços para a elevação da qualidade de
vida e da preservação dos direitos de todos os povos, com atenção especial aos
yanomamis, submetidos na gestão anterior a um verdadeiro genocídio, cuja
21
reversão dos impactos ainda está em curso. A saúde indígena continuará
merecendo atenção diferenciada, com os indígenas tendo participação efetiva
em sua gestão.
Enquanto as mulheres continuarem sendo discriminadas e vítimas de violência, o
Brasil não será o país que queremos. É preciso ampliar as políticas de proteção às
mulheres, combater o machismo, o sexismo e o feminicídio, promover a autonomia
econômica, assegurar igualdade de oportunidades e garantir os direitos sexuais e
reprodutivos.
O Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio permanecerá como guia central de
nossa estratégia de enfrentamento à violência contra mulheres. Com a parceria
dos três poderes da República, em menos de seis meses de vigência do pacto, já
foram sancionadas dez leis e editados cinco decretos para ampliar a capacidade
do Estado de enfrentar a violência contra a mulher. Criamos o Centro Integrado
Mulher Segura e aceleramos o tempo para expedição de Medidas Protetivas de
Urgência, que caiu de 16 para 3 dias. Em parceria com estados, executamos
operações Mulher Segura, com resultados extraordinários.
Vamos dar sequência ao Pacto, ampliando a rede de proteção às mulheres –
concluiremos as 30 Casas da Mulher Brasileira e os 15 Centros de Referência da
Mulher Brasileira. Ampliaremos as Salas Lilás e vamos adquirir e distribuir aos
Estados kits para aprimorar o monitoramento de agressores. Seguiremos
fomentando a capacitação das forças de segurança para qualificar o atendimento
às mulheres vítimas de violência e a punição aos que infligirem a violência.
Queremos também, no próximo mandato, avançar, junto com a sociedade, em
medidas que mudem e ampliem, cultural e estruturalmente, o respeito às meninas
e mulheres.
A Lei da Igualdade Salarial, que aprovamos em 2023, continuará orientando
nossas ações para promoção do trabalho das mulheres. Persistiremos buscando
assegurar políticas que apoiem as mulheres em sua inserção no mundo do
trabalho, com linhas de crédito mais favorecidas para agricultoras e extrativistas
no âmbito do Pronaf; com programas de qualificação específicos, como o
Mulheres Mil, que foi retomado no atual mandato: com programas de fomento ao
22
PROGRAMA DE GOVERNO
empreendedorismo feminino; de apoio à participação das mulheres na ciência e
na pesquisa.
Envelhecer é uma conquista civilizatória e não deve ser encarada como um
problema. A população brasileira com mais de 60 anos cresce rapidamente. Cabe
ao Estado se preparar para o futuro e garantir que todas as pessoas possam
envelhecer com dignidade, autonomia e acesso ao cuidado.
No próximo mandato, intensificaremos tanto as ações de promoção da autonomia
das pessoas idosas, voltadas para aquelas pessoas com baixo grau de
dependência, quanto medidas centradas na garantia do cuidado para aquelas
pessoas com maior dependência.
As estratégias de atendimento serão organizadas a partir de dois eixos. Um
centrado no fomento a serviços de atendimento com foco em saúde, lazer,
convivência, esporte, assistência social e proteção contra violações de direitos
humanos e maus tratos. O outro para atendimento domiciliar, de ‘porta em porta’,
em que o Estado vai até pessoas idosas com dificuldades de locomoção ou que
vivam em regiões distantes da rede de proteção social.
Vamos ampliar o apoio aos municípios para expandir e qualificar a rede de
atendimento dos Centros-Dia e outros equipamentos para promoção do
envelhecimento saudável e ativo, como academias públicas, praças, espaços de
leitura, entre outros.
Seguiremos apoiando a ampliação das vagas públicas em Instituições de Longa
Permanência - ILPIS e aperfeiçoando os mecanismos de fiscalização desses
estabelecimentos para garantir condições adequadas de funcionamento e
identificar eventuais casos de violações de direitos humanos e maus tratos.
O Programa de Atenção Domiciliar ao Idoso – PADI Brasil, voltado ao atendimento
domiciliar multiprofissional às pessoas idosas com limitações funcionais,
condições crônicas e fragilidades clínicas, já está implantado em 2.655 municípios.
Vamos dar escala a esse programa do SUS para que idosos tenham acesso a esse
direito em todo território nacional.
23
Vamos ampliar as parcerias com iniciativa privada para qualificação e contratação
de pessoas com mais de 60 anos, assim como medidas de valorização dos
saberes das pessoas idosas no mercado de trabalho.
Seguiremos fortalecendo iniciativas de letramento digital buscando ampliar o
acesso dos idosos aos serviços públicos digitais e reduzir sua vulnerabilidade a
fraudes e crimes cibernéticos.
Lançamos a Política Nacional de Educação Bilingue de surdos estabelecendo a
libras como primeira língua e o português escrito como segunda língua em todo
o País. Retomamos e ampliamos o Viver sem Limites que reúne medidas e
políticas para assegurar e promover os direitos das pessoas com deficiência. O
Novo PAC apoiou 52 Centros Especializados em Reabilitação e 17 Oficinas
Ortopédicas.
Manteremos a implementação do Viver sem Limites. Continuaremos promovendo
ambientes inclusivos, com a aplicação rigorosa da legislação de acessibilidade. A
fiscalização do cumprimento das cotas de contratação de pessoas com deficiência
no mercado de trabalho será fortalecida, ampliando a política de inclusão
econômica. A educação inclusiva e a educação bilíngue de surdos continuarão
recebendo apoio federal, para ampliar a acessibilidade nas escolas, com
tecnologia assistiva como recurso individual, estruturar as redes de serviços,
ofertar materiais visando à redução de desigualdades regionais e territoriais e
atender estudantes em situação de vulnerabilidade de várias ordens. Na saúde,
ampliaremos ainda mais o número de Centros Especializados em Reabilitação e
Oficinas Ortopédicas.
Continuaremos a planejar e construir políticas e ações levando em conta as
dimensões de gênero, identidade, orientação sexual, étnico-raciais e classe social
assim como as demais desigualdades sociais, de modo a garantir capacidade de
o Estado atender, de forma adequada, justa e inclusiva, às pessoas LGBTQIAP+ e
todas as suas especificidades.
Estamos comprometidos com a proteção das crianças e de suas infâncias, do
que são exemplo as medidas que implantamos, como os benefícios especiais do
24
PROGRAMA DE GOVERNO
Bolsa Família para crianças e adolescentes, a proibição de celular nas escolas, os
investimentos na construção de creches e pré-escolas por meio do Novo PAC, a
expansão da educação em tempo integral, a retomada e fortalecimento do
programa de vacinação, e o ECA digital. Continuaremos buscando ampliar e
fortalecer as políticas para nossas crianças, por meio do enfrentamento da
pobreza infantil, da garantia de acesso às políticas públicas e do direito ao brincar.
O combate à pedofilia continuará prioritário e persistirá sendo executado,
envolvendo diferentes esferas governamentais e sociais. Reforçaremos ações de
inteligência e justiça para agilizar as investigações e a punição de crimes contra
crianças e adolescentes. Não recuaremos um passo sequer na proteção digital de
crianças e adolescentes, com aprimoramento do ECA Digital, regulamentação do
uso de telas por faixa etária, promoção do uso seguro das tecnologias e
regulamentação das plataformas de jogos e dos ambientes digitais.
A juventude brasileira está no centro dos desafios e das disputas que definirão o
futuro do país. A persistência das desigualdades e das limitações do
desenvolvimento brasileiro impede que a juventude realize plenamente seu
potencial e construa perspectivas de futuro compatíveis com suas expectativas e
direitos. Estamos comprometidos em ampliar, para os jovens, além de mais
oportunidades na educação, o acesso ao lazer, à cultura, ao esporte, ao descanso
e às oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional.
Aprimoraremos o Programa Pé-de-Meia, para continuar apoiando a juventude em
seu processo educacional. Manteremos os investimentos na rede nacional de
cursinhos populares (CPop), de modo a facilitar o acesso da juventude ao ensino
superior. Fortaleceremos ainda mais a assistência estudantil, ampliando o acesso
à alimentação e à moradia estudantil para os jovens que estão no ensino superior.
A política de aprendizagem para o trabalho, aprimorada no atual mandato,
receberá atenção adicional, como mecanismo de estímulo à inserção no mundo
do trabalho.
Quando colocamos como prioridade o desenvolvimento com geração de
emprego decente, ancorado no estímulo a setores ligados às novas tecnologias e
à indústria verde e criativa, estamos almejando ampliar oportunidades
25
ocupacionais de maior qualidade para nossos jovens. Emprego com proteção
previdenciária, direitos trabalhistas, remuneração justa e jornada de trabalho não
exaustiva pode ser um sonho de nossa juventude. Persistiremos também criando
políticas de fomento ao empreendedorismo entre os jovens e apoiando a
juventude rural com crédito e ações específicas para seu perfil.
Aprimorar a política de saúde mental para a juventude é um de nossos
compromissos, com foco na Política Nacional de Atenção Psicossocial, na redução
de danos e na desconstrução de preconceitos nas comunidades escolares e
universitárias. Vamos fortalecer ainda mais a produção cultural das juventudes,
reconhecendo e apoiando a produção cultural nas periferias, garantindo acesso
livre às comunidades e promovendo a integração entre as diferentes linguagens
artísticas e as oportunidades da economia criativa. Queremos participação ainda
maior da juventude nos espaços de decisão, para que o Estado se torne ainda
mais responsivo às suas demandas.
Desde o início do atual mandato, vimos trabalhando para consolidar o SUAS
como política estratégica do desenvolvimento social brasileiro, assegurando seu
fortalecimento institucional, a valorização do controle social, o aprimoramento
da governança interfederativa e sua sustentabilidade como política permanente
de Estado. No próximo mandato, avançaremos ainda mais no fortalecimento da
Proteção Social Básica e da Proteção Social Especial de média e alta complexidade,
seja com mais recursos para atendimento às populações, seja por meio da
expansão e modernização da rede de atendimento. Buscaremos também
consolidar uma agenda nacional de proteção social para povos e comunidades
tradicionais e integrar o SUAS à agenda de enfrentamento das mudanças
climáticas e dos desastres, para amplificar a capacidade de o Estado proteger
famílias atingidas por eventos extremos.
A estratégia dos cuidados é a nova fronteira de um Estado de Bem-estar Social
para enfrentar as desigualdades e orientar o desenvolvimento. Os investimentos
em cuidados são fundamentais para responder aos desafios do envelhecimento
da população, às transformações do mundo do trabalho e às necessidades das
famílias. Por isso, o governo Lula instituiu a Política Nacional de Cuidados, que
26
PROGRAMA DE GOVERNO
reconhece o cuidado como um direito universal (a receber cuidados, a cuidar e
ao autocuidado), a ser garantido pelo Estado, por meio da corresponsabilização
social e entre homens e mulheres pela sua provisão.
Começamos a implementar as ações no âmbito desta política, que, no novo
mandato, serão fortalecidas, e ganharão escala e sustentabilidade. Apoiaremos
as Cuidotecas, espaços de acolhida de crianças de 3 a 12 anos, que liberam o
tempo das mulheres responsáveis pelo cuidado das crianças. Fomentaremos a
construção de infraestruturas que ampliam os cuidados indiretos e comunitários,
como as lavanderias públicas, as cozinhas solidárias e os restaurantes populares.
Vamos instituir um programa visando a capacitação de cuidadores com currículos
inclusivos, para fazer frente à potencialmente forte expansão da demanda por
estes trabalhadores.
Queremos um país que enfrente as desigualdades por meio da justiça tributária,
da valorização do trabalho, da proteção social e da universalização do acesso à
educação, à saúde, à renda e aos demais direitos fundamentais. Um país em que
todas as pessoas, independentemente de origem, raça, etnia, gênero, orientação
sexual, idade, crença ou condição social, possam desenvolver plenamente seu
potencial e viver com dignidade. Um Brasil comprometido com a dignidade
humana, democrático e inclusivo, que combata todas as formas de discriminação
e assegure os direitos das mulheres, da população negra, dos povos indígenas e
quilombolas, da população LGBTQIAP+, das pessoas com deficiência, dos povos
do campo, das águas e das florestas, com amplo respeito às liberdades e aos
direitos humanos.
3. Proteger a vida com uma segurança pública mais eficiente e integrada
A segurança é um direito de toda brasileira e de todo brasileiro e uma
responsabilidade do Estado. O compromisso do governo Lula é proteger a vida,
garantir a cidadania e assegurar a presença do Estado onde a violência e o crime
organizado tentam impor o medo e controlar territórios.
A segurança pública é prioridade nacional e exige coordenação federativa,
integração de dados, inteligência, prevenção, repressão qualificada e políticas
27
baseadas em evidências. O crime organizado deve ser enfrentado com firmeza,
nos marcos da Constituição e do Estado Democrático de Direito, por meio da
desarticulação de suas estruturas econômicas e financeiras.
O enfrentamento da violência requer uma ação permanente e integrada do
Estado, baseada em investigação, cooperação entre as instituições, controle das
fronteiras e das redes de financiamento do crime, além de políticas de prevenção,
redução das desigualdades e ampliação de oportunidades, especialmente para a
juventude. É nesse contexto que deve avançar a construção de um Sistema
Nacional de Segurança Pública mais articulado, capaz de combinar medidas
imediatas com as reformas constitucionais e legais necessárias para superar o
atual modelo fragmentado.
Enviamos ao Congresso Nacional proposta de emenda constitucional para revisar
as atribuições dos entes da Federação na área de segurança pública. Precisamos
aprofundar a cooperação entre as instituições dos três níveis de governo e
ampliar o escopo de ação do Poder Federal para podermos avançar ainda mais
no enfrentamento à violência.
Com a Lei Antifacção, sancionada em 2026, ampliamos nossa capacidade de
enfrentar o crime organizado, as milícias e as redes criminosas que alimentam
mercados ilícitos, crimes financeiros, corrupção e violência. Manteremos a
estratégia de asfixia financeira do crime organizado por meio de ações articuladas,
que já permitiu, desde 2023, causar R$ 35,8 bilhões de prejuízos às organizações
criminosas. Em conjunto com os demais poderes, vamos continuar liderando o
processo de estabelecimento de procedimentos jurídicos mais ágeis para punir
esses crimes, além de medidas rígidas para barrar candidaturas de indivíduos
ligados ao crime organizado.
Fortaleceremos o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio
de 2026. Em cooperação com estados e municípios, vamos avançar no
enfrentamento ao tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos; asfixia
financeira do crime organizado e das milícias; qualificação da investigação de
homicídios; retomada de territórios; e fortalecimento da segurança no sistema
prisional. O programa prevê R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em
28
PROGRAMA DE GOVERNO
Infraestrutura Social (FIIS) para estados e municípios realizarem investimentos
em equipamentos e infraestrutura.
As medidas de enfrentamento ao crime organizado, contudo, requerem também
ações que consolidem a presença do Estado no território. Com repressão
qualificada aos grupos criminosos e participação ativa das comunidades locais,
priorizaremos investimentos continuados na urbanização de favelas e periferias,
na requalificação de espaços públicos e na ampliação do acesso a serviços
públicos essenciais para estimular atividades econômicas lícitas e reduzir
mercados explorados pelo crime organizado.
Consolidaremos o Sistema de Inteligência de Segurança Pública e Justiça
Criminal, modernizaremos o SINESP e a Infoseg e ampliaremos as Forças
Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs).
A revogação dos decretos editados no governo anterior, que facilitavam o acesso
a armas de fogo, foi uma medida acertada. Por isso, manteremos uma política de
controle de armas e munições, fundamental para reduzir a violência e fortalecer
uma política democrática de segurança pública. Aprimoraremos os mecanismos
de rastreabilidade de armas e munições e reforçaremos a capacidade de
fiscalização da Polícia Federal e do Exército sobre empresas de segurança
privada, defesa pessoal e registros de caçadores, atiradores e colecionadores.
