PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA
POR UM BRASIL
SOBERANO E
SOCIALISTA
COM OS
lhadores
CONTRA O
sistema
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 01
O Brasil é um país rico, figurando entre as dez maiores economias do mundo segundo o
Fundo Monetário Internacional (FMI). Ao mesmo tempo, é um dos países mais desiguais
do planeta, com mais de dois terços da população recebendo até dois salários mínimos
segundo o IBGE. A vida real da classe trabalhadora e do povo pobre, assim, não reflete os
dados oficiais e o discurso do governo, de um suposto aumento da renda e baixa na
inflação. Ao contrário, o custo de vida só aumenta a cada dia. A inflação, principalmente
dos produtos mais básicos como os alimentos, corroi o poder de compra das famílias,
assim como o elevado preço dos aluguéis, inflacionado pela especulação imobiliária, ou a
alta na conta de luz, no esteio da privatização do setor elétrico no país.
Essa grande maioria da população, que custa a fazer com que os salários cheguem até o
final do mês, dependem de serviços públicos cada vez mais precários. Na Saúde, o SUS,
uma conquista da classe trabalhadora, sofre um verdadeiro processo de destruição. Filas
extensas, exames e agendamento com especialistas são hoje um verdadeiro calvário
para a grande maioria da população. O ensino público segue pelo mesmo caminho, da
educação básica às universidades públicas.
Como se não bastasse, a violência urbana vem se transformando num dos principais
problemas das famílias. Nas periferias e nos grandes centros urbanos, a violência policial
por meio, principalmente, da Polícia Militar, submete toda uma população a um estado de
exceção permanente, com execuções sumárias, chacinas e o encarceramento em massa,
sob a justificativa da “guerra às drogas”. Essa mesma população, muitas vezes, sobrevive
sob o domínio do crime organizado, transfigurado hoje em verdadeiras empresas
capitalistas que exploram e oprimem populações inteiras. No dia a dia, o trabalhador sai
de casa sem saber se vai voltar devido à criminalidade urbana.
Mas por que num país tão rico a imensa maioria do povo ganha tão pouco e vive cada vez
pior?
Ao contrário de um falso discurso inspirado e propagado pela extrema direita, não é
"preguiça" ou "falta de trabalhar" devido a políticas como o Bolsa Família, bastante
insuficiente por sinal. No Brasil, trabalha-se muito. Mais de 60% dos trabalhadores
formais se submetem à escala 6×1 e bem acima de 40 horas semanais (dados do Anuário
Estatístico do Ilaese-2025). Já os trabalhadores fora da formalidade, como os de
aplicativos, são obrigados a realizar jornadas muitas vezes acima disso, sem nenhuma
proteção social e ainda deixando boa parte da renda às grandes plataformas
estrangeiras, como a estadunidense Uber ou a chinesa 99. No Brasil, trabalha-se cada
vez mais para se viver cada vez pior.
O problema é que o Brasil é controlado por cerca de 250 grandes conglomerados
capitalistas, grande parte transnacionais, cujo único interesse é explorar ao máximo a
mão de obra do trabalhador brasileiro e nossos recursos naturais, como as cobiçadas
"terras raras". A riqueza produzida aqui, assim, não é reinvestida no país, muito menos se
COM OS TRABALHADORES
CONTRA O SISTEMA
POR UM BRASIL SOBERANO E SOCIALISTA
ELEIÇÕES 2026 transforma em melhorias para a população, como renda, direitos sociais ou serviços
públicos. Ao contrário, quanto mais avança e aprofunda essa exploração, mais o país se
empobrece, pois não há nenhum interesse em reindustrializar e desenvolver o Brasil e
garantir o que quer que seja aos trabalhadores.
O projeto das grandes potências capitalistas é, por meio de seus monopólios, sugar o
máximo das riquezas produzidas aqui. Nessa configuração, o país vai se convertendo
cada vez mais em uma grande plataforma de exportação de produtos primários, como
café, soja, minério de ferro e terras raras. São produtos que abastecem o mercado
internacional, e, lá fora, passam por processos de beneficiamento, enquanto aqui
continuamos cada vez mais dependentes de produtos industrializados, de alto valor
agregado.