A gestão do sistema prisional é estratégica para o enfrentamento ao crime
organizado, a redução da reincidência e a garantia de direitos. Cumpriremos as
metas do Plano Pena Justa e instituiremos o Pacto Nacional de Execução Penal
para o Enfrentamento ao Crime Organizado, fortalecendo a governança do
sistema prisional e a cooperação entre União, estados e sistema de justiça.
Seguiremos apoiando Estados para implementar padrões nacionais de gestão,
monitoramento e modernização das penitenciárias estaduais.
Fortaleceremos o sistema penitenciário federal, ampliando sua capacidade
operacional e de isolamento de lideranças criminosas, e implantaremos um
protocolo nacional de classificação e transferência de presos de alta
periculosidade, baseado em critérios objetivos e evidências.
29
Vamos fortalecer ainda mais as ações de segurança na Amazônia Legal, em
cooperação federativa e consolidando o modelo das Forças Integradas de
Combate ao Crime Organizado (FICCOs) como política de Estado. Manteremos
as Forças Armadas presentes nas fronteiras amazônicas e na Pan-Amazônia, com
patrulhamento fluvial e aéreo, inteligência policial e ambiental e cooperação com
os países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).
Daremos continuidade aos investimentos em radares, drones, sensores, imagens
de satélite e centros integrados de comando e controle para fortalecer o
monitoramento territorial, integrar a detecção do desmatamento às ações de
segurança e incorporar o controle das rotas fluviais ao sistema nacional de
enfrentamento ao crime ambiental. O combate à mineração ilegal continuará
sendo prioridade estratégica, com investigação financeira obrigatória em todas
as ações de desarticulação de organizações criminosas.
Continuaremos expandindo e aprimorando o Programa Celular Seguro, que já
conta com mais de 4 milhões de usuários cadastrados. Com a criação da Base
Nacional de Celulares com Restrição, o programa passou a oferecer ao cidadão
possibilidade de verificar, antes da compra, se o aparelho possui restrição. Vamos
continuar intensificando o enfrentamento às redes de receptação, reduzindo
também fraudes bancárias, golpes financeiros e outros crimes associados.
Reforçaremos a prevenção, a inteligência, a investigação e a repressão qualificada
aos crimes financeiros e cibernéticos, assegurando a proteção dos direitos no
ambiente digital. As ações priorizarão o combate à exploração sexual de crianças
e adolescentes, à violência contra mulheres e pessoas LGBTQIAP+, ao racismo, às
fraudes bancárias eletrônicas, aos crimes de alta tecnologia, aos crimes de ódio e
aos delitos cibernéticos praticados contra o Estado brasileiro ou de caráter
transnacional.
Fortaleceremos as políticas de prevenção à violência com foco na proteção da
juventude negra e da expansão de programas de mediação comunitária e justiça
restaurativa em parceria com estados e municípios. Apoiaremos e disseminaremos
metodologias bem-sucedidas de prevenção da violência e promoção de direitos,
inspiradas em experiências municipais e estaduais, fortalecendo a presença do
Estado nos territórios mais vulneráveis.
30
PROGRAMA DE GOVERNO
Consolidaremos uma política migratória humanista e estratégica, assegurando a
plena implementação da Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia
(PNMRA), o acolhimento digno de migrantes e refugiados, o combate à xenofobia
e a ampliação do acesso a direitos e serviços públicos.
Uma vez aprovada a PEC da Segurança Pública proposta pelo Executivo,
criaremos o Ministério da Segurança Pública para coordenar, em articulação com
estados e municípios, a execução das políticas nacionais de segurança pública no
âmbito do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). O Ministério fortalecerá a
integração entre os entes federados, a inteligência estatal, o enfrentamento ao
crime organizado, a prevenção da violência e a proteção dos direitos civis.
A valorização e a qualificação dos profissionais de segurança pública são
fundamentais para fortalecer a atuação policial, assegurar o uso legítimo da força
e ampliar a confiança da população nas instituições. Construiremos, junto com os
entes federados, programas no modelo de policiamento de proximidade,
fortalecendo a relação entre polícias e comunidades. Ampliaremos o programa
de estímulos para uso de câmeras corporais, com padrões nacionais para
utilização, gestão e preservação das imagens. Estimularemos o fortalecimento
dos mecanismos de controle interno e externo da atividade policial.
Queremos um país em que todas as pessoas possam viver em paz e segurança,
protegidas por instituições fortes, democráticas e comprometidas com os direitos
humanos. Um país capaz de combater eficazmente o crime organizado e todas
as formas de violência, assegurando a vida, a liberdade, a igualdade e a proteção
da população em todo o território nacional.
4. Garantir o Direito à Educação para Transformar Vidas e o País
A educação constitui o principal instrumento de transformação social, mobilidade
social intergeracional e de construção de um projeto nacional de desenvolvimento
democrático, soberano, sustentável e inclusivo. É por meio dela que um país
amplia sua capacidade de produzir e compartilhar conhecimento, reduzir
desigualdades, fortalecer a democracia e afirmar sua soberania.
O governo Lula 3 estabeleceu a educação básica como prioridade, atuando em
31
regime de colaboração federativa para acelerar a superação dos gargalos e
insuficiências ainda existentes neste nível de escolaridade. Mesmo priorizando a
educação básica, voltamos a investir na expansão do ensino técnico e tecnológico,
e retomamos o fomento ao ensino superior, em especial à rede federal.
No novo mandato, a conciliação destes objetivos continuará orientando a ação
federal, que será também pautada pelo compromisso em cumprir as metas do
Plano Nacional de Educação 2026-2036.
O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada instituiu uma estratégia nacional
de cooperação federativa, cujos resultados – 66% das crianças alfabetizadas na
idade certa em 2025 - superaram a meta prevista de 64%. Seguiremos com as
ações e políticas já pactuadas com os estados e municípios brasileiros para
chegarmos à meta de 80% das nossas crianças alfabetizadas na idade certa.
Ao mesmo tempo, continuaremos fortalecendo as políticas de enfrentamento do
analfabetismo na população adulta e vamos instituir uma estratégia nacional
permanente de recomposição e aceleração das aprendizagens, com atenção
especial aos anos finais do ensino fundamental e ao ensino médio.
A creche cumpre papel decisivo no desenvolvimento cognitivo, social e emocional
da criança, período em que se constroem as bases do aprendizado ao longo da
vida, e representa também um ganho concreto para as famílias, sobretudo para a
inserção das mães no mercado de trabalho, que passam a contar com a
tranquilidade de saber que seus filhos estão em ambiente seguro e estimulante
enquanto trabalham. O Novo PAC apoiou a construção de 3.562 creches e escolas
de educação infantil em 2.360 municípios. Na segunda edição do Novo PAC,
ampliaremos ainda mais o fomento a estados e municípios para juntos
alcançarmos a metas do PNE.
O fomento à expansão da educação em tempo integral terá absoluta prioridade
no novo mandato. Entre 2023 e 2025, 1,8 milhão de novas matrículas foram
registradas. A partir de 2026, com a inclusão, no Fundeb, do financiamento à
educação em tempo integral, a expectativa é que a ampliação dessa modalidade
se acelere, garantindo melhores condições de aprendizado para os estudantes.
32
PROGRAMA DE GOVERNO
Com recursos do Novo PAC, apoiamos, no atual mandato, estados e municípios
na melhoria e expansão de sua infraestrutura de educação básica. Repassamos
recursos para a construção de 686 escolas de educação em tempo integral. Na
segunda edição do Novo PAC, manteremos o apoio a estados e municípios. Vale
lembrar que o governo Lula também retomou obras que estavam paralisadas em
governos anteriores – no caso da educação, são 5.967 creches, escolas, quadras
esportivas e outros equipamentos que tiveram seus contratos repactuados e
voltaram a receber recursos para conclusão.
Também com recursos do Novo PAC, estamos levando internet de qualidade às
escolas brasileiras, já tendo alcançado 75% delas com conectividade nos
parâmetros adequados. Vamos universalizar este serviço no próximo mandato,
garantindo acesso a essa dimensão cada vez mais central para a qualidade da
educação.
Aprovamos a nova lei do ensino médio, buscando reequilibrar a formação geral
básica e a formação profissional, e criamos o Pé-de-Meia, para enfrentar o desafio
da evasão no ensino médio. O programa já beneficiou 7,3 milhões de jovens e
mostrou ter impacto sobre os indicadores de permanência e de participação no
Enem. Vamos dar continuidade e fortalecer o Pé-de-Meia. Nenhum jovem em
situação de pobreza ou vulnerabilidade social no Brasil deve deixar a escola por
falta de renda.
Lançamos o MEC Livros e o MEC Idiomas, iniciativas que, ao permitir o acesso via
celular, democratizam o acesso a leitura e aprendizagem de inglês e espanhol. No
próximo mandato seguiremos ampliando o acervo do MEC Livros e incluindo
novas línguas no MEC Idiomas.
Continuaremos exercendo liderança estratégica, apoiando tecnicamente os
estados, o Distrito Federal e os municípios para fortalecer a cooperação entre os
entes e contribuir com a formação de gestores e equipes técnicas. Avançaremos
com o compartilhamento de dados para eficiente execução das políticas
educacionais.
Não existe educação de qualidade sem professores qualificados, valorizados e
33
com condições adequadas de trabalho. O Piso Nacional do Magistério será
mantido e daremos continuidade às medidas de apoio à formação docente, de
elevação da atratividade das licenciaturas, por meio do Pé-de-Meia Licenciatura,
e de fixação de docentes em regiões do país e áreas do conhecimento, por meio
do Bolsa Mais Professores.
A educação e formação profissional é uma prioridade para os jovens e toda a
sociedade brasileira. Por isto, retomamos a expansão da rede de institutos
federais de educação técnica e tecnológica, os IFs. Serão mais 111 IFs, com novos
campus em 106 municípios de todos os estados. Também criamos o Partiu IF, que
oferece cursinho preparatório gratuito para estudantes do nono ano do ensino
fundamental, para facilitar o ingresso nos IFs. As duas iniciativas têm um propósito
comum – democratizar o acesso à educação técnica de qualidade.
No novo mandato, continuaremos a expansão da nossa rede de institutos federais,
priorizando a interiorização, os vazios educacionais, as periferias urbanas e os
municípios com baixa oferta de cursos técnicos.
Uma marca de todos os mandatos do Presidente Lula é o financiamento ao ensino
superior, fundamental para a formação e produção de conhecimento e condição
para a soberania nacional e para a democracia. O orçamento das universidades,
para custeio e para investimento, foi restaurado. O Novo PAC destinou recursos
para 10 novos campi da rede federal e para 367 obras na infraestrutura das
universidades, tais como laboratórios, restaurantes, salas de aula, novas sedes. O
ProUni voltou a bater recorde de ofertas de bolsa e renegociamos, por duas
vezes, as dívidas do FIES. Reajustamos as bolsas de estudo que estavam
congeladas por uma década.
Daremos sequência ao fomento ao ensino superior no próximo mandato. Além
de concluir as obras em curso, inclusive dos novos campi, será concluída a
implantação da nova unidade do ITA, no Ceará, e da Universidade Indígena e da
Universidade do Esporte. Haverá também novo ciclo expansão e interiorização
da educação superior pública para superar os vazios educacionais e as assimetrias
regionais. Adotaremos medidas para aperfeiçoar a assistência estudantil, para
garantir a permanência e a conclusão dos cursos pelos estudantes nas instituições
públicas.
34
PROGRAMA DE GOVERNO
Continuaremos a investir na ampliação e na melhoria da qualidade de pós-
graduação nas áreas de conhecimento, nas regiões e nas localidades pouco ou
não atendidas.
Ampliamos a rede de hospitais universitários com a criação de 13 novas unidades,
inclusive onde esta infraestrutura não existia, como Acre e Rondônia. No próximo
mandato, avançaremos na implantação de novos hospitais universitários e na sua
articulação com o Agora tem Especialistas.
Ao priorizarmos a expansão da cobertura das creches, investirmos no ensino em
tempo integral e criarmos mais oportunidades de acesso ao ensino técnico e
superior, estaremos preparando nossas crianças e jovens para as exigências de
um mundo em rápida transformação. A educação é o nosso pacto inegociável
com o futuro, um investimento essencial para o desenvolvimento sustentável,
inclusivo e soberano do Brasil.
5. Fortalecer a saúde com equidade, inovação e soberania
Com Lula, o SUS voltou a estar ao lado do povo brasileiro. A atenção básica,
como eixo estruturante do sistema, foi apoiada na expansão de serviços e na
modernização e ampliação da infraestrutura. Na atenção especializada,
começamos a enfrentar o desafio da redução do tempo de espera por consultas
e tratamentos. Buscamos ampliar e democratizar o acesso a medicamentos e
incorporar novas tecnologias ao sistema. Combatemos o negacionismo,
defendendo a ciência e a vida, recuperando as coberturas vacinais.
Avançamos muito, mas o SUS é um sistema que requer contínua evolução para
assegurar, de fato, o direito universal à saúde. Este compromisso orientará as
políticas a serem implementadas no novo mandato.
Na atenção básica, com o Novo PAC, apoiamos a construção de 2.734 unidades
básicas de saúde e adquirimos e distribuímos 10 mil combos com equipamentos.
Renovamos e ampliamos a frota do SAMU, doando 2.994 ambulâncias para
estados e municípios.
Seguiremos mantendo o apoio à expansão e qualificação das equipes de saúde
35
da família, em especial as equipes multiprofissionais, que serão peça central no
cuidado à uma população que envelhece com velocidade. Fortaleceremos
instrumentos de indução e de financiamento para adoção de parâmetros de
qualidade no atendimento, em especial em territórios de maior vulnerabilidade
social.
Avançamos na modernização, com a entrega de 5.257 kits de equipamentos para
implantar teleconsultas. Vamos intensificar o apoio ao uso de ferramentas de
saúde digital, como teleconsultas, teleorientação e teleacolhimento na rede
básica de saúde. E vamos continuar investindo no aumento de oferta de exames
e recursos diagnósticos, para aumentar a capacidade resolutiva das equipes e
evitar encaminhamentos desnecessários à atenção especializada.
Um dos mais importantes avanços no sistema, que já começamos a implementar
e ganhará velocidade e escala na próxima gestão, é a integração entre a Atenção
Primária, a Vigilância em Saúde, a Assistência Farmacêutica e a Atenção
Especializada, com prontuário compartilhado, fluxos claros de referência e
contrarreferência e articulação com as Ofertas de Cuidados Integrados (OCI),
propiciando o conhecimento e a articulação do cuidado ao longo de toda a
trajetória do usuário na rede.
Vamos acelerar os esforços na consolidação do prontuário único do cidadão, que
já avança por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Essa integração
dos sistemas de informação interfederativos permitirá disponibilizar diretamente
no celular a marcação de consultas nas UBS e os resultados de exames,
especialmente em regiões de vulnerabilidade e vazios assistenciais. Vamos
acelerar a utilização de inteligência artificial para a triagem, a priorização de
casos graves, a regulação por risco clínico e o diagnóstico em áreas com escassez
de especialistas.
O Programa Mais Médicos, que dobrou de tamanho em nossa gestão, seguirá o
caminho de vinculação e fixação de profissionais, valorizando a formação de
especialistas em medicina de família e comunidade dentro do programa, para
garantir a continuidade do cuidado nos municípios e áreas de maior
vulnerabilidade.
36
PROGRAMA DE GOVERNO
No Brasil Sorridente, há hoje quase 35 mil equipes de saúde bucal em 5.208
municípios, 23% a mais que em dezembro de 2022. Até o final de 2026 serão
1.228 centros de especialidades odontológicas e 1.324 Unidades Odontológicas
Móveis – UOMs, esta última uma inovação do nosso mandato. Manteremos o
apoio aos municípios para que, conforme a lei aprovada em nosso mandato,
universalizem a oferta de saúde bucal. Continuaremos, como na atual gestão,
comprando e transferindo aos municípios os equipamentos necessários a esta
universalização.