Trata-se de uma política de uma verdadeira reversão colonial, que, nas últimas três
décadas, vem fazendo o Brasil regredir cada vez mais. Fora das cadeias de produção de
alto valor, resta ao Brasil o papel de fornecer as chamadas commodities ao mercado
externo. O que sobra para o país? Sem indústria de ponta, com um peso cada vez maior
do grande agronegócio e com uma economia desnacionalizada, dominada por grandes
monopólios estrangeiros, restam os empregos de baixos salários, precarizados, e uma
brutal superexploração. O resultado é um país, na prática, pobre que se degrada cada vez
mais.
A voracidade do capital internacional imperialista avança sobre as áreas estratégicas e os
serviços públicos. O setor elétrico é um forte exemplo disso, refletindo nas altas contas
de luz e em serviços cada vez piores. Até mesmo o saneamento básico está sendo
entregue aos grupos estrangeiros, num sentido inverso a diversos países da Europa que
hoje estão sendo obrigados a reverterem uma série de privatizações do setor de
saneamento.
Se neste projeto não cabem investimentos em industrialização, tampouco faz sentido
garantir educação, saúde, segurança e desenvolver pesquisa ou tecnologia. Essa é a
razão pela qual vemos o sucateamento de universidades, centros e agências de fomento.
O que o imperialismo deseja, seus governos aplicam e uma submissa burguesia nacional
apoia, é o aprofundamento de uma mão de obra cada vez mais barata, disciplinada, com
cada vez menos direitos e dependente do capital, ou seja das grandes empresas e
multinacionais, para garantir o mínimo de sobrevivência.
Não é por menos que, nos governos estaduais, sejam governadas pelo PT ou a extrema
direita, o que chamam de "segurança pública", na verdade, aparatos de repressão
policial, sejam priorizados como política pública. Porque isso não tem nada a ver com
garantir a segurança do trabalhador e das famílias brasileiras. Isso tem a ver com conter
e disciplinar, seja pelo encarceramento em massa, seja pelo genocídio da juventude,
principalmente negra e periférica, qualquer expressão de revolta ou descontentamento
social.
Se o Brasil sempre foi, nestes 526 anos de existência, marcado pela submissão, primeiro
à então metrópole portuguesa, e depois às grandes potências capitalistas, o que ensejou
uma desigualdade e dependência estrutural, hoje, essa subserviência, nos marcos de
uma crise capitalista mundial, continua se expressando de forma cada vez mais
dramática. Em praticamente todos os setores da sociedade. Dos baixos salários, à
superexploração, à degradação dos serviços públicos, retirada de direitos, entrega e
privatização e na violência urbana que afeta, sobretudo, as famílias da classe
trabalhadora. É um verdadeiro processo de retrocesso social que tem como raiz o
domínio de um pequeno grupo de monopólios e a subserviência às grandes potências
capitalistas.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 02
transforma em melhorias para a população, como renda, direitos sociais ou serviços
públicos. Ao contrário, quanto mais avança e aprofunda essa exploração, mais o país se
empobrece, pois não há nenhum interesse em reindustrializar e desenvolver o Brasil e
garantir o que quer que seja aos trabalhadores.
O projeto das grandes potências capitalistas é, por meio de seus monopólios, sugar o
máximo das riquezas produzidas aqui. Nessa configuração, o país vai se convertendo
cada vez mais em uma grande plataforma de exportação de produtos primários, como
café, soja, minério de ferro e terras raras. São produtos que abastecem o mercado
internacional, e, lá fora, passam por processos de beneficiamento, enquanto aqui
continuamos cada vez mais dependentes de produtos industrializados, de alto valor
agregado.
Trata-se de uma política de uma verdadeira reversão colonial, que, nas últimas três
décadas, vem fazendo o Brasil regredir cada vez mais. Fora das cadeias de produção de
alto valor, resta ao Brasil o papel de fornecer as chamadas commodities ao mercado
externo. O que sobra para o país? Sem indústria de ponta, com um peso cada vez maior
do grande agronegócio e com uma economia desnacionalizada, dominada por grandes
monopólios estrangeiros, restam os empregos de baixos salários, precarizados, e uma
brutal superexploração. O resultado é um país, na prática, pobre que se degrada cada vez
mais.
A voracidade do capital internacional imperialista avança sobre as áreas estratégicas e os
serviços públicos. O setor elétrico é um forte exemplo disso, refletindo nas altas contas
de luz e em serviços cada vez piores. Até mesmo o saneamento básico está sendo
entregue aos grupos estrangeiros, num sentido inverso a diversos países da Europa que
hoje estão sendo obrigados a reverterem uma série de privatizações do setor de
saneamento.
Se neste projeto não cabem investimentos em industrialização, tampouco faz sentido
garantir educação, saúde, segurança e desenvolver pesquisa ou tecnologia. Essa é a
razão pela qual vemos o sucateamento de universidades, centros e agências de fomento.
O que o imperialismo deseja, seus governos aplicam e uma submissa burguesia nacional
apoia, é o aprofundamento de uma mão de obra cada vez mais barata, disciplinada, com
cada vez menos direitos e dependente do capital, ou seja das grandes empresas e
multinacionais, para garantir o mínimo de sobrevivência.
Não é por menos que, nos governos estaduais, sejam governadas pelo PT ou a extrema
direita, o que chamam de "segurança pública", na verdade, aparatos de repressão
policial, sejam priorizados como política pública. Porque isso não tem nada a ver com
garantir a segurança do trabalhador e das famílias brasileiras. Isso tem a ver com conter
e disciplinar, seja pelo encarceramento em massa, seja pelo genocídio da juventude,
principalmente negra e periférica, qualquer expressão de revolta ou descontentamento
social.
Se o Brasil sempre foi, nestes 526 anos de existência, marcado pela submissão, primeiro
à então metrópole portuguesa, e depois às grandes potências capitalistas, o que ensejou
uma desigualdade e dependência estrutural, hoje, essa subserviência, nos marcos de
uma crise capitalista mundial, continua se expressando de forma cada vez mais
dramática. Em praticamente todos os setores da sociedade. Dos baixos salários, à
superexploração, à degradação dos serviços públicos, retirada de direitos, entrega e
privatização e na violência urbana que afeta, sobretudo, as famílias da classe
trabalhadora. É um verdadeiro processo de retrocesso social que tem como raiz o
domínio de um pequeno grupo de monopólios e a subserviência às grandes potências
capitalistas.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 03
Enfrentar os capitalistas e o
imperialismo em defesa da
soberania nacional
As candidaturas do PT, do centrão e da extrema direita prometem, de forma vaga,
melhorar a vida da população. Mas isso é simplesmente impossível mantendo o país
dominado pelo imperialismo. E enfrentar as grandes potências capitalistas é algo que não
vão fazer, seja porque não é seu projeto, seja porque são aliadas a uma burguesia
nacional que tem em seu DNA a submissão, e, como projeto, se perpetuar enquanto
sócia-menor do imperialismo, satisfazendo-se com as migalhas que caem da mesa dos
poderosos.
Os sucessivos ataques imperialistas de Trump à América Latina, que no Brasil se
concretizaram no tarifaço, apoiado na extrema direita bolsonarista, é um exemplo
inconteste disso. Mesmo os setores mais afetados com a taxação do governo dos EUA
suplicam para que não haja, por parte do governo Lula, qualquer retaliação ou política de
reciprocidade. Confirmam, assim, seu papel intrinsecamente subserviente aos mandos
de Trump e dos EUA. Uma burguesia covarde que prefere abrir mão da soberania de seu
próprio país para garantir seus centavos.
Isso significa que, se enfrentar o imperialismo é condição primordial para desatar os nós
que fazem o país retroceder cada vez mais, e abrir a possibilidade de um real
desenvolvimento do país, com uma reindustrialização que sirva à classe trabalhadora, é
a própria classe trabalhadora, e os setores mais oprimidos da sociedade que podem
encabeçar uma verdadeira luta anti-imperialista e conquistar a real soberania do Brasil.