Retomamos o Farmácia Popular, ampliando para 41 o número de medicamentos
gratuitos distribuídos. Chegamos, em 2025, a 27,3 milhões de pessoas atendidas,
32% mais que em 2022. O programa será mantido, 100% gratuito, assegurando
contínua revisão dos medicamentos ofertados e a continuidade da distribuição
de fraldas geriátricas. Vamos continuar construindo parcerias para ampliar o
número de locais de retirada nas periferias das grandes cidades e alternativas
para onde não houver farmácia privada para conveniar.
Uma inovação do programa será incluir exames laboratoriais, de diagnóstico e de
monitoramento de condições crônicas de saúde, que afetam parcela significativa
da população, tais como hipertensão arterial e diabetes.
Desde o primeiro dia do mandato, buscamos reverter o negacionismo em relação
às vacinas e retomar a elevada cobertura vacinal que diferenciava, para melhor, o
Brasil de grande parte do resto do mundo. O retrocesso foi revertido e ampliamos
a cobertura em 15 das 16 principais vacinas infantis. A UNICEF mostrou que o
Brasil foi o país que registrou um dos maiores avanços mundiais na recuperação
da cobertura vacinal infantil entre 2023 e 2025.
Vamos manter todos os esforços para continuar ampliando o acesso e a adesão
da população à vacinação em todo o território nacional, com campanhas
nacionais e ações em locais de fácil acesso e grande visibilidade.
A vacinação nas escolas seguirá como eixo prioritário para recuperar coberturas
vacinais e avançar na prevenção de doenças e no controle de diferentes tipos de
câncer, com destaque para o HPV. Fortaleceremos a vacinação contra a dengue
37
para toda a população brasileira elegível, bem como a vacinação contra o Vírus
Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite em crianças
pequenas. Continuaremos incorporando novas vacinas ao calendário do SUS,
como fizemos com a Pneumo 20, para crianças e com a bronquiolite, para
gestantes.
Começamos a enfrentar, no atual mandato, com o Agora tem Especialistas, um
dos maiores desafios da saúde pública brasileira – garantir o acesso à atenção
especializada, com qualidade e agilidade. Começamos a atuar de forma firme na
integração entre serviços, na regulação do sistema, na ampliação da rede
hospitalar e de equipamentos para reduzir filas para exames e tratamentos
especializados.
Os resultados do Agora tem Especialistas mostram que o caminho está correto.
Em 2025, foram 15 milhões de cirurgias, maior volume na história do SUS; 31,4
milhões de consultas e 45 milhões de exames, 141% e 40% a mais que em 2022,
respectivamente. Em 52 municípios de 21 estados, as filas de espera foram zeradas
para procedimentos de saúde da mulher, exames de imagem e oftalmologia.
Com o Novo PAC, fizemos um investimento inédito na infraestrutura e
equipamentos do SUS: 15 hospitais regionais e 13 universitários, 101 policlínicas,
60 máquinas de diagnóstico por imagem (ressonância magnética e tomografia),
146 kits de cirurgia geral e oftalmológica, 70 equipamentos para radioterapia e
3.300 veículos para transporte sanitária, mais uma novidade desse mandato.
As ações do Agora Tem Especialistas serão ainda mais impulsionadas. A expansão
do terceiro turno nos serviços de saúde, o reforço das Carretas da Saúde e dos
mutirões de atendimento seguirão como estratégias centrais para ampliar a
oferta de consultas, exames e cirurgias em todo o país. Daremos continuidade à
parceria com hospitais privados para assegurar, em troca de créditos financeiros
ou de dívidas, a oferta de exames e cirurgias para o SUS.
Continuaremos investindo para garantir à rede pública equipamentos modernos
e em número suficiente para atender a população. Será nossa diretriz continuar
ampliando e modernizando equipamentos de hemodinâmica, tomografia,
38
PROGRAMA DE GOVERNO
ressonância magnética, radioterapia, PET-CT e salas completas de cirurgias,
policlínicas e hospitais, investimentos já iniciados pelo Novo PAC. A modernização
tecnológica iniciada no atual governo terá continuidade, com mais salas
telessaúde, telecirurgia, cirurgia robótica e serviços e hospitais inteligentes.
Aprimoraremos ainda mais a regulação do acesso à atenção especializada,
garantindo maior transparência das filas e utilizando inteligência artificial, com
fila única digital e ordenada pelo risco clínico, com transporte sanitário em todas
as regiões de saúde.
Vamos consolidar, em todo o Brasil, a maior rede pública de cuidado ao câncer
do mundo, com prevenção, diagnóstico e tratamento ao câncer com equipamentos
e tratamentos modernos e atualização de novos medicamentos quimioterápicos
e imunoterápicos. Consolidaremos o Supercentro Brasil de telediagnóstico do
câncer, reduzindo o tempo para realização de diagnóstico das biopsias nas
regiões remotas ou com déficit de profissionais. Ampliaremos os Centros
Especializados de diagnóstico e tratamento do câncer (UNACONS e CACONS),
com expansão de centros de radioterapia e cirurgias.
Com o Novo PAC, apoiamos a construção de 39 maternidades e 27 Centros de
Parto Normal para dar maior segurança às gestantes. A Farmácia Popular passou
a distribuir absorventes, garantindo a dignidade menstrual de 3,3 milhões de
meninas e mulheres. Avançamos na oferta de anticoncepcionais no SUS com a
disponibilidade do Implanom, que já disponibilizou 1,4 milhão de unidades.
Permaneceremos comprometidos com a saúde integral das mulheres em todas
as fases da vida. Continuaremos reforçando a cobertura de exames e tratamento,
incluindo o diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero, bem
como os cuidados para mulheres que sofrem de endometriose e outras condições
ginecológicas crônicas. Fortaleceremos o planejamento reprodutivo ampliando o
acesso a métodos contraceptivos modernos e de longa duração, a serem
distribuídos gratuitamente no SUS, como fizemos com o Implanom.
Fortaleceremos, também, o Programa Dignidade Menstrual, com acesso aos
insumos essenciais para a saúde menstrual – absorventes e medicamentos. A
maternidade segura continuará sendo um compromisso central do SUS, com
39
intensificação da redução da mortalidade materna e atenção específica para
mulheres negras, que seguem as mais afetadas por óbitos evitáveis. O acesso
oportuno ao parto, especialmente para mulheres de áreas rurais, do campo, da
floresta e das águas também será fortalecido. Fortaleceremos o Samu para
atuação integrada com a Rede Alyne, as casas de gestantes próximas às
maternidades, ambulância perinatal e enfermeiras obstétricas na Amazônia Legal.
O Novo PAC apoiou a estruturação de 336 novos Centros de Atenção Psicossocial
- CAPS. Na saúde mental, ampliaremos os investimentos na Rede de Atenção
Psicossocial e nos CAPS, ampliando a atenção a crianças, adolescentes e jovens.
Também fortaleceremos o diagnóstico e o acompanhamento de pessoas com
TEA e outras neurodivergências, bem como o cuidado psicossocial a mulheres
em situação de violência. Ampliaremos os profissionais e as estratégias voltadas
às pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas.
O apoio ao desenvolvimento científico e tecnológico da saúde voltou a ter
centralidade, por meio do fomento ao Complexo Econômico e Industrial da Saúde
(CEIS). Trata-se de ação fundamental para a soberania sanitária e tecnológica do
Brasil e a ampliação da capacidade de resposta do SUS. Foram assinadas 31
parcerias para desenvolvimento produtivo a partir de 2024, entre as quais para a
volta de produção nacional de insulina, e aprovados 54 Programas de
Desenvolvimento e Inovação Local. Concluímos a fábrica Hemobrás, que nos
coloca rumo a nacionalização completa da produção de hemoderivados,
ampliando nossa soberania nesse tipo de insumo.
Aprovamos a lei que institui a Estratégia Nacional de Saúde do Complexo
Econômico-Industrial da Saúde. E, no próximo mandato, seguiremos mobilizando
instituições públicas de saúde em articulação com empresas nacionais
comprometidas com a inovação e com universidades e institutos de pesquisa.
Continuaremos aperfeiçoando os instrumentos das PDPs para ampliar a absorção
tecnológica, a inovação e o fortalecimento da indústria nacional. Fortaleceremos
a pesquisa e o desenvolvimento de insumos farmacêuticos ativos (IFAS) a partir
da biodiversidade brasileira, com destaque para o potencial da Amazônia, e
ampliaremos o sequenciamento genômico voltado ao estudo de variantes
associadas à resistência ou à susceptibilidade a doenças infecciosas e crônicas.
40
PROGRAMA DE GOVERNO
A saúde é um direito de todos os brasileiros e brasileiras e um investimento
estratégico para um Brasil soberano. Nosso compromisso com o fortalecimento
do SUS público e universal é inalienável.
6. Ampliar o acesso à cultura e ao esporte como Vetores de Transformação
Social
A cultura é elemento essencial da identidade nacional e uma das principais fontes
de riqueza simbólica, social e econômica do Brasil. A diversidade cultural brasileira
constitui patrimônio imaterial de valor inestimável, fortalece a cidadania, a coesão
social a projeção internacional do país, impulsiona a economia e promove o
desenvolvimento territorial.
As atividades de esporte também são expressões da cultura brasileira e
instrumentos de desenvolvimento humano, inclusão social e dinamização
econômica.
Cultura
A cultura é uma dimensão estratégica da nossa luta pela democracia, pela
soberania, pela justiça social e pela sustentabilidade ambiental. A cultura é o
campo privilegiado da disputa de valores, visões de mundo e o lócus onde
fermentarão as condições necessárias para a consolidação de um projeto de
nação que considere todos os brasileiros e brasileiras e que seja sustentável em
relação à natureza.
O governo Lula reposicionou a cultura, restabelecendo o diálogo com a sociedade
e fortalecendo a cooperação federativa. A recriação do Ministério da Cultura foi
um dos passos fundamentais para reafirmar a cultura como um direito fundamental
e vetor do desenvolvimento econômico e social. Aprovamos a Lei do Sistema
Nacional de Cultura e modernizamos todos os instrumentos de fomento. Os
recursos para financiar as atividades culturais nunca foram tão expressivos.
No quarto mandato do presidente Lula, vamos dar sequência à revolução na
política de fomento à cultura brasileira. Os principais instrumentos de fomento –
Lei Aldir Blanc e Lei Rouanet – serão aperfeiçoados e implementados de forma
41
transparente e democrática, para apoiar todas as artes. Vamos avançar ainda
mais na desconcentração regional e para todas as formas de manifestação
cultural, fortalecendo nossa diversidade cultural. Para isto, serão ainda mais
fortalecidas as instâncias de participação social na elaboração, desenvolvimento
e acompanhamento das políticas culturais, como o Conselho Nacional de Política
Cultural e os Comitês de Cultura Estaduais.
Vamos seguir preservando e difundindo os saberes, as memórias e os patrimônios
culturais do Brasil, fortalecendo instituições responsáveis por essas atividades. E
vamos cuidar de quem guarda esse patrimônio: mestras e mestres das culturas
populares e tradicionais terão políticas de salvaguarda e valorização, com regras
claras de direito autoral sobre os saberes que eles mantêm vivos.
No atual mandato, recuperamos o Cultura Viva e chegamos a 16 mil Pontos e
Pontões de Cultura. Vamos fortalecer ainda mais as iniciativas culturais
comunitárias e ampliar o fomento ao desenvolvimento da infraestrutura cultural
em territórios periféricos, inclusive apoiando a formação de arranjos regionais
voltados à articulação de redes locais e ao fortalecimento de ecossistemas
criativos nos territórios. Daremos especial atenção à consolidação dos Pontos de
Cultura, buscando assegurar planos de ação continuados, previsibilidade,
segurança jurídica, corresponsabilidade federativa e participação ativa da
sociedade civil na gestão compartilhada da Política Nacional Cultura Viva.
No atual mandato, com o Novo PAC, enfrentamos o desafio de ampliar o acesso a
bens culturais. Investimos em equipamentos culturais como CEUs da Cultura,
MovCEUs, sobre rodas e flutuantes. Fomentamos 6 mil bibliotecas públicas e
estamos apoiando a implantação de 1.500 bibliotecas em unidades do Minha
Casa Minha Vida. Asseguramos recursos para 144 obras de restauração do
patrimônio histórico e artístico e para 105 projetos, que permitirão, na próxima
edição do Novo PAC, apoiar mais obras. Vamos dar continuidade aos investimentos
para consolidar e manter a rede de equipamentos culturais nos territórios e para
fomentar programas de circulação e mobilidade artística e iniciativas de
democratização da cultura.
42
PROGRAMA DE GOVERNO
O cinema nacional voltou a ser prestigiado e apoiado em nosso mandato.
Retomamos a Cota de Tela e o Fundo do Audiovisual aplicou R$ 3,6 bilhões entre
2023 e 2025 na produção nacional. Lançamos o Tela Brasil e vamos continuar
trabalhando pela aprovação, no Congresso Nacional, de uma regulamentação do
streaming (VOD) que atenda ao interesse nacional e assegure o País como um
produtor e exportador ativo de obras audiovisuais. No próximo mandato,
queremos ainda fortalecer a governança das políticas do audiovisual e consolidar
uma política industrial para o setor audiovisual.
Ao mesmo tempo, fortaleceremos a proteção dos direitos autorais e da
propriedade intelectual. Na cultura digital, ampliaremos as condições de criação,
produção e difusão, com acesso a tecnologias e plataformas. Trabalharemos pela
aprovação de lei do direito autoral em ambiente digital e a regulamentação da
inteligência artificial, para que músicos, autores e artistas sejam pagos quando as
plataformas usarem conteúdo brasileiro. Quem cria não pode ser o único a não
ganhar.
Continuaremos a fortalecer a diplomacia cultural e a internacionalização da
produção brasileira, ampliando a presença de artistas e obras nacionais no
exterior e apoiando fazedores de cultura brasileiros em outros países e imigrantes
no Brasil.
Estimularemos o empreendedorismo cultural, a inovação e a formação profissional
para gerar empregos e ampliar oportunidades econômicas no setor cultural,
ampliando o acesso a crédito para iniciativas de economia criativa. Fomentaremos
a oferta de vagas em cursos técnicos e profissionalizantes de formação e
qualificação artística Técnica e Cultural.
Sancionamos o Marco Legal dos Games, que reconhece e equipara os games a
criações culturais. Com isto, esta importante indústria passa a acessar os
mecanismos de fomento da Lei Rouanet e da Lei do Audiovisual. Criamos uma
classificação específica para o setor na CNAE e, em março/2026, incluímos o
setor na Classificação Brasileira de Ocupações, para incentivar a formalização
dos gamers. Seguiremos apoiando este setor estratégico, um braço da economia
criativa, que gera emprego, em especial para jovens, e projeção internacional,
que pode mobilizar investimentos bilionários no país.
43
Avançaremos na integração da Cultura com a educação, por meio de políticas
como o programa Mais Cultura nas Escolas e a ação Arte e Cultura na Educação
de Tempo Integral. Queremos consolidar atividades artísticas integradas ao
currículo que estimulem a criatividade, a capacidade crítica e o letramento digital,
democratizando o acesso da juventude à produção e ao repertório cultural.
Estamos comprometidos também com o desenvolvimento de programas
específicos voltados para a formação de plateia, promovendo o acesso a
experiências culturais e artísticas desde a infância e juventude.
Esporte
O atual governo Lula reconstruiu o papel do Estado nas políticas de esporte.
Além da recriação do Ministério, com capacidade para formular e implementar
políticas públicas eficazes, retomou políticas e reorganizou a legislação do setor,
com a aprovação da Nova Lei de Incentivo ao Esporte e a Lei Geral do Esporte.
O Bolsa Atleta teve o valor das bolsas reajustado pela primeira vez desde sua
criação e alcançou o maior número de atletas da história – 11 mil contemplados
em 2026. Vamos continuar ampliando e fortalecendo o programa, além de manter
o patrocínio das empresas estatais para assegurar que no próximo ciclo olímpico
e paralímpico avancemos ainda mais na conquista de bons resultados e medalhas.
O esporte de alto rendimento continuará sendo apoiado no próximo mandato de
Lula.