ENQUANTO A EXTREMA DIREITA ARTICULA ATAQUE COM TRUMP,
PT NÃO É CONTRA O IMPERIALISMO
A candidatura de Flávio Bolsonaro, assim como as outras alternativas de extrema direita,
tem como projeto acelerar essa entrega do país. Flávio Bolsonaro, junto com sua família,
articulou o tarifaço contra o Brasil em Washington, pediu ajuda a Trump nas eleições e
chegou ao cúmulo de oferecer uma equipe de transição com o governo estadunidense
caso vença as eleições. Ou seja, numa ação sem precedentes, ofereceu entregar
formalmente a administração do Brasil a uma potência estrangeira imperialista. Ele não
quer só aprofundar a dominação imperialista no Brasil, mas passar formalmente a
administração do país às mãos do imperialismo.
Seu programa é, desta forma, a entrega do Brasil aos EUA, sem abrir mão de um projeto
autoritário que caracteriza o bolsonarismo.
Mas também é preciso dizer a verdade: o governo Lula não representa uma alternativa
para romper com esse sistema. Apesar do discurso social, governa em aliança com
grandes empresários, bancos, o grande agronegócio e centrão, mantendo a total
submissão do país à rapina imperialista. Mantém o arcabouço fiscal e a agiotagem
escandalosa do pagamento da dívida, preserva os lucros dos bilionários, concede
subsídios às multinacionais e submete o país às exigências do imperialismo. Administra,
assim, a crise do capitalismo brasileiro e a tremenda decadência do país sem enfrentar
suas causas estruturais.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 04
Enquanto o bolsonarismo promete entregar o Brasil aos EUA, o governo Lula negocia com
Trump, como na questão das terras raras, mas mantém um leque de possibilidades para
negociar nossas riquezas com outras potências, abrindo mão da soberania. Como o
decadente imperialismo europeu, como vimos recentemente com o acordo Mercosul e
União Europeia, em que o país acessa o mercado europeu com produtos primários, e se
abre aos automóveis e demais produtos de alto valor agregado de países como
Alemanha e França. Ou mesmo a China, uma potência em ascensão que avança sobre
parte cada vez maior de nossa economia.
NÃO É POSSÍVEL UMA REAL SOBERANIA SEM ROMPER COM O IMPERIALISMO
Não é possível falar em um país soberano sem problematizar uma ruptura com o
imperialismo, isto é, com os países dominantes na atual divisão internacional do trabalho.
Os Estados Unidos e os países europeus, que dominam a cadeia de produção com maior
valor agregado existente no Brasil, há décadas apenas extraem a riqueza produzida pela
classe trabalhadora brasileira sem realizar nenhum investimento de maior monta.
Parasitam nossos recursos e alimentam suas matrizes: eis a fuga de capitais que
constantemente desvaloriza nossa moeda, exigindo que se queimem os royalties do
petróleo e da mineração, bem como os excedentes do agronegócio e outros setores
exportadores em meras operações cambiais.
Tampouco a China é uma alternativa. O gigante asiático tem priorizado adquirir empresas
brasileiras em vez de construir novas, isto é, realizar a compra de ativos já existentes –
fusões e aquisições –, sobretudo em setores como energia, mineração e infraestrutura.
Nesses casos, o investimento estrangeiro entra no país apenas para trocar a propriedade
do capital: nem uma nova unidade produtiva é criada, nem um emprego adicional surge,
e a produção nacional não aumenta um só centavo. Mesmo quando novas instalações
são abertas, como no caso da BYD, grande parte da cadeia produtiva permanece na
China, cabendo ao Brasil apenas a etapa final de montagem. O resultado é que, à medida
que empresas chinesas substituem outras no mercado automobilístico brasileiro,
definham as empresas nacionais de autopeças, siderúrgicas e químicas que até então
abasteciam as montadoras instaladas no país.
Defender a soberania do Brasil, neste marco, significa garantir que as riquezas
produzidas no país permaneçam sob controle nacional e sejam direcionadas às
necessidades da população. Isso implica enfrentar os interesses do grande capital e dos
monopólios estratégicos, inclusive por meio da retomada e do controle de setores
fundamentais hoje privatizados.
É a classe trabalhadora, em toda sua diversidade atual, incluindo trabalhadores formais e
informais, de aplicativos, do campo e da cidade, o sujeito capaz de enfrentar o grande
capital, o imperialismo e a burguesia nacional a eles associada. Seus aliados são os
setores oprimidos, os povos indígenas, os camponeses, os pequenos proprietários e
todos aqueles que sofrem com essa estrutura de dominação.
O programa do PSTU, representado nestas eleições na candidatura de Hertz Dias à
Presidência, com Vanessa Portugal vice, aponta que o caminho para uma verdadeira
soberania, e desenvolvimento do país para atender as necessidades da classe
trabalhadora, não passa pela conciliação de classes, com a direita, o centrão ou o próprio
imperialismo. É sim o da organização, luta e da construção de instrumentos próprios da
classe trabalhadora. Só desta forma será possível romper com o ciclo de dominação e da
condição de colônia e semicolônia que, desde sempre, marcou a realidade brasileira.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 05
Estatização das empresas
estratégicas do país
Para prover serviços públicos gratuitos e de qualidade, como saúde, educação, moradia,
saneamento, bem como concentrar a riqueza apropriada pelos múltiplos capitais
individuais e direcioná-los para investimentos produtivos, é necessário expropriar as
empresas estratégicas que acumulam bilhões ou dezenas de bilhões de reais em setores
diretamente dependentes de recursos naturais como mineração, petróleo e energia.
São empresas como a Petrobras e a Vale, que distribuíram respectivamente uma média
de R$ 100 bilhões e R$ 30 bilhões em dividendos nos últimos quatro anos. É necessário
expropriar, ainda, setores estratégicos antes estatais, como a siderurgia e o de derivados
do petróleo. É necessário controlar o topo da hierarquia do agronegócio, hoje operado
por empresas estrangeiras ou grandes conglomerados brasileiros, como a JBS, os quais
direcionam, administram e orientam toda produção nacional ao mercado externo,
seguindo seus preços e cotações.
É necessário uma taxação fortemente progressiva sobre os lucros das empresas
bilionárias nos mais diversos ramos e, em particular, o controle da conta de capitais
continuamente evadidos para fora do país tanto por capitalistas nacionais quanto
estrangeiros: cerca de meio trilhão de reais anuais desde 2020. Ao lado disso, é
fundamental o controle do sistema financeiro e dos grandes bancos, de modo a canalizar
os recursos para o que realmente importa.
Sem interromper essa drenagem da riqueza nacional para fora do Brasil ou para títulos da
dívida pública, não há projeto nacional viável. Somente por meio de medidas que
coloquem em questão a propriedade do capital e o destino dos excedentes será possível
financiar um projeto nacional de desenvolvimento que assegure, de um lado, o
crescimento da riqueza produzida no país e, de outro, a permanência dessa riqueza no
próprio país.
Tecnologias que concentram décadas de conhecimento acumulado, como os
semicondutores, poderão ser adquiridas estrategicamente; já aquelas oriundas do
desenvolvimento técnico recente – como a inteligência artificial e suas aplicações em
plataformas de comércio, transporte e serviços – deverão ser desenvolvidas sob controle
do Estado, com a participação organizada dos trabalhadores que as produzem, dos
trabalhadores autônomos e das pequenas empresas que delas dependem. O vasto
acervo científico, técnico e cultural incorporado em seu treinamento deve ser
reconhecido, remunerando seus efetivos criadores. Conselhos formados por produtores,
usuários e detentores de direitos intelectuais devem definir seus critérios de
funcionamento, seus limites e suas finalidades, de modo que essas ferramentas sejam
estruturadas para servir a quem trabalha e utiliza, e não para submetê-los a mecanismos
automáticos voltados exclusivamente ao lucro de grandes empresas estrangeiras. Tais
ferramentas devem, de imediato, ser incorporadas de forma coordenada ao serviço
público e às empresas estatais, agora substancialmente ampliadas.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 06
Planejamento econômico e
pleno emprego
Não é possível falar em pleno emprego e renda sem vinculá-los a um conjunto de
profundas transformações. Emprego depende de um planejamento econômico que
articule produção e consumo, que direcione investimentos para setores capazes de
ampliar a base produtiva e que converta ganhos tecnológicos e de produtividade em
redução da jornada de trabalho – e, por consequência, em ampliação do número de
postos de trabalho.