No próximo mandato, realizaremos a Copa do Mundo de Futebol Feminino, que
ocorrerá pela primeira vez na América do Sul. Continuaremos trabalhando para o
sucesso do evento, que ocorrerá em 8 capitais brasileiras, e que tem o potencial
de promover ainda mais o Brasil no exterior, estimulando também a atividade
turística. Sediar o evento terá também o efeito de estimular ainda mais a prática
do futebol feminino no Brasil.
A Universidade do Esporte foi aprovada pelo Congresso Nacional. No próximo
mandato, temos a tarefa de implementar a universidade, para formar quadros
técnicos e democratizar o acesso ao esporte e instituiremos a rede nacional de
pesquisa, inovação e tecnologia do esporte.
44
PROGRAMA DE GOVERNO
No atual mandato, começamos a implantação de Arenas Brasil em todos os
estados com o Novo PAC, apoiamos 500 unidades por todo o Brasil. Ampliaremos
este apoio no novo mandato, para assegurar acesso às práticas esportivas em
todo o território nacional.
Queremos um país que reconheça a cultura, a economia criativa, e o esporte
como forças estratégicas do desenvolvimento nacional, capazes de gerar
trabalho, renda, inovação, pertencimento, qualidade de vida e desenvolvimento
em todos os territórios brasileiros.
7. Fortalecer o direito à cidade
No governo Lula 3, as cidades brasileiras readquiriram centralidade no
planejamento e execução de investimentos federais. O direito à cidade exige uma
reforma urbana que integre habitação, saneamento, mobilidade, uso do solo,
gestão de riscos, adaptação às mudanças climáticas, meio ambiente urbano,
cultura, comunicação e desenvolvimento econômico local. Cidades criativas
articulam inovação, tecnologia, cultura e participação social em torno de suas
vocações e potencialidades. As históricas desigualdades territoriais, as crescentes
demandas por infraestrutura e serviços urbanos, associados aos impactos das
mudanças climáticas, exigem contínuos aperfeiçoamentos nas políticas públicas,
capazes de aprofundar a integração entre planejamento, investimento e
participação social.
Com uma carteira de projetos de R$ 118 bilhões no Novo PAC, a infraestrutura
urbana voltou a receber atenção para assegurar um desenvolvimento urbano
inclusivo, com base em cidades mais inteligentes, sustentáveis e resilientes.
Fizemos isto recuperando a institucionalidade responsável pela política urbana
no Governo Federal, recriando o Ministério das Cidades, e reinstituindo o diálogo
com setor produtivo, movimentos sociais e estados e municípios, do que é
exemplar a retomada da Conferência Nacional das Cidades. Dialogamos
continuamente com governos estaduais e municipais, para que a carteira de
investimento refletisse as prioridades de cada local. Qualificamos, desta forma,
os empreendimentos apoiados. E este método cooperativo federativo mostrou
45
que instituir instrumentos para reforçar a capacidade técnica e financeira dos
municípios para planejar, executar e fiscalizar os investimentos deve seguir como
tarefa a ser apoiada no próximo mandato.
Garantir moradia digna, em especial para as famílias de menor renda, voltou a ser
prioridade do governo federal. Recriamos o Minha Casa Minha Vida – MCMV,
introduzindo melhorias no padrão construtivo, elevando os valores dos imóveis
enquadráveis no programa, criando uma nova faixa de renda no programa para
atingir a classe média, que estava ameaçada por insuficiência de recursos da
poupança para seu financiamento. Retomamos obras do MCMV que estavam
paralisadas, algumas desde 2014, por falta de apoio do governo anterior.
Os resultados foram extraordinários. O programa alcançou sua meta de contratar
2 milhões de moradias com um ano de antecedência, o que nos levou a elevar
esta meta para 3 milhões até o final de 2026. Mais de 80% das obras que estavam
paralisadas já foram retomadas. Um milhão de moradias foram quitadas para
beneficiários do Bolsa Família e BPC. Mais importante, dinamizamos o mercado
imobiliário, fazendo com que, pela primeira vez na história, o crédito imobiliário
ultrapassasse a barreira dos 10% do PIB.
Esta equação bem-sucedida continuará. O MCMV será mantido e ampliado no
próximo mandato, para todas as faixas de renda e preservando seu foco nas
famílias de mais baixa renda. Serão mobilizados novos instrumentos para ampliar
o acesso à moradia, como o Compra Assistida, que, em situações excepcionais,
permite a aquisição de imóveis já prontos. Continuaremos melhorando o padrão
construtivo, simplificando processos, apoiando os movimentos sociais a
participarem do programa. Daremos sequência também à iniciativa, que se
mostrou bem-sucedida, de utilizar áreas da União, algumas em regiões centrais e
valorizadas das cidades, para construir moradias do MCMV, inclusive com novos
instrumentos, como o Fundo Imobiliário da União. Aprimoraremos e ampliaremos
o Reforma Casa Brasil.
Com o Periferia Viva, voltamos a investir em urbanização de favelas e em
regularização fundiária, abandonados no governo anterior. Retomamos 85 obras
que estavam paralisadas ou em ritmo muito lento e selecionamos outras 59
46
PROGRAMA DE GOVERNO
propostas, que envolvem provimento de infraestrutura, moradia digna,
equipamentos e serviços públicos. No próximo mandato, todas estas obras terão
recursos assegurados para sua conclusão, para garantir melhores condições de
vida às periferias por elas atendidas. Faremos novas rodadas de seleção, visando
apoiar mais projetos e persistir em nosso compromisso de garantir que as
periferias sejam parte do nosso projeto de desenvolvimento urbano sustentável.
O governo Lula investiu de forma consistente em saneamento. A partir de 2023,
foram R$ 23,3 bilhões para novas obras de abastecimento de água, esgotamento
sanitário e gestão de resíduos sólidos, além de R$ 3,5 bilhões para retomada e
conclusão de obras inacabadas de anos anteriores. Continuaremos, no próximo
mandato, a perseguir o objetivo de apoiar estados e municípios a universalizar
acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário, buscando priorizar periferias
historicamente negligenciadas.
A mobilidade urbana é um dos maiores desafios para tornar as médias e grandes
cidades espaços mais inclusivos. O tempo perdido em deslocamentos, a
precariedade do transporte coletivo, o elevado custo das tarifas e a saturação
dos sistemas de transporte reduzem a qualidade de vida da população e
comprometem a produtividade da economia. Com o Novo PAC, o governo federal
voltou a investir em infraestrutura de transporte e renovação de frota. A atual
carteira, entre retomada de obras e novos investimentos, resultará em mais 233
km de metrôs, trens e VLTs e outros 296 km de corredores exclusivos de ônibus
no padrão BRT. Permitirá também renovar a frota de ônibus de 144 municípios,
com a aquisição de 3.942 ônibus Euro 6, 203 ônibus elétricos e 39 veículos sobre
trilhos. Além disso, finalizamos estudos e focaremos em investimentos na
integração das regiões metropolitanas e das médias cidades do país.
Nosso compromisso é continuar apoiando investimentos em transporte coletivo
de alta capacidade e na modernização e eletrificação progressiva das frotas do
transporte coletivo. Manteremos a diretriz de apoiar investimentos que gerem
demanda para a indústria nacional de equipamentos de transporte, integrando
política urbana e política industrial.
47
Outra área em que pretendemos avançar, por sua urgência cada vez maior, é na
preparação de nossas cidades para enfrentar os desafios das mudanças climáticas.
Já voltamos a investir R$ 25 bilhões, com o Novo PAC, em obras de contenção de
encostas e drenagem urbana sustentável, priorizando áreas mapeadas e
classificadas com risco alto ou muito alto em municípios com problemas
recorrentes de deslizamentos e inundações. Vamos aperfeiçoar nossa capacidade
de resposta e seguir aprimorando a Defesa Civil. Queremos fomentar a adaptação
climática por meio de infraestrutura verde, proteção de mananciais e ocupação
resiliente do território.
A gestão dos resíduos sólidos e o tratamento de esgotos continuarão a ter o
apoio da União, estimulando soluções inovadoras, como a produção de biogás e
biometano.
Queremos um país que invista na construção de cidades mais inclusivas,
sustentáveis e inovadoras, ampliando a qualidade de vida da população, reduzindo
desigualdades territoriais e fortalecendo uma rede policêntrica de cidades que
impulsione a integração nacional e sul-americana, valorizando o papel das
cidades médias na geração de oportunidades, serviços e desenvolvimento.
8. Promover uma Economia Mais Sustentável, Produtiva e Digital, Para Todas
e Todos
Para dar um salto em nosso processo de desenvolvimento, precisamos seguir
transformando nossa economia. O governo Lula III consolidou um legado de
combate estruturante às desigualdades, aliando responsabilidade social, fiscal e
ambiental. Fizemos uma política econômica assentada em cinco pilares: (i) a
retomada do crescimento econômico e do emprego; (ii) o combate às
desigualdades e a promoção da justiça social; (iii) inflação controlada e
responsabilidade fiscal; (iv) a modernização produtiva, com a neoindustrialização
e a transformação ecológica como eixos estruturantes; e (v) a reabertura do
Brasil ao mundo, assegurando a soberania nacional.
A economia brasileira voltou a crescer com inclusão e estabilidade, promovendo
também mudanças estruturais para um futuro mais próspero. Para consolidar
48
PROGRAMA DE GOVERNO
esse ciclo e dar um salto de desenvolvimento, é necessário continuar
implementando uma política macroeconômica comprometida com o crescimento,
a redução das desigualdades, a valorização do trabalho, a responsabilidade
ambiental, a responsabilidade fiscal, a queda dos juros e a inflação controlada.
Nosso desafio é sustentar taxas robustas de crescimento, ampliar os investimentos,
elevar a produtividade e consolidar os avanços promovidos pela reforma tributária
e pelas políticas de desenvolvimento produtivo.
O crescimento sustentado depende da nossa capacidade de continuar
mobilizando as potencialidades da economia brasileira e suas principais frentes
de expansão: os investimentos produtivos públicos e privados, puxados pela
ampliação e qualificação das infraestruturas logísticas, urbanas e sociais; a
transformação ecológica, utilizando de forma ambientalmente sustentável os
recursos naturais estratégicos com inovações e adensamento das cadeias
industriais e proteção dos bens de uso comum; a mobilização da capacidade
produtiva para atender as prioridades sociais e a força do nosso mercado interno
com potencial de produção e consumo em massa.
Crescimento com Inclusão e Estabilidade
Vamos assegurar que a política econômica siga promovendo o crescimento e que
ele continue se traduzindo em melhoria real das condições de vida da população.
É preciso sustentar esse crescimento, ano após ano, década após década.
Para isso, vamos elevar a taxa de investimento da economia. Ampliar os
investimentos em infraestrutura logística, para dar mais competitividade à
produção nacional, e em infraestrutura social, para aprimorar os serviços e os
cuidados básicos prestados à população. Também continuaremos a incentivar os
investimentos privados na indústria, com foco em inovação e em setores
portadores de futuro, para que o Brasil avance posições na corrida tecnológica
global.
Ao investir em infraestrutura, indústria e crédito produtivo, o Estado induz o
aumento da produtividade e o adensamento produtivo, contribuindo para o
crescimento sustentável da economia, com postos de trabalho de qualidade.
49
A taxa de juros é hoje o que a inflação foi no passado no Brasil: promove
concentração de renda e desorganiza a nossa economia. Para impulsionar ainda
mais os investimentos produtivos e o crescimento econômico de longo prazo,
vamos criar as condições para uma redução sustentada das taxas de juros, com
inflação controlada e assegurando uma política fiscal responsável. Para isso,
manteremos o novo arcabouço fiscal, que controlou o crescimento das despesas
sem prejudicar as políticas sociais e permitiu uma redução significativa do déficit
primário.
O resultado fiscal virá, como fizemos até aqui, da retomada do crescimento
econômico, do controle do aumento do gasto primário, investindo na melhoria da
eficiência e da qualidade do gasto público, da promoção de justiça tributária e do
combate aos privilégios e às distorções.
A inflação baixa e a estabilidade de preços são pressupostos fundamentais do
nosso governo. Manteremos a inflação sob controle de forma duradoura e
sustentável, garantindo que a renda real da população cresça acima do custo de
vida.
Vamos também garantir a estabilidade e a saúde do sistema financeiro nacional
por meio do fortalecimento dos órgãos de regulação, fiscalização e controle. E
vamos aprofundar o mercado de capitais doméstico – aprimorando o uso das
debêntures de infraestrutura, dos fundos de investimento em participações e do
mercado secundário de recebíveis – e ampliar a atuação de investidores
institucionais como financiadores de longo prazo.
Além disso, seguiremos monitorando a evolução do endividamento das famílias e
das empresas, assegurando a continuidade dos fundos garantidores, mantendo
os mecanismos de controle de gastos excessivos em apostas on-line e
aprimorando as regras de oferta e responsabilidade na concessão de crédito,
conferindo maior proteção aos consumidores.
50
PROGRAMA DE GOVERNO
Indústria ainda mais forte, inovadora e verde
A retomada do crescimento industrial nesse mandato é resultado do
enfrentamento do processo de desindustrialização por meio dos investimentos
coordenados por uma nova, legítima e indispensável política industrial, a Nova
Indústria Brasil (NIB). Somente em financiamentos por meio do Plano Mais
Produção (P+P), a NIB terá disponibilizado R$ 860 bilhões entre 2023 e 2026.
No próximo ciclo governamental, nosso objetivo central será aprimorar e
fortalecer a neoindustrialização, repensando o papel da indústria no Brasil a partir
das prioridades da sociedade, de suas contribuições para a melhoria das
condições de vida das pessoas, para a geração de empregos decentes e para a
prosperidade econômica. O foco estratégico está na inovação, IA, minerais
críticos e outros ativos capazes de colocar o Brasil de uma vez por todas como
protagonista em áreas portadoras de futuro.
Vamos continuar integrando as políticas industrial, científica, tecnológica, de
inovação e de comércio exterior, combinando cinco objetivos centrais: elevar a
produtividade, agregar valor às cadeias produtivas, fortalecer a soberania
tecnológica, gerar empregos qualificados e descarbonizar a economia.
Além disso, o aumento da capacidade inovativa e da produtividade industrial será
fundamental para reduzir pressões inflacionárias e melhorar a inserção externa
do Brasil por meio da diversificação de mercados.
O governo seguirá fortalecendo e ampliando os investimentos em ciência,
tecnologia e inovação, área fundamental para fomentar pesquisas que sustentam
o desenvolvimento produtivo do país. Essa estratégia se apoia em uma rede
articulada de instituições que financiam a inovação e a modernização produtiva;
que sustentam o fomento direto à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico;
que conectam a ciência ao agronegócio e à indústria, inovando a ampliando a
produtividade; e que apoiam a capacitação e a competitividade de micro,
pequenas e médias empresas; e que formam talentos e geram o conhecimento. É
desse ecossistema que nascerão novas soluções, que permitirão ao Brasil
competir em melhores condições.
Começamos a enfrentar o desafio da repatriação e fixação de talentos científicos,
51
com o Programa Conhecimento Brasil. Já temos 599 pesquisadores aprovados
de 2.500 que demonstraram interesse. Daremos sequência a esta ação, para que
cientistas brasileiros possam permanecer ou retornar ao Brasil, contribuindo para
o desenvolvimento tecnológico e inovação no País.
Seguiremos fortalecendo os instrumentos de apoio à indústria. Utilizaremos
financiamento direcionado, com soluções inovadoras de parceria entre crédito
público e privado, compras públicas, concessões, regulações e benefícios
condicionados a conteúdo local, valor agregado nacional, margens de preferência
com estímulos para empresas brasileiras. Asseguraremos ainda a continuidade
do uso estratégico do FNDCT, que sustentou o maior ciclo de investimentos de
sua história e deixou de ter seus recursos contingenciados.
A transformação ecológica continuará a ser parte estruturante do crescimento e
do desenvolvimento produtivo, colocando a sustentabilidade no centro das
políticas industriais, energéticas e de infraestrutura. A Taxonomia Sustentável
Brasileira (TSB), criada neste governo, trouxe critérios transparentes e
cientificamente fundamentados para sustentabilidade climática e ambiental, além
de critérios mensuráveis para agenda social e redução de desigualdades. Através
dela vamos instituir incentivos para mobilizar a alocação de capital e orientar
práticas produtivas sustentáveis.