Ao mesmo tempo, é necessário que a produção esteja voltada prioritariamente para o
mercado interno, de modo que a produção crescente se vincule ao consumo também
crescente dos trabalhadores, sem que um obstaculize o desenvolvimento do outro. Isso
apenas é possível com planejamento econômico. Não o mercado que impulsiona de
modo irracional a produção e a oferta, restringindo o poder de compra daqueles capazes
de consumir essa produção agora alargada. Nem o intervencionismo Estatal via mercado,
que procura alargar o consumo por meio de gastos estatais e tributação excessiva,
restringindo a capacidade de produção de capitalistas dispersos e alheios a qualquer
interesse nacional. O que é necessário é a vinculação da produção ao consumo, da
produção de riqueza às necessidades dos trabalhadores e da população.
Romper as engrenagens do sistema
Para mudar as condições de vida da classe trabalhadora e da grande maioria da
população, é necessário estancar e reverter o processo de degradação econômica e
social, a brutal desigualdade social, os baixos salários, a precarização e a exploração
crescentes, acabar com a escala 6×1 que rouba o tempo de vida de grande parte dos
trabalhadores; ter saúde, educação e serviços públicos de qualidade, é necessário
romper com as engrenagens de um sistema de exploração e opressão. Uma engrenagem
que funciona para manter as riquezas de 0,1% de bilionários aqui às custas do
empobrecimento do restante da população, do retrocesso semicolonial do país e da
destruição do meio ambiente, tendo como pano de fundo o aprofundamento da
submissão do país às potências capitalistas.
O programa da candidatura Hertz Dias e Vanessa Portugal, neste quadro, não é um
conjunto de promessas eleitorais. É, antes de tudo, um chamado à ação em torno a
medidas para mudar as condições de vida da classe trabalhadora e do povo pobre,
garantir soberania e libertar as amarras do Brasil das correntes que nos mantém
submissos ao imperialismo e presos a um ciclo de dominação que impossibilita qualquer
tipo de desenvolvimento nacional.
Não se trata de medidas isoladas, mas das reivindicações mais sentidas pela classe
trabalhadora, que, para serem atendidas, precisam avançar por medidas que questionem
a grande propriedade e o próprio sistema.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 07
Trabalho, melhores condições de vida,
serviços públicos, direitos,
meio ambiente, terra e segurança
PELO DIREITO À VIDA ALÉM DO TRABALHO
O trabalho é a principal fonte de riqueza da sociedade. Entretanto, milhões estão
desempregados, e a classe trabalhadora empregada continua enfrentando baixos
salários, jornadas excessivas, precarização das relações de trabalho e perda de direitos
conquistados ao longo de décadas de luta.
Os avanços tecnológicos e o aumento da produtividade poderiam proporcionar mais
tempo livre, pleno emprego e melhores condições de vida. Mas, sob a lógica do lucro e
da acumulação de capital, são utilizados para aumentar a exploração, o desemprego, a
jornada, a precarização do trabalho e rebaixar os salários.
Fim da escala 6×1 sem redução de salários e direitos, sem pejotização e sem
demissões
Redução da jornada de trabalho para 36 horas, sem redução dos salários e sem
flexibilização de direitos, rumo à escala móvel de horas de trabalho (pleno
emprego). Trabalhar menos para que todos trabalhem!
Aumento de 100% no salário mínimo, rumo ao salário mínimo necessário,
calculado pelo Dieese.
Bolsa equivalente a um salário mínimo para trabalhadores desempregados
enquanto não houver pleno emprego.
Plano nacional de obras públicas voltado à geração de empregos, universalização
do saneamento básico, construção de escolas, hospitais, creches, infraestrutura
ambiental, entre outras obras necessárias e respeitadoras do meio ambiente.
Revogação da reforma trabalhista
Revogação da lei das terceirizações. Fim da terceirização, salário igual para
trabalho igual e direitos para todos os trabalhadores. Incorporação dos
trabalhadores terceirizados no quadro efetivo do serviço público e realização de
concurso público para novas contratações.
Revogação da reforma da Previdência
Correção anual e atualização integral da tabela do Imposto de Renda para os
assalariados
Ao lutar por salário, jornada e direitos, os trabalhadores se deparam com os limites
impostos pelas empresas, pelo mercado e pela lógica do lucro, o que abre o caminho para
questionarmos quem controla a produção e a riqueza.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 08
TRABALHADORES DE APLICATIVOS E PLATAFORMAS
A expansão das plataformas digitais transformou completamente o mercado de trabalho.
Milhões de trabalhadores passaram a depender de aplicativos para obter renda. Os
aplicativos, porém, transferem todos os riscos da atividade econômica aos
trabalhadores, não há transparência em seus algoritmos e não há nenhum controle
público. Defendemos aqui as reivindicações atuais dos trabalhadores de aplicativos,
surgidas em suas lutas e no tópico seguinte fazemos uma proposta para que possamos
realmente garantir transparência nos algoritmos e melhores condições para os
trabalhadores de aplicativos.
Reconhecimento do vínculo empregatício
Garantia de todos os direitos: previdência, férias, 13º, descanso remunerado,
seguro contra acidentes, licença-maternidade e proteção social efetiva
Regulamentação sem direitos é fraude! Não ao PLP 152, que legaliza a
precarização!
Contra jornadas exaustivas! Piso salarial para carga horária mínima logada de 36
horas e remuneração mínima por corrida/entrega ou serviço prestado para
jornadas menores que 36 horas
Fiscalização pública das condições de trabalho nas plataformas digitais. Contra
as punições arbitrárias!
Transparência dos algoritmos, com obrigação das empresas a informarem sobre
os critérios de distribuição de corridas, bloqueios e remuneração, que devem ser
submetidos à fiscalização pública e ao controle dos trabalhadores.
PLATAFORMAS DIGITAIS PÚBLICAS E CONTROLADAS PELOS TRABALHADORES
A plataformização do trabalho fragmentou a classe trabalhadora, individualizou a
prestação dos serviços e transferiu para grandes monopólios internacionais o controle
das regras de remuneração, da distribuição das tarefas e da apropriação dos
excedentes. Motoristas, entregadores, trabalhadores de microtarefas, freelancers e
pequenos empreendimentos passaram a depender de sistemas cujo funcionamento lhes
é inteiramente ocultado.
É necessário transformar a própria base técnica hoje utilizada para a precarização em
instrumento de organização econômica sob controle dos que nela trabalham. Associadas
ao programa de soberania digital, as plataformas públicas devem constituir uma
alternativa superior, mais rentável e socialmente orientada do que as atualmente
existentes sob o monopólio de empresas privadas estrangeiras.
PELO CONTROLE DOS TRABALHADORES SOBRE AS PLATAFORMAS DIGITAIS
Criação de plataformas públicas nacionais de transporte, entrega, comércio
eletrônico, microtarefas e trabalho freelancer, financiadas com recursos das
empresas estratégicas expropriadas.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 09
Gestão dessas plataformas por conselhos de trabalhadores usuários,
responsáveis por deliberar sobre as regras de remuneração, funcionamento e
destino dos excedentes gerados pela plataforma.
Garantia de ganhos superiores à praticada pelas plataformas privadas
internacionais, assegurando maior estabilidade de renda aos trabalhadores.
Instituição de alternativas de contribuições públicas para previdência, férias
remuneradas, descanso semanal e fundo de garantia para essas modalidades de
trabalho, com adesão voluntária e proteção social progressiva aos trabalhadores
de plataforma.
Condições preferenciais para pequenos empreendimentos nacionais nas
plataformas públicas de comércio eletrônico.