O Plano de Transformação Ecológica (PTE) estruturou um conjunto de iniciativas
para ampliação das fontes públicas e privadas de financiamento para impulsionar
a indústria, agricultura e finanças para um novo patamar de desenvolvimento
sustentável e tecnológico. Fizemos as primeiras emissões na história do país de
títulos públicos vinculados a projetos sustentáveis, com relevante aderência
internacional, tendo captado R$ 27 bilhões. Lançamos o Eco Invest Brasil,
instrumento inovador destinado à mobilização de investimentos privados para a
transformação ecológica, com 4 leilões realizados e mais de R$ 141 bilhões
mobilizados. Lançamos as Letras de Crédito de Desenvolvimento (LCD), as
Debêntures incentivadas e de infraestrutura
Vamos seguir mobilizando instrumentos financeiros, fiscais e regulatórios em
torno desse objetivo. Avançaremos em uma regulamentação do Sistema Brasileiro
de Comércio de Emissões (SBCE), aprovado neste mandato, articulada com
objetivos da Nova Indústria Brasil.
52
PROGRAMA DE GOVERNO
Nosso compromisso será ampliar a produção local em cadeias produtivas
estratégicas e fortalecer a inserção do Brasil nas tecnologias da Indústria 4.0,
internalizando tecnologias, verticalizando cadeias produtivas e promovendo um
amplo processo de digitalização e renovação do maquinário industrial. Nesse
esforço, priorizaremos o fortalecimento de setores de alta e média intensidade
tecnológica.
Desenvolveremos uma política específica para minerais críticos e terras raras,
capaz de organizar suas cadeias produtivas, diferenciar seus usos tecnológicos e
evitar a simples exportação de matérias-primas estratégicas. promoveremos uma
estratégia regional de mapeamento, beneficiamento e agregação de valor, para
inserir o país de forma soberana nas cadeias globais de valor desses recursos.
A política de comércio exterior deve continuar alinhada aos objetivos das políticas
industrial, tecnológica e de inovação. Melhorar a inserção externa da economia
brasileira será decisivo para garantir escala e competitividade global. Para isso,
vamos estimular as exportações industriais, ampliar a presença em novos
mercados e tornar a pauta exportadora mais concentrada em produtos com
maior valor agregado, e aprimorando continuamente os instrumentos de defesa
comercial.
Seguiremos transformando riquezas como a biodiversidade e a matriz energética
limpa em vantagens competitivas duradouras, capazes de sustentar a
reindustrialização, a inovação e a geração de empregos de qualidade.
Continuaremos a transição justa para uma economia de baixo carbono com
distribuição de renda e a justiça social, provando que desenvolvimento produtivo
e responsabilidade ambiental caminham juntos.
Investimentos em logística
Fortalecer o planejamento das ações e dos investimentos em infraestrutura, com
uma visão nacional e de longo prazo, proporcionará um desenvolvimento mais
equilibrado e sustentável nas diferentes regiões do país. A expansão e o
aperfeiçoamento do Novo PAC e a contínua revisão dos planos nacional e setoriais
53
de longo prazo da logística e suas vertentes rodoviária, ferroviária, hidroviária,
aérea e marítima serão importantes instrumentos para tornar a infraestrutura
mais integrada, priorizando investimentos com maior potencial de redução das
desigualdades e descarbonização.
O Novo PAC alcançou o objetivo de retomar os investimentos públicos e privados
em infraestrutura no País. No ano de 2025, alcançamos o recorde de investimento
em infraestrutura, R$ 280 bilhões e devemos fechar 2026 com nova marca ainda
maior, R$ 300 bilhões.
Ao organizar a carteira de investimentos estratégicos, o Novo PAC orientou as
expectativas dos agentes públicos e privados e desencadeou um ciclo virtuoso
de investimento. Os dados de execução apontam a realização de R$1,3 trilhão,
com empreendimentos que chegaram a 99% dos municípios. Batemos o recorde
de concessões, quadruplicando o número de leilões de rodovias em relação ao
governo anterior e alcançando 46% de todas as concessões rodoviárias já
realizadas no país.
E tudo isso aconteceu articulando os objetivos de industrialização contidos na
Nova Indústria Brasil (NIB), no Plano de Transição Ecológica (PTE) e no
desenvolvimento regional. Dessa forma, o Novo PAC estimulou a geração de
empregos de qualidade, como na indústria naval e na produção de trens, e em
setores que colaboram com a sustentabilidade ambiental, como na geração de
energia eólica e solar, na garantia de recursos hídricos no Nordeste brasileiro e
nos investimentos em saneamento.
A nova edição do Novo PAC manterá a articulação dos investimentos públicos e
privados em infraestrutura logística, dando sequência a obras públicas e
concessões. Manteremos o ritmo nas concessões rodoviárias e intensificaremos
as de ferrovias em duas frentes: leilão de novos projetos e repactuação dos
contratos existentes.
Em relação aos aeroportos, tendo em vista que as principais infraestruturas já
estão concedidas, daremos continuidade ao fortalecimento dos investimentos
em aeroportos regionais e medidas de incentivo a novas rotas aéreas.
54
PROGRAMA DE GOVERNO
Além disso, daremos prosseguimento à política de novos arrendamentos nos
portos organizados, bem como aos processos de concessão da manutenção dos
canais de acesso e outros serviços portuários.
Enfim, poucos países possuem tantas oportunidades econômicas com a
consolidação de sua infraestrutura. O Brasil tem a possibilidade de cumprir essa
missão articulando um plano de desenvolvimento com geração de empregos de
qualidade, sustentabilidade ambiental e integração regional.
Economia digital
Garantiremos a soberania digital para que o Brasil e os brasileiros tenham
capacidade de desenvolver, operar, regular e governar tecnologias estratégicas e
as infraestruturas críticas das quais dependem a economia, os serviços públicos,
a ciência, a defesa e a democracia. Isso também significa assegurar que o
ambiente digital esteja submetido às leis brasileiras, proteja os direitos
fundamentais e sirva ao interesse público. É esse conjunto de capacidades que
garantirá ao país liberdade de escolha e autodeterminação sobre seu futuro
digital.
Para que o Brasil ocupe posição de liderança em áreas estratégicas como
inteligência artificial, transformação digital, biotecnologia, fármacos avançados e
transição energética, precisamos avançar nos elos da cadeia de valor da
transformação digital. No próximo ciclo, vamos fomentar o desenvolvimento do
ecossistema nacional de tecnologia digital, desde a cadeia de datacenters até os
serviços de nuvem, com destaque para o fortalecimento da inteligência artificial
desenvolvida por empresas brasileiras. Mobilizaremos investimentos, inovação,
compras governamentais e sinergias entre empresas públicas e privadas,
universidades e centros de pesquisa, fortalecendo a capacidade nacional nas
cadeias digitais.
Vamos avançar numa infraestrutura computacional soberana, com
supercomputadores desenvolvidos e operados por instituições nacionais. Vamos
assegurar que a expansão de data centers e infraestruturas de inteligência
artificial seja acompanhada de salvaguardas socioambientais obrigatórias,
55
exigindo eficiência energética, utilização progressiva de fontes 100% renováveis e
avaliação de impactos sobre o sistema elétrico, hídrico e populações locais. Além
disso, a instalação dos datacenters em solo brasileiro deve prever contrapartidas
de conteúdo local e capacidade computacional para o mercado interno.
Vamos desenvolver e sustentar modelos de linguagem em português e outras
línguas, voltados aos problemas do País, apoiados numa plataforma nacional de
dados para treinamento e avaliação. Junto disso, estabeleceremos regras e
infraestrutura para uma economia de dados.
Vamos acelerar a difusão da inteligência artificial no setor produtivo, com foco
em agro, saúde e serviços financeiros. Vamos investir em instituições públicas de
pesquisa e desenvolvimento que já desenvolvem IA e na indústria que produz
tecnologia de hardware e software de alto desempenho no país. E vamos levar
essa transformação digital à pequena empresa e à economia popular.
Também formaremos talentos para consolidar um hub nacional de competências
digitais, reforçando a articulação entre polos de inovação, universidades, centros
de pesquisa e setor produtivo.
Ao mesmo tempo, avançaremos ainda mais na oferta de conectividade
significativa. Vamos reduzir o déficit de fibra óptica que ainda atinge 11% dos
municípios e ampliar o 5G no campo, com prioridade para Norte, Nordeste e
periferias. Manteremos o uso do FUST, que voltou a operar depois de mais de
duas décadas, como instrumentos de apoio a investimentos em conectividade
em todo o país.
Vamos consolidar a transparência algorítmica e a rastreabilidade de conteúdo
sintético, ancoradas no Centro Nacional de Transparência Algorítmica – porque
democracia não convive com decisão automatizada que ninguém pode examinar.
Desenvolvimento Regional
O desenvolvimento nacional não se realiza pela soma dos crescimentos regionais,
mas pela capacidade do Estado de tratar o equilíbrio territorial como critério
permanente de suas políticas. Por isso, continuaremos defendendo que a Política
56
PROGRAMA DE GOVERNO
Nacional de Desenvolvimento e seus fundos constitucionais de financiamento
(FNE, FNO e FCO) atuem como instrumento central da promoção do
desenvolvimento regional, articulando financiamento produtivo, planejamento
territorial e fortalecimento das capacidades econômicas locais.
No âmbito da reforma tributária foi criado o Fundo Nacional de Desenvolvimento
Regional que será regulamentado no próximo período. Seus recursos permitirão
apoiar investimentos e políticas redutoras das desigualdades sociais e regionais,
em substituição da predatória guerra tributária do ICMS.
Continuaremos garantindo que o fomento à inovação, às compras públicas e aos
programas de infraestrutura, operem sob o critério de equilíbrio territorial,
revertendo a concentração de investimentos em poucos polos do país. Nosso
objetivo é que os territórios onde a riqueza é produzida deixem de apenas
fornecer insumos a outras regiões e passem a reter o valor gerado por essa
produção, por meio da indústria, do emprego qualificado e da inovação local.
É preciso compreender a Amazônia não como periferia extrativa ou como reserva
passiva de recursos naturais, mas como eixo estratégico do desenvolvimento
nacional. Por isso, defendemos seguir expandindo políticas públicas para
estimular as atividades industriais, farmacêuticas, alimentares, da construção civil
e da cosmética derivadas da biodiversidade e reforçar a política de regularização
fundiária. O Fundo Amazônia seguirá garantindo recursos para projetos de
desenvolvimento sustentável.
Assim como o Nordeste, que apresenta novas perspectivas de desenvolvimento
por concentrar hoje cerca de 70% da geração eólica e solar do país. Vamos
transformar a região em um polo de atração de plantas industriais eletrointensivas
que buscam energia renovável e previsível para produzir com baixa emissão —
siderurgia verde, fertilizantes, química, cimento, alumínio, processamento de
minerais críticos, hidrogênio de baixo carbono e seus derivados.
No atual mandato, o turismo doméstico e internacional se consolidou como um
pilar da economia e do desenvolvimento regional. Os brasileiros voltaram a viajar.
Batemos recorde de turistas estrangeiros, e o gasto desses turistas chegou a U$
57
10,4 bilhões, maior patamar da história. A Organização Mundial do Turismo abriu
um escritório regional no Rio de Janeiro, com foco nas Américas e no Caribe. O
Fungetur apoiou mais de 6 mil operações, mobilizando R$ 2,8 bilhões.
Vamos continuar apoiando o segmento para que o turismo, em seus múltiplos
destinos regionais, contribua cada vez mais com o PIB. Atuaremos para
desenvolver destinos turísticos assentados na riqueza natural e diversidade
cultural. Vamos continuar estimulando a colaboração entre setores criativos
(artes, música, gastronomia) e o turismo, criando experiências diferenciadas e
atraentes. Buscaremos criar e promover novos roteiros turísticos baseados em
temas como gastronomia, arte, cultura e ecoturismo, que atraem nichos de
mercado específicos. Avançaremos na promoção internacional do Brasil no
exterior.
Micro, pequenas e médias empresas
O Brasil é um país de pequenos negócios. Dada a relevância deste segmento
para o desenvolvimento de nosso país, é preciso aprofundar o seu fortalecimento
nas políticas e planejamento governamental. Vamos transformar as micro e
pequenas empresas em protagonistas da inovação, das exportações e da
transição verde, fortalecendo o empreendedorismo feminino.
Durante esse mandato, os programas como o Acredita, o Procred 360, o Desenrola
Pequenos Negócios e os mecanismos de garantia, como o FGI PEAC e o FGO,
ampliaram as possibilidades de financiamento para esse segmento. O Pronampe
já atingiu 1,6 milhão de operações e o Procred 360 outras 211 mil, mobilizando um
montante de R$ 130 bilhões. Criamos a plataforma MEI Conta Com a Gente, que
permite o acesso a uma equipe de contadores para orientação inicial gratuita. O
Novo Desenrola já contratou 219 mil operações, permitindo renegociação de
dívida, reduzindo o montante e os juros e alongando o prazo de pagamento.
No próximo período, vamos simplificar ainda mais o ambiente de negócios,
ampliar o acesso das pequenas empresas às compras governamentais, assegurar
tratamento tributário justo na implementação da reforma tributária e estimular
uma cultura de inovação tecnológica e inserção exportadora.
58
PROGRAMA DE GOVERNO
Seguiremos potencializando o acesso a crédito para MPMEs por meio dos fundos
garantidores. Também ampliaremos investimentos para apoiar o crescimento de
pequenas e médias empresas em setores dinâmicos e portadores de futuro, por
meio de fundos de participação estruturados pelos bancos públicos, em parceria
com gestores privados e em conformidade com as diretrizes da política industrial.
O Brasil Mais Produtivo (B+P) será ampliado para alcançar mais micro, pequenas
e médias empresas e fortalecer o empreendedorismo, especialmente por meio
de linhas de crédito voltadas à digitalização e ao aumento da produtividade
dessas empresas.
9. Segurança alimentar e produção agrícola
O Brasil saiu do Mapa da Fome – cumprimos um dos mais importantes
compromissos políticos assumidos na eleição de 2022. Temos, hoje, o menor
percentual de pessoas em insegurança alimentar severa da história. Estas
conquistas devem-se às políticas de garantia de renda e elevação do poder de
compra das famílias, como o Bolsa Família e a política de valorização do salário-
mínimo; às medidas para ampliar o acesso à alimentação, como a recuperação do
valor do repasse para a alimentação escolar e a retomada do PAA-Programa de
Aquisição de Alimentos da agricultura familiar; ao fomento à produção de
alimentos e a retomada dos estoques reguladores, fundamentais para reduzir a
inflação de alimentos. E foram obtidas com a participação da sociedade civil e
dos movimentos sociais, uma vez que restauramos a governança e as instâncias
de participação que haviam sido abolidas ou fragilizadas no mandato anterior.
Para o próximo mandato, vamos continuar fortalecendo as instâncias de
participação e governança na área da segurança alimentar e da produção de
alimentos.
Estes resultados habilitaram o Brasil a retomar seu papel de liderança internacional
no tema do enfrentamento à fome. Propusemos e estamos à frente da Aliança
Global contra a Fome e a Pobreza. Voltamos a atuar na cooperação técnica Sul-
Sul para fortalecer os sistemas de segurança alimentar na África e na América
Latina. Daremos seguimento a estas iniciativas no âmbito internacional e,
internamente, vamos avançar ainda mais na garantia de alimentação saudável
59
para nossa população. Já ampliamos para 45% o percentual da alimentação
escolar a ser comprada da agricultura familiar. E elevamos para 80% a parcela da
alimentação escolar composta por alimentos in natura ou minimamente
processados. No próximo mandato, continuaremos apoiando estados e municípios
para cumprirem estes percentuais, inclusive por meio de soluções tecnológicas,
como a plataforma Contrata+Brasil. Vamos também manter regras de publicidade
que evitem a indução do consumo de produtos nocivos à saúde. Ao regulamentar
a reforma tributária, vamos, por meio do Imposto Seletivo, desestimular produtos
nocivos à saúde.
A agricultura familiar contou, ao longo do atual mandato do Presidente Lula, com
políticas consistentes com sua importância para o Brasil. O crédito disponibilizado
por meio do Pronaf foi, ano após ano, recorde, e buscou atender às diferentes
necessidades da agricultura familiar. No próximo mandato, vamos assegurar que
quem alimenta o Brasil continue a ter condições adequadas para produzir e
prosperar.
Queremos um país que garanta segurança alimentar, fortaleça sua produção
agropecuária e agroindustrial, promova a inclusão produtiva no meio rural,
fortaleça a agricultura familiar, agregue valor às exportações, preserve o meio
ambiente e assegure alimentos de qualidade a preços acessíveis. Um Brasil
competitivo, inovador e sustentável, capaz de produzir riqueza, combater a fome
e ampliar sua presença nos mercados internacionais.
Vamos continuar expandindo o Plano Safra da Agricultura Familiar, com juros
compatíveis com o perfil do agricultor e tipo de produto, com prioridade para
produção de alimentos da cesta básica. Reforçaremos ainda mais as linhas de
crédito específicas para agroecologia, produção orgânica e sociobiodiversidade,
a inovação e a introdução de tecnologias e máquinas adaptadas. Manteremos
linhas de crédito diferenciadas para jovens agricultores, promovendo a sucessão
familiar e reduzindo o êxodo rural; para mulheres agricultoras, e para cooperativas
e associações. Simplificaremos o acesso ao crédito, escalando soluções digitais,
como o aplicativo Meu Imóvel Rural, e tornando processos menos burocráticos.
A ampliação do PAA será mantida, priorizando a compra de alimentos frescos e
60
PROGRAMA DE GOVERNO
diversificados da agricultura familiar e da sociobiodiversidade para equipamentos
públicos e famílias vulneráveis. Continuaremos ampliando a oferta de Assistência
Técnica e Extensão Rural (ATER). Avançaremos no aperfeiçoamento da segurança
agropecuária para agroindústrias familiares, facilitando a comercialização
interestadual.
Retomamos o programa Mais Alimentos e o acesso da agricultura familiar à
mecanização adaptada às pequenas propriedades voltou a receber apoio,
estratégia fundamental para elevação da produtividade, que será fortalecida.
Frente à maior frequência da ocorrência de eventos climáticos extremos, daremos
especial atenção ao fortalecimento do Programa Garantia-Safra e à ampliação do
acesso ao seguro rural da agricultura familiar.
A produção sustentável da agricultura familiar será priorizada. O Plano Nacional
de Agroecologia e Produção Orgânica (PLANAPO) vai avançar ainda mais. Vamos
ampliar o Programa Nacional de Florestas Produtivas e os sistemas agroflorestais.
Vamos ampliar o fomento à produção nacional de bioinsumos para reduzir a
dependência de fertilizantes químicos importados. Haverá incentivos para os
agricultores familiares recuperarem áreas degradadas e conservar nascentes.
O acesso à terra é um tema central para o desenvolvimento rural e para a
promoção da paz no campo. Continuaremos a avançar na política de reforma
agrária, assentando as famílias acampadas, estruturando os assentamentos e
ampliando o acesso ao crédito fundiário. A regularização fundiária, especialmente
na região Norte, também é essencial para a segurança jurídica dos produtores
rurais e incentivo aos investimentos. Ao mesmo tempo, é crítico acelerar a
titulação dos territórios quilombola e a regularização fundiária dos povos e
comunidades tradicionais, promovendo a reparação histórica.
Ampliaremos o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA),
garantindo acesso ao ensino técnico e superior às populações do campo. Ampliar
a busca pela universalização do acesso à água potável e ampliar os investimentos
em saneamento rural ecológico. Ampliaremos o Programa Cisternas em regiões
com estresse hídrico, garantindo água para consumo e produção. Será buscada a
universalização do acesso à energia elétrica no campo, priorizando fontes
61
renováveis, como solar e eólica. Fortaleceremos políticas de prevenção e combate
à violência no campo, assegurando a proteção de quem vive no campo e dos
defensores dos direitos humanos e ambientais.
No novo mandato, manteremos nosso compromisso com o fomento à pesca
artesanal e à aquicultura familiar, com a implementação das diretrizes e
prioridades estabelecidas no Plano Nacional da Pesca Artesanal (PNPA).
Fortaleceremos a promoção da proteção dos territórios pesqueiros, da
sociobiodiversidade e dos modos de vida das comunidades das águas como
dimensão estratégica do desenvolvimento nacional.
O agronegócio é fundamental para o desempenho de nossa balança comercial e
para a evolução do PIB nacional. Para seu desenvolvimento é necessário políticas
que integrem a eficiência produtiva à sustentabilidade ambiental e à inovação
tecnológica. Adicionar valor à pauta exportadora é um desafio que precisamos
avançar ainda mais, diminuindo de forma relativa a primarização das relações
comerciais brasileiras.
No atual mandato, foram batidos recordes de produção de grãos, graças a uma
oferta crescente de crédito rural, em condições adequadas à produção agrícola.
Continuaremos fortalecendo o crédito rural, ampliando os recursos do Plano
Safra e assegurando juros compatíveis com a rentabilidade da atividade
agropecuária. Queremos consolidar o crédito como instrumento de modernização,
priorizando o financiamento de máquinas, equipamentos, sistemas de irrigação e
tecnologias para o aumento da produtividade. Buscaremos também continuar
diversificando as fontes de financiamento, estimulando o mercado de capitais e
títulos do agronegócio. Haverá medidas para simplificar ainda mais o acesso ao
crédito, com processos menos burocráticos e critérios claros.
Frente ao crescente risco associado às mudanças climáticas, buscaremos
implementar um programa nacional de resiliência climática no campo, ampliando
as áreas irrigadas, promovendo a conservação dos solos, incentivando a
agricultura de precisão e o plantio direto, além de modernizar ainda mais o
monitoramento meteorológico e os sistemas de alerta precoce para os produtores.
Aprimoraremos os instrumentos de fomento a sistemas produtivos integrados,
62
PROGRAMA DE GOVERNO
como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), para aumentar a retenção
de água no solo, reduzir o estresse térmico das culturas e do rebanho e fortalecer
a gestão do risco climático como fator de competitividade e continuidade da
produção.
Daremos especial atenção ao fortalecimento da política de seguro rural.
Estabeleceremos diálogo com o setor produtivo para viabilizar um instrumento
de mitigação dos efeitos das catástrofes para cobrir perdas sistêmicas decorrentes
de quebras severas de safra e para promover a educação em gestão de riscos,
integrando o seguro rural a instrumentos de comercialização e proteção
financeira.
No atual mandato, foram abertos 656 novos mercados para a produção agrícola
e pecuária brasileira, permitindo diversificar destinos para nossos produtos e
proteger nosso país e produtores das incertezas geopolíticas. Vamos continuar
neste caminho, fortalecendo a diplomacia comercial, promovendo a imagem do
agronegócio e reforçando a atuação dos adidos agrícolas em mercados
estratégicos, além de ampliar as missões comerciais.
Reafirmamos nosso compromisso em fortalecer a pecuária sustentável. Vamos
dar sequência ao ousado programa de recuperação de pastagens degradadas,
ampliando a eficiência produtiva e a sustentabilidade da pecuária. Continuaremos
apoiando o melhoramento genético do rebanho e a nutrição animal de precisão
para reduzir o ciclo de abate e as emissões de gases de efeito estufa por quilo de
carne produzida. Os produtores serão apoiados na implementação de sistemas
de rastreabilidade individual do rebanho, do nascimento ao abate, para atender
às exigências dos mercados internacionais.
Devemos acelerar a modernização da agricultura e da pecuária sustentáveis. A
Embrapa será fortalecida para consolidar a liderança do Brasil em tecnologia
agropecuária tropical, com investimentos em biotecnologia, edição genômica e
cultivares mais resistentes a pragas e secas. Fomentaremos a expansão da
conectividade no mundo rural, para elevar a produtividade e facilitar a gestão
das propriedades.
63
Continuaremos ampliando e fortalecendo a produção de biocombustíveis, como
etanol de milho e cana, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF).
Fomentaremos o aproveitamento de subprodutos da agroindústria para a geração
de bioenergia e biogás, fortalecendo a bioeconomia e a integração sustentável
entre a produção de alimentos, fibras e energia.
Os conflitos internacionais evidenciaram a importância da autossuficiência em
fertilizantes. Por isso a Petrobras retomou a produção com 3 unidades em
Sergipe, Bahia, Paraná e as obras da unidade do Mato Grosso do Sul foram
reiniciadas. No próximo governo, seguiremos acelerando a produção nacional de
fertilizantes.
Queremos um país que garanta segurança alimentar, fortaleça sua produção
agropecuária e agroindustrial, agregue valor às exportações, preserve o meio
ambiente e assegure alimentos de qualidade a preços acessíveis. Um Brasil
competitivo, inovador e sustentável, capaz de produzir riqueza, combater a fome
e ampliar sua presença nos mercados internacionais.
10. Ampliar a Segurança Energética e liderar a transição para uma economia
de baixo carbono
Neste governo, fortalecemos a governança integrada do setor energético,
ampliando a coordenação das políticas de energia elétrica, petróleo, gás,
biocombustíveis e hidrogênio verde em torno de uma estratégia nacional coerente
de longo prazo em direção à transição energética justa.
Criamos a Política Nacional de Transição Energética (PNTE) para orientar a
transformação da matriz energética rumo a uma estrutura que combine oferta
estável, redução de emissões e desenvolvimento econômico e socioambiental.
O governo avançou na modernização do setor elétrico, conciliando expansão da
infraestrutura, segurança energética, competitividade e modicidade tarifária.
Houve forte expansão das fontes solar e eólica na geração elétrica. Retomou os
investimentos em petróleo e gás. Fortaleceu o papel do gás natural e do
biometano e estimulou fortemente a produção e o desenvolvimento de
biocombustíveis rumo à necessária transição energética justa.
64
PROGRAMA DE GOVERNO
A carteira do Novo PAC reúne R$ 595 bilhões em investimentos em geração e
transmissão de energia elétrica petróleo, gás, fertilizantes, indústria naval e refino.
Esses investimentos contribuem para segurança energética, para reduzir a
dependência externa de combustíveis e fertilizantes e para acelerar o crescimento
econômico, reduzir pressões inflacionárias num cenário geopolítico conturbado e
gerar empregos qualificados.
No próximo mandato, continuaremos atuando para, em simultâneo, assegurar
segurança energética, avançar na transição energética justa e combater a pobreza
energética. Com planejamento e coordenação estratégica, o Brasil garantirá a
energia necessária a seu desenvolvimento.
Daremos sequência à estratégia de incrementar a participação de fontes
renováveis, ampliar os investimentos em armazenamento e flexibilidade do
sistema elétrico, e acelerar a substituição progressiva de combustíveis fósseis por
biocombustíveis e combustíveis de baixa intensidade de carbono, incluindo
derivados de hidrogênio.
A transição energética permitirá avançar no programa de neoindustrialização do
País, agregando valor às cadeias de baterias e armazenamento, hidrogênio de
baixa emissão, petroquímica verde, bioprodutos, fertilizantes e reatores nucleares
modulares. Assim como, continuaremos fomentando a descarbonização do
transporte público coletivo com eletrificação de frotas de ônibus e a expansão de
trens e metrô.
No segmento de geração de energia elétrica, o Novo PAC impulsionou uma
expansão sem precedentes da capacidade instalada do país, com a incorporação
de 31.289 MW ao sistema elétrico nacional, volume equivalente a aproximadamente
duas usinas de Itaipu. Na transmissão de energia estamos promovendo a maior
expansão da rede elétrica brasileira das últimas décadas, mais do que o dobro
verificado entre 2019 e 2022
O avanço foi liderado pelas fontes renováveis, que responderam por 80% da nova
capacidade instalada, consolidando a posição do Brasil como uma das economias
mais limpas do mundo, com 89% de participação de fontes renováveis na matriz
elétrica, frente a 31% na OCDE.
65
Os projetos de transmissão já contratados somam 21.847 quilômetros, o que
ampliará em 18% a malha nacional, reforçando a segurança energética e a
integração do território brasileiro. Entre as obras mais emblemáticas destaca-se a
Linha de Transmissão Graça Aranha (MA) – Silvânia (GO), um dos maiores projetos
de transmissão em execução no mundo. Também merece destaque a conclusão
da Linha de Transmissão Manaus–Boa Vista, que integrou Roraima ao Sistema
Interligado Nacional, eliminando uma vulnerabilidade histórica do abastecimento
elétrico da região.
O combate à pobreza energética se deu por meio do Luz do Povo, que reviu a
política de Tarifa Social de energia, e ampliou a gratuidade da conta de luz para
famílias do Cadastro Único com consumo até 80 kWh/mês, com alcance de mais
de 60 milhões de pessoas.
O Luz para Todos foi recolocado como política de combate à pobreza energética,
com foco em áreas rurais e Amazônia Legal, usando fontes limpas e renováveis.
A promoção da resiliência do sistema energético frente às mudanças climáticas
constitui prioridade estratégica, exigindo a incorporação de riscos climáticos
como variável obrigatória no planejamento. Será fundamental expandir de forma
coordenada e integrada a transmissão, a geração e o desenvolvimento regional,
incentivando o aumento da demanda industrial em outras regiões de modo a
reduzir restrições operativas e aumentar o aproveitamento dos recursos
renováveis.
Vamos seguir expandindo a geração hidrelétrica por critérios socioambientais, de
segurança energética e flexibilidade do sistema à integração das renováveis e
acelerar a redução da produção de carvão. No caso das hidrelétricas, seguiremos
buscando soluções para a repotenciação do parque existente.
Daremos continuidade aos leilões de transmissão e vamos abrir uma nova
fronteira de investimentos em baterias para melhorar a oferta de energia e a
robustez do sistema.
Um debate importante a ser promovido no próximo período refere-se ao
barateamento da energia elétrica para os consumidores residenciais e as
66
PROGRAMA DE GOVERNO
empresas, buscando garantir justiça tarifária e a preservar a sustentabilidade
econômico-financeira do setor.
O governo Lula III retomou os investimentos em petróleo e gás. A Petrobras tem
batido sucessivos recordes de produção de petróleo e voltou a investir em refino
e derivados, em gás e fertilizantes, ampliando suas encomendas às indústrias
naval e petroquímica.
No final de 2025 o país alcançou o recorde de 4.897 milhões de barris de óleo
equivalente por dia e os investimentos da Petrobras cresceram 79% no triênio
2023–2025 em relação a 2019–2021.
A retomada também alcançou a indústria naval, com encomenda de 96
embarcações somente pela Petrobras, 71 delas a serem construídas no Brasil. A
indústria naval registrou 70.725 empregos em 2026, o que significa criação de
mais de 47 mil empregos desde o final 2022, retornando ao pico atingido pelo
setor em 2013.
Com o Gás do Povo, o governo substituiu e ampliou o antigo Auxílio Gás,
oferecendo recarga gratuita do botijão de GLP de 13 kg para famílias de baixa
renda. O programa atende mais de 15 milhões de famílias, cerca de 50 milhões de
pessoas.
A nova política de preços da Petrobras, combinada com a ação de subvenções
governamentais, diminuiu a volatilidade dos preços do diesel, da gasolina e do
GLP e teve um papel importante para não repassar os preços internacionais para
o mercado doméstico, especialmente no período da Guerra do Estreito de Ormuz.
Continuaremos a atuar para mitigar a volatilidade dos preços internacionais,
garantindo que os brasileiros não fiquem expostos a choques externos.
O papel do gás natural e do biometano, como fontes complementares às energias
renováveis, continuará sendo estimulado, ampliando a segurança energética, a
flexibilidade do sistema elétrico e a competitividade da economia brasileira.
A infraestrutura de gás natural continuará sendo expandida e integrada para
67
ampliar a oferta, interiorizar as malhas de transporte e distribuição e fortalecer a
integração gasífera sul-americana.