Integração entre a plataforma pública de e-commerce e um plano nacional de
modernização dos Correios, transformando-os em eixo logístico estatal moderno
e tecnologicamente avançado com custos diferenciados para usuários
individuais ou pequenos empreendimentos.
Transparência integral dos algoritmos de distribuição de tarefas, avaliação e
remuneração, com auditoria permanente pelos conselhos de trabalhadores.
Proibição de bloqueios automáticos, punições algorítmicas opacas e alterações
unilaterais nas regras de remuneração e operação das plataformas.
Reinvestimento integral dos excedentes das plataformas públicas na melhoria
tecnológica, na ampliação da proteção social e na redução de tarifas para
trabalhadores e pequenos produtores.
Direitos, serviços públicos e
melhores condições de vida
SAÚDE, EDUCAÇÃO, MORADIA, TRANSPORTE PÚBLICO, APOSENTADORIA
Assim como no trabalho, na terra e no meio ambiente, a luta por serviços públicos de
qualidade leva a um confronto direto com a forma como a riqueza é apropriada e
distribuída na sociedade.
Os direitos sociais e os serviços públicos fazem parte das condições de vida da classe
trabalhadora. Não são áreas separadas, mas dimensões de uma mesma realidade:
determinam quanto custa viver, em que condições a população trabalha, se desloca, se
reproduz e envelhece.
São também o principal instrumento de garantia de direitos – e, por isso, um dos terrenos
centrais de disputa na sociedade.
Hoje, esses direitos são atacados por um modelo que transforma tudo em mercadoria. A
privatização, as Parcerias Público-Privadas (PPPs,) a precarização e o subfinanciamento
transferem recursos públicos para grandes empresas, enquanto a população paga mais
caro por serviços piores.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 10
A crise ambiental e urbana agrava esse cenário: enchentes, falta de saneamento,
aumento do custo de vida e expansão desordenada das cidades recaem diretamente
sobre os trabalhadores.
Por isso, a luta por direitos e serviços públicos de qualidade é também parte da disputa
sobre quem controla os recursos, o território e a organização da sociedade.
É resultado de um modelo que subordina tudo aos interesses do capital. Esse processo
não ocorre de forma isolada: ele está diretamente ligado à forma como os recursos
produzidos na sociedade são apropriados por grandes grupos econômicos.
RECONSTRUIR OS SERVIÇOS PÚBLICOS SOB CONTROLE OPERÁRIO E POPULAR
Para garantir esses direitos, é necessário enfrentar os interesses que controlam os
recursos e definir quem decide o destino do orçamento e do investimento público. É
preciso impedir a privatização destes serviços ou mesmo da gestão deles. A gestão deve
ser realizada pelos trabalhadores do serviço público sob controle dos trabalhadores
usuários, nos bairros e comunidades
SAÚDE
A crise do SUS expressa diretamente esse conflito: garantir saúde pública universal
implica enfrentar os mecanismos que drenam recursos e subordinam o sistema à lógica
privada.
Defesa do sus público, universal, gratuito e 100% estatal
Fim da privatização e da gestão privada da saúde (OS, Fundações e PPP)
Proibição da transferência de leitos públicos para planos privados
Ampliação do investimento público em saúde, com prioridade para a atenção
básica
Cuidado com a saúde mental: ampliação do investimento público nos Centros de
Atenção Psicossocial (Caps), no Serviço de Residências Terapêuticas e Centros
de Convivência. Nenhum investimento público em Comunidades Terapêuticas!
Contratação via concurso público e valorização dos trabalhadores da saúde
Produção pública de medicamentos e insumos estratégicos
Expansão da rede pública de hospitais, upas e Unidades Básicas de Saúde (UBS)
Integração entre saúde e saneamento, enfrentando doenças relacionadas à falta
de infraestrutura.
EDUCAÇÃO
Da mesma forma, garantir educação pública de qualidade exige romper com a lógica que
subordina a formação e o conhecimento às necessidades do mercado.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 11
Os grandes grupos empresariais da educação avançam hoje sobre a educação básica.
Por intermédio