Entendemos que a Petrobras continuará ampliando investimentos em exploração
onshore e offshore, para recuperar participação no controle de reservas nacionais,
e deverá expandir investimentos em revitalização de campos maduros. As novas
reservas serão exploradas com cuidados socioambientais ainda maiores e visão
estratégica. A Petrobras deverá retornar ao segmento de distribuição de
combustíveis, expandindo sua capacidade de refino e ampliando a atuação da
Transpetro para logística de GNL.
Defendemos ainda que a Petrobras continue também a orientar para a transição
energética, alinhados ao Acordo de Paris e NDC brasileira, com investimentos em
fontes de baixo carbono e redução efetiva de emissões operacionais. Vamos
readequar o marco legal do REPETRO às necessidades de descarbonização.
Asseguraremos que os investimentos da Petrobras continuem estimulando a
indústria naval, com reafirmação de regras de conteúdo local.
O setor de biocombustíveis avançou para uma nova fase no Brasil, com
financiamento de mais de R$ 13 bilhões entre 2023 e 2025, o que representa mais
de 200% comparado ao governo anterior. O fato de o Brasil ter cada vez mais
biocombustível sendo produzido de forma sustentável tem tornado o país o
grande hub de desenvolvimento de motores flex, híbrido flex do setor automotivo
no mundo. Várias empresas têm transferido seus centros de pesquisa e
desenvolvimento para o Brasil.
A Lei do Combustível do Futuro criou condições para ampliar a presença do
etanol, biodiesel, biometano, SAF, diesel verde, combustíveis sintéticos e captura/
armazenamento de carbono. O Marco Legal do Hidrogênio de Baixa Emissão de
Carbono instituiu a política nacional, Rehidro e PHBC, com diretrizes de
neutralidade tecnológica, segurança jurídica, financiamento, inovação para a
inserção competitiva do hidrogênio na matriz brasileira. O Marco Legal das
Eólicas Offshore criou regras para cessão de uso de áreas da União e exploração
de energia eólica no mar.
68
PROGRAMA DE GOVERNO
Além disso, o mandato de mistur a obrigatória de biocombustíveis foi ampliado
de 27% para 32% de etanol na gasolina (E32) e de 10% para 15% de biodiesel no
diesel (B15), fortalecendo a demanda por biocombustíveis, tornando o Brasil
referência na descarbonização dos transportes e ampliando a segurança
energética do país.
A carteira do Novo PAC também atesta essa evolução ao incluir 8 plantas de
etanol de segunda geração e as 2 primeiras biorrefinarias voltadas para produção
de SAF do Brasil, além de biometano, de diesel coprocessado, captura e
armazenamento de carbono, estudos em hidrogênio e outras tecnologias de
transição energética.
A Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) continuará sendo aprimorada,
incorporando diretrizes para desenvolvimento de 2ª e 3ª geração, bem como seus
encadeamentos com a indústria nacional. A participação da Petrobras em
biocombustíveis, de forma integrada à Petrobras Biocombustíveis (Pbio), será
fortalecida.
Também daremos sequência aos esforços de desenvolvimento tecnológico e
expansão dos combustíveis sustentáveis (SAF, biometano e combustíveis
marítimos), acelerando a implementação de políticas de descarbonização
Diante do papel crescente da biomassa em nossa matriz energética, será preciso
avançar em políticas bioenergéticas integradas para as cadeias produtivas de
grãos e proteínas, considerando também seus impactos sobre o uso do solo, da
água e dos fertilizantes.
A competência nuclear brasileira, como política de Estado, será preservada para
uso exclusivamente pacífico, valorizando sua base científica, tecnológica e
industrial e suas aplicações em energia, saúde, pesquisa, indústria e segurança
radiológica. Avançaremos na autonomia do ciclo do combustível nuclear e
aproveitaremos de forma responsável as reservas nacionais de urânio, sempre
condicionado à viabilidade técnica, econômica, ambiental e social.
O novo Brasil que queremos construir avançará, ao mesmo tempo, na segurança
energética e na transição energética, somando as vantagens de ambas para
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fortalecer nossas matrizes elétrica e de combustíveis, combater a pobreza
energética, impulsionar o desenvolvimento nacional e ampliar a soberania do
país.
11. Promover a Sustentabilidade Ambiental e Climática
No atual mandato, retomamos os instrumentos de colaboração federativa
necessários à efetiva implementação da política ambiental. Criamos o Programa
União com Municípios, para apoiar a atuação dos municípios no combate ao
desmatamento, com foco naqueles que registravam as maiores taxas de
desmatamento.
Aprovamos a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo e mobilizamos mais
de meio bilhão de reais do Fundo Amazônia para fortalecer a capacidade
operacional dos Estados. Incorporamos mais 308 mil hectares às unidades de
conservação. Há 3,4 milhões de hectares em processo de restauração florestal e
fizemos concessões florestais em um total de 1,6 milhão de hectares.
Construímos o portfólio mais robusto de políticas de proteção animal da história
recente do Brasil. Criamos, em 2023, o inédito Departamento de Proteção, Defesa
e Direitos Animais, hoje vinculado à Secretaria Nacional de Biodiversidade,
Florestas e Direitos Animais. Sancionamos a Lei do RG Animal e lançamos o
ProPatinhas, com meta de mais de 675 mil castrações até o fim de 2026, um
crescimento de 3.450% em relação ao governo anterior. Lançamos também o
SinPatinhas, que já identificou mais de 1,1 milhão de cães e gatos em 97% dos
municípios brasileiros. Em 2026, sancionamos a Lei AMAR, voltada à proteção de
animais em emergências e desastres, editamos o decreto “Justiça por Orelha”,
que elevou as multas por maus-tratos a até R$ 1 milhão.
No campo da mudança climática, o Brasil voltou a planejar com ambição e base
institucional. A nova NDC, entregue em Baku durante a COP29, estabeleceu uma
meta de redução de 59% a 67% das emissões líquidas de gases de efeito estufa
até 2035, em relação a 2005. O Plano Clima passou a orientar a política climática
brasileira até 2035, com 8 planos de mitigação, 16 planos de adaptação e 5
estratégias transversais para ação climática. O AdaptaCidades lançou estratégia
para 581 cidades, alcançando mais de 50 milhões de pessoas. Ainda em 2024, o
70
PROGRAMA DE GOVERNO
país aprovou e submeteu à ONU seu Primeiro Relatório Nacional Bienal de
Transparência. Promovemos uma das principais reformas da política climática
nacional ao instituir o mercado regulado de carbono, com a lei que criou o
Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
Na COP30, o Brasil assumiu a liderança pelo exemplo. O Pacote de Belém reuniu
29 decisões aprovadas por consenso, incluindo avanços em transição justa,
financiamento da adaptação, comércio, gênero e tecnologia. O Roteiro Baku–
Belém definiu a missão de US$ 1,3 trilhão para financiamento climático. O Balanço
Ético Global – iniciativa liderada pelo Presidente Lula e pelo Secretário-Geral das
Nações Unidas, António Guterres – mobilizou 128 lideranças nos seis continentes
e atores sociais em 49 países.
No financiamento climático, houve grande mudança de escala. O Fundo Clima e
o Eco Invest mobilizaram R$ 179 bilhões desde 2023. Só o Fundo Clima, que saiu
de uma média anual de R$ 400 milhões até 2022, mobilizou R$ 52,4 bilhões
desde 2023 e R$ 34,6 bilhões apenas em 2025. A esses se somam o Fundo
Amazônia, a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e o Fundo Florestas
Tropicais para Sempre, que juntos contam com cerca de R$ 350 bilhões, motor
para viabilizarmos um novo ciclo de prosperidade que combina conservação e
desenvolvimento sustentável. O TFFF lançado na COP30, em Belém, consagrou a
liderança do Brasil na construção de soluções multilaterais para desafios globais.
A transformação ecológica é uma oportunidade histórica do Brasil no século XXI.
Não é um custo a pagar, é um caminho para desenvolver o país.
No próximo mandato, continuaremos trabalhando para alcançar o desmatamento
líquido zero até 2030, meta que reafirmamos. Para isto, todas as instâncias do
governo persistirão atuando de forma integrada na implementação dos planos
de controle e prevenção do desmatamento e na implementação plena do Plano
Nacional de Manejo Integrado do Fogo. Continuaremos mobilizando políticas
para assegurar a efetividade do Código Florestal e da Lei da Mata Atlântica.
Vamos avançar na destinação das terras públicas para unidades de conservação,
territórios indígenas e quilombolas ou assentamentos, e reforçar a regularização
fundiária.
71
Vamos contribuir, no contexto internacional, para implementar o mapa do
caminho para eliminação global do desmatamento, articulando instrumentos
nacionais com compromissos internacionais.
Articularemos as políticas e mobilizaremos todos os atores governamentais,
privados e da sociedade civil para que cumpramos a nossa nova NDC.
Continuaremos acompanhando e participando do debate internacional sobre a
construção de um mapa do caminho global para longe dos combustíveis fósseis,
preservando soberania e segurança energéticas, responsabilidade ambiental e
social e previsibilidade regulatória.
Seguiremos ampliando os instrumentos necessários para o financiamento
climático. O Fundo Clima e o Eco Invest continuarão a ser instrumentos
fundamentais para o financiar a descarbonização da economia. O Fundo Florestas
Tropicais para Sempre implementará suas estruturas de governança para que os
investimentos possam começar a ocorrer.
Entendemos que o fortalecimento de arranjos regionais de planejamento e
governança, envolvendo União, estados, municípios, consórcios públicos,
universidades, instituições financeiras e setor produtivo, permitirá acelerar a
implementação de políticas climáticas, compartilhar capacidades técnicas,
estruturar projetos de escala regional e ampliar a eficiência dos investimentos
públicos.
Vamos seguir fortalecendo instrumentos e equipamentos que assegurem a
preservação de nossa biodiversidade, sem abdicar de seu potencial para o
desenvolvimento do país. Incentivaremos a criação de Reservas Particulares do
Patrimônio Natural (RPPNs) e buscaremos avançar em uma política de valorização
dos 75 parques nacionais, integrando conservação ambiental, turismo sustentável,
desenvolvimento regional e educação ambiental.
A proteção ambiental continuará caminhando ao lado da defesa dos direitos
animais. Vamos ampliar o ProPatinhas, fortalecendo as caravanas de castração, e
dar continuidade ao SinPatinhas, cadastro nacional de cães e gatos. Por meio da
retomada da participação social, criamos a Conferência Nacional de Direitos dos
Animais, espaço permanente de diálogo federativo para orientar as políticas do
72
PROGRAMA DE GOVERNO
setor, com nova edição prevista para 2028. Seguiremos fortalecendo o combate
aos maus-tratos, com penas que assegurem que essas práticas não se repitam,
avançando nesta agenda com prioridade e participação social.
Vamos aprimorar a implementação de programas de Pagamento por Serviços
Ambientais (PSA) voltados à biodiversidade e reconhecer legalmente a
restauração biocultural como estratégia de Estado, distinta e complementar à
restauração florestal convencional.
No próximo mandato, avançaremos na inclusão da Caatinga como ativo
estratégico para a adaptação às mudanças do clima e para a mitigação das
emissões de gases de efeito estufa. O governo deverá continuar estruturando
mecanismos permanentes de financiamento climático para o Semiárido brasileiro,
reconhecendo que adaptação climática, combate à desertificação e restauração
ecológica constituem investimentos estratégicos para o desenvolvimento
nacional.
Seguiremos fortalecendo e aprimorando as ações de fiscalização. Buscaremos
dialogar com o setor produtivo nacional para estabelecer mecanismos de
rastreabilidade e devida diligência nas cadeias produtivas. Vamos expandir
monitoramento satelital e uso de inteligência artificial no combate a crimes
ambientais.
O Novo PAC retomou os investimentos de segurança hídrica, investindo R$ 15
bilhões em obras complementares da transposição do São Francisco e em 2.800
km de canais e adutoras, 2,2 milhões de m³ em novos reservatórios, recuperação
de 162 barragens e construção de 172,4 mil cisternas.
Frente aos riscos associados às mudanças climáticas, vamos avançar nos
investimentos para revitalizar as bacias hidrográficas e ampliar as infraestruturas
para Segurança hídrica, garantindo água de qualidade para beber e produzir e
proteção contra cheias e enchentes
Continuaremos a ampliar o investimento em políticas de prevenção e redução de
riscos de desastres. Institucionalizaremos a adaptação climática como eixo
73
permanente do planejamento público, assegurando continuidade e fortalecimento
do Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima e estimulando a criação de
planos estaduais e municipais de enfrentamento ao calor extremo e fortalecimento
da capacidade de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos. Com base
nas experiências de enfrentamento dos impactos sobre a sociedade de desastres
climáticos, como foi o caso do Rio Grande do Sul, construímos protocolos de
oferta de políticas de proteção à população afetada ou deslocada que serão
continuamente aprimorados.
Avançaremos na agenda ecológica com a mobilização de financiamento, inovação
tecnológica e cooperação entre governos, setor privado e sociedade civil para
transformar os desafios ambientais e climáticos em oportunidades de
desenvolvimento sustentável, consolidando o Brasil como uma referência global
na construção de um futuro mais justo, resiliente e ambientalmente responsável.
12. Valorizar o Trabalho em suas Múltiplas Formas
O novo mandato do Presidente Lula continuará construindo um país que valorize
o trabalho em todas as suas formas, assegure direitos às trabalhadoras e aos
trabalhadores, prepare as pessoas para as transformações tecnológicas e
fortaleça o empreendedorismo, o cooperativismo e a economia solidária. Um
Brasil capaz de combinar inovação, produtividade, proteção social e geração de
oportunidades, colocando o trabalho no centro do desenvolvimento nacional.
No atual mandato, a retomada do crescimento, do investimento em infraestrutura,
da política industrial e a oferta de linhas de crédito adequadas aos vários perfis e
segmentos produtivos recolocaram o emprego em trajetória de expansão. O
Brasil chegou às mais baixas taxas de desemprego da história e gerou 8,0 milhões
de empregos entre 2023 e junho de 2026. Com a retomada da política de
valorização do salário-mínimo, asseguramos aumento real para o piso de
remuneração todos os anos, permitindo a recuperação de seu poder de compra e
impulsionando os rendimentos do trabalho, que chegaram aos maiores patamares
reais da história.
Os desafios para assegurar a valorização do trabalho decente, protegido,
74
PROGRAMA DE GOVERNO
produtivo, bem remunerado e socialmente reconhecido persistem. O Brasil
precisa continuar crescendo, e gerando oportunidades, precisa superar a
estratégia de competitividade com baixos salários e avançar para o
desenvolvimento sustentado pela inovação e difusão tecnológica, qualificação
profissional contínua, infraestrutura econômica e social, acesso ao crédito
produtivo, assistência técnica e aos mercados.
Por isto, o novo mandato de Lula dará continuidade à política de valorização do
salário mínimo como meio estratégico de distribuição de renda, combate à
pobreza e promoção do desenvolvimento econômico e social. Buscará ainda
integrar a oferta de crédito público, assistência técnica, incentivos fiscais e a
política de compras governamentais a compromissos com a geração de empregos
de qualidade.
Começamos a reconstruir o Sistema Público de Emprego, Trabalho, Renda,
objetivo que será fortalecido. Vamos integrar e ampliar as políticas de qualificação
profissional, reforçando sua articulação com os objetivos do desenvolvimento
econômico, novas competências e demandas do setor produtivo e do serviço
público. Vamos expandir, na rede SINE, a Plataforma Pública Nacional de
Empregabilidade com IA, para integrar vagas, cursos, certificações e serviços de
orientação profissional. Vamos buscar estimular ocupações sociais, criando
oportunidades de trabalho em atividades de interesse coletivo, socialmente úteis
como conservação ambiental, cultura, preservação do patrimônio, esporte e
economia do cuidado.
A ampliação da parcela de trabalhadoras e trabalhadores coberta pela proteção
trabalhista sempre foi um desafio no Brasil, aprofundado pela disseminação do
trabalho plataformizado e na economia digital. Aumentamos a proteção graças
ao crescimento do emprego formal, objetivo que continuará a ser perseguido,
mas almejamos novos avanços.
Vamos continuar combatendo a pejotização espúria, com fiscalização, regras que
inibam migrações fraudulentas, equiparando responsabilidades administrativas e
previdenciárias e fortalecendo a inspeção do trabalho.
Queremos consolidar um sistema de proteção aos trabalhadores na economia
75
digital e de plataformas, que normatize de forma adequada a atividade
empresarial e estabeleça as regras para definir a relação de trabalho, a
remuneração, condições de trabalho, proteções e direitos laborais e
previdenciários, transparência algorítmica. Buscaremos também implementar
políticas públicas para relação virtuosa entre tecnologia, inovação e trabalho e
proteção a categorias afetadas com requalificação e inserção ocupacional.
Manteremos nossa ação junto ao Senado Federal para assegurar o fim da escala
6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas, sem redução salarial, nos
termos aprovados na Câmara dos Deputados.
Vamos aprimorar a legislação trabalhista, alterando regras que induzem a
precarização das condições de trabalho, os marcos regressivos contidos na
legislação, as fraudes presentes em muitas terceirizações, e retomando assistência
sindical nas homologações de rescisão do contrato de trabalho.
Seguiremos com as políticas de inclusão produtiva das pessoas com deficiência,
privadas das oportunidades de trabalho em decorrência do capacitismo, e
fortalecer as políticas de erradicação do trabalho análogo ao escravo e do
trabalho infantil, em todas as suas formas e espaços de ocorrência, incluindo o
meio rural, urbano e as plataformas digitais.
Vamos avançar na efetiva equivalência remuneratória entre mulheres e homens,
fortalecendo a implementação da Lei de Igualdade Salarial, sancionada no atual
mandato do Presidente Lula. A execução dos Planos de Ação nas empresas com
desigualdades identificadas será tornada obrigatória, com metas progressivas de
redução das disparidades salariais e ampliação da presença de mulheres,
especialmente negras e pessoas com deficiência. Vamos continuar combatendo a
xenofobia, o capacitismo e as discriminações racial, étnica, LGBTQIAP+ e de
classe no acesso ao trabalho decente, com atenção especial ao acolhimento de
migrantes.
No atual mandato, recriamos a Secretaria Nacional de Economia Solidária,
aprovamos a Lei Paul Singer e iniciamos a reconstrução das políticas de fomento
a este segmento. Vamos fortalecer a Economia Popular e Solidária com prioridade
à inclusão produtiva de empreendedores populares, ocupações informais,
76
PROGRAMA DE GOVERNO
catadores, agricultores familiares e da cultura e economia do cuidado de base
comunitária e demais segmentos da economia popular. Vamos seguir com as
ações de constituição e fortalecimento de cooperativas populares; com a criação
de redes territoriais de produção e comercialização; o investimento e inovação
para agregação de valor e escala; a assistência técnica permanente, incubação de
empreendimentos econômicos solidários; o acesso ao crédito produtivo
orientado; e a integração aos sistemas de compras públicas.
Reconhecendo a importância do trabalho autônomo e do empreendedorismo no
Brasil, o atual mandato do Presidente Lula criou linhas de crédito com juros mais
baixos e garantia para os empreendedores individuais e para os micro e pequenos
negócios. Criou o Contrata+ Brasil, plataforma que permite a estes trabalhadores
participarem do mercado de compras públicas. Elevou a faixa de faturamento
para o MEI e criou linhas de crédito para que trabalhadores de transporte por
aplicativos consigam adquirir veículos e motos.
Vamos ampliar e aprimorar políticas para os trabalhadores autônomos e pequenos
empreendedores, com acesso ao crédito produtivo, programas de qualificação e
assistência técnica, apoio à inovação na agregação de valor, produção e escala e
planos de comercialização, inclusão digital, simplificação tributária, além da
cobertura da proteção social, especialmente em relação à previdência, à proteção
diante de acidentes, doenças e períodos de interrupção da atividade laboral em
garantia da estabilidade, produtividade e segurança econômica.
Reafirmamos nosso compromisso com o fortalecimento da negociação coletiva e
com a atualização do sistema sindical de representação coletiva de interesse.
Vamos continuar fomentando o diálogo social e estimular a contratação coletiva
em diferentes âmbitos (local, regional, setorial, cadeia produtiva, temático e
nacional), desenvolver políticas e ferramentas que apoiem a negociação coletiva
(formação, documentação, mediação e arbitragem, entre outros) e regras que
favoreçam o processo negocial.
Vamos implementar a regulamentação do direito de negociação coletiva no setor
público e apoiar um processo de atualização sindical que democratize o sistema
77
de relações de trabalho no setor público e no setor privado, urbano e rural.
Estamos comprometidos com o fortalecimento e a ampliação do acesso à
Previdência Social, garantidora de direitos e proteção de renda. Com a política de
valorização do salário-mínimo, elevamos o poder de compra de aposentados e
pensionistas. Estamos enfrentando as filas do INSS, e diminuindo o tempo de
espera por benefícios. Estamos trabalhando para voltar à situação em que,
quando completava os requisitos, o trabalhador recebia uma carta, em casa,
avisando de seus direitos. O golpe contra a Presidenta Dilma e a reforma
previdenciária do governo Bolsonaro promoveram uma desorganização que
ainda estamos enfrentando.
Estamos seguros de que, no próximo mandato, concluiremos o processo de
modernização e aprimoramento da prestação dos serviços previdenciários.
Vamos continuar, em diálogo com a sociedade, a aprimorar a política de acesso e
buscar reestruturar a base de financiamento da Previdência, buscando a
diversidade das fontes de custeio. Queremos construir mecanismos contributivos
mais flexíveis, capazes de acompanhar trajetórias ocupacionais descontínuas e
múltiplas, permitindo que a pessoa que trabalha mantenha sua proteção ao longo
de toda a vida laboral.
Buscaremos inserir na regulação do trabalho mediado por plataforma o
financiamento da previdência social e a cobertura adequada para aposentadoria,
incapacidade temporária, acidentes, maternidade ou demais contingências
sociais.
Queremos um país em que o trabalho seja mais digno, a jornada mais humana, o
empreendedorismo mais qualificado e a produtividade mais alta — não à custa
da exaustão das pessoas, mas a serviço do desenvolvimento com justiça social.
13. Defender a soberania nacional e o protagonismo internacional do Brasil
O mundo contemporâneo vivencia o ressurgimento do unilateralismo, do
protecionismo e de conflitos sem precedentes desde a Segunda Guerra Mundial.
Em um cenário de tensões geopolíticas crescentes e quebras das regras de
convivência internacional, o Brasil deve reafirmar sua soberania e preservar sua
78
PROGRAMA DE GOVERNO
capacidade de fazer escolhas políticas e econômicas de forma independente, à
luz de seus interesses, sem qualquer tipo de subordinação estratégica
Neste cenário, política externa e defesa nacional são dimensões complementares
de uma mesma estratégia voltada à proteção dos interesses do Brasil.
Não há projeção internacional soberana sem capacidade de defesa. Defendemos
uma política de defesa baseada na autonomia estratégica, na inovação
tecnológica, na integração entre defesa e desenvolvimento e na combinação
entre persuasão diplomática e capacidade de dissuasão, o que exige um
orçamento nacional consoante a essas necessidades e responsabilidades.
A defesa nacional exige Forças Armadas bem equipadas e uma indústria de
defesa sólida, capazes de proteger o território brasileiro e seus recursos naturais
diante de ameaças externas. Por isso, fortaleceremos a Base Industrial e
Tecnológica de Defesa, de modo a assegurar maior autonomia nacional nesse
campo e estimular inovações com impactos positivos sobre o conjunto da
economia. Sua importância é estratégica, por estar vinculada à produção de
equipamentos essenciais à defesa do país, mas também econômica, já que
envolve o domínio de tecnologias sensíveis, a geração de empregos de alta
qualificação e a ampliação de exportações de maior valor agregado.
Retomamos o investimento na capacitação tecnológica de nossas Forças
Armadas e o fortalecimento da política de defesa nacional. Aprovamos nova
legislação orçamentária que assegura previsibilidade e continuidade para os
investimentos em defesa, o que garante continuidade dos projetos e fortalece a
Base Industrial e Tecnológica de Defesa como vetor de inovação, geração de
empregos qualificados, exportações e neoindustrialização.
Com o Novo PAC, o Brasil tem alavancado fortemente os investimentos na área
de Defesa. Desde 2023 já foram executados R$ 20,4 bilhões em projetos
estratégicos. Entregamos 7 caças gripens-F-39, tendo sido produzida a primeira
aeronave em solo brasileiro este ano. Adquirimos 3 cargueiros KC-390 fabricados
no país. Estamos construindo 4 fragatas, a primeira já em operação. Produzimos
226 viaturas blindadas.
79
Reforçaremos a defesa cibernética, protegendo infraestruturas críticas e bases
de dados governamentais, desenvolvendo tecnologias próprias e reduzindo a
dependência externa em áreas estratégicas.
Fortaleceremos a Inteligência de Estado como instrumento de proteção da
soberania, da capacidade decisória e da segurança nacional diante de ameaças
geopolíticas, tecnológicas, cibernéticas e do crime organizado transnacional. A
atividade será exercida em caráter civil, subordinada ao Estado Democrático de
Direito, à neutralidade político-partidária, aos direitos fundamentais e ao controle
democrático, rejeitando seu uso para fins de perseguição política.
Protegeremos as fronteiras, a Amazônia e a Amazônia Azul. Fortaleceremos a
vigilância territorial, a proteção dos recursos naturais e o combate ao crime
organizado transnacional. As regiões de fronteira serão tratadas como espaços
estratégicos de integração e desenvolvimento, com maior presença do Estado,
infraestrutura, serviços públicos e cooperação com os países vizinhos.
O Brasil voltou a ser ouvido e respeitado no mundo. Restauramos políticas que
sempre nos diferenciaram, como o combate ao desmatamento na Amazônia, o
enfrentamento ao aquecimento global, a defesa e a proteção de refugiados, o
compromisso com a paz. Sediamos, com sucesso, eventos internacionais, como a
COP 30, a 17ª Cúpula dos BRICS, a 19ª Cúpula de Chefes de Estado do G20.
Propusemos a criação de mecanismos inovadores como a Aliança Global contra
a Fome e a Pobreza e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Nossa
diplomacia comercial permitiu abrir 656 novos mercados para os produtos
brasileiros e a conclusão de acordos do Mercosul com a União Europeia, EFTA e
Singapura. E o Brasil foi reinserido na rota do turismo internacional, com recordes
de estrangeiros vindo visitar nosso País.
Seguiremos reafirmando os princípios constitucionais que orientam a política
externa brasileira — independência nacional, prevalência dos direitos humanos,
autodeterminação dos povos, não-intervenção, igualdade entre os Estados,
defesa da paz, solução pacífica dos conflitos, repudio ao terrorismo e ao racismo,
cooperação entre os povos para o progresso da humanidade e concessão de asilo
político —, porque acreditamos em um país com autonomia para decidir seus
80
PROGRAMA DE GOVERNO
próprios rumos, livre de interferências externas e comprometido com a paz, a
cooperação e o direito internacional.
Na política externa, o Brasil deverá ser cada vez mais independente, ativo e
comprometido com a integração regional e com a afirmação da América do Sul e
do Caribe como zona de paz. A integração sul-americana é o primeiro círculo de
projeção estratégica do Brasil. Seguiremos aprofundando o Mercosul e os espaços
de integração regional, especialmente nas áreas de infraestrutura, defesa,
segurança pública, energia e saúde. Consolidaremos o Mercosul como principal
plataforma de integração econômica, produtiva, política e social da América do
Sul. Aprofundaremos a integração em infraestrutura, priorizando redes
multimodais, com destaque para as conexões com o Pacífico e o Caribe.
Promoveremos um mercado comum sul-americano de energia, com interconexões
e coordenação regulatória. Consolidaremos a Amazônia como eixo estratégico
da integração regional fortalecendo a Organização do Tratado de Cooperação
Amazônica (OTCA) na bioeconomia, na ciência, no financiamento verde e no
combate coordenado aos ilícitos transnacionais.
Manteremos uma política externa universalista e ampliaremos os esforços de
cooperação e negociação com todas as regiões do mundo, diversificando nossas
parcerias estratégicas. Investiremos em novos acordos comerciais e na abertura
de novos mercados para nossos bens e serviços, de modo a continuar enfrentando
agressões comerciais e a defender os interesses do país com base nas normas
internacionais e no multilateralismo.
Manteremos o empenho na construção de uma ordem mundial mais justa e
equilibrada, livre da lógica da submissão, das imposições unilaterais e dos
esquemas obsoletos de uma nova Guerra Fria. O Brasil defenderá relações
internacionais fundadas na reciprocidade, na cooperação pacífica e no respeito
entre as nações.
Aprofundaremos as relações com a África, reconhecendo sua crescente
importância na ordem internacional e os laços históricos e culturais que unem o
Brasil ao continente africano. Consolidaremos o Atlântico Sul como região de
paz, cooperação e desenvolvimento e fortaleceremos a Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa (CPLP). Promoveremos mecanismos permanentes de
81
cooperação com a União Africana e a Associação de Nações do Sudeste Asiático
(ASEAN).
Persistiremos na reaproximação com a Ásia, o Oriente Médio e a Europa regiões
com grande potencial para ampliar a cooperação política, econômica, tecnológica
e cultural.
Continuaremos engajados na reforma das Nações Unidas, especialmente do
Conselho de Segurança, para torná-lo mais democrático e representativo, com
maior participação dos países em desenvolvimento entre os membros
permanentes
Seguiremos advogando a reforma e fortalecimento da Organização Mundial do
Comércio, defendendo a retomada do mecanismo de solução de controvérsias, o
tratamento diferenciado para os países em desenvolvimento e a articulação entre
comércio, sustentabilidade e acesso a tecnologias verdes. Defenderemos a
reforma da arquitetura financeira internacional, com a democratização do FMI,
do Banco Mundial e dos bancos multilaterais e o fortalecimento do CAF, do Novo
Banco de Desenvolvimento (NDB) e dos mecanismos financeiros dos BRICS.
Aprofundaremos a aproximação geopolítica com o BRICS e com o Sul Global,
bem como com o G20, espaços fundamentais para a afirmação dos interesses da
maioria da humanidade.
Ampliaremos a Cooperação Sul-Sul em áreas nas quais o Brasil é referência
contribuindo para a redução das desigualdades globais.
Será necessário redobrado protagonismo diplomático brasileiro para acelerar o
cumprimento global dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em
seus anos finais de implementação e negociar uma nova agenda de
desenvolvimento sustentável pós-2030.
Serão prioridades de nossa ação externa a implementação da Aliança Global
contra a Fome e a Pobreza e o enfrentamento da emergência climática, inclusive
o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF).
Queremos liderar a construção de uma governança internacional para as
82
PROGRAMA DE GOVERNO
tecnologias digitais e a inteligência artificial, baseada na soberania digital com
proteção de dados, cooperação científica, transferência de tecnologias
estratégicas e regulamentação democrática das plataformas digitais e da IA.
Reforçaremos os compromissos internacionais do Brasil em matéria de direitos
humanos e igualdade de gênero e raça, trabalhando para evitar retrocessos na
garantia de direitos.
Valorizaremos e protegeremos as brasileiras e os brasileiros no exterior,
fortalecendo a assistência e a proteção consular, ampliando os mecanismos de
participação da diáspora e reconhecendo seu papel como elo cultural, econômico
e afetivo entre o Brasil e o mundo.
83
Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses
estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica.
Rejeitamos a visão daqueles que aceitam, com servilismo, a renúncia à soberania
nacional em nome de alinhamentos automáticos e ideologias fracassadas.
Defenderemos os interesses do Brasil e do povo brasileiro com firmeza,
responsabilidade e altivez. Para nós, soberania não é palavra de ocasião: é
princípio permanente e inegociável.
Lula encarna, como poucos, a defesa da soberania do Brasil e a esperança
teimosa de um povo que não abre mão de seu próprio destino.
PROGRAMA DE GOVERNO
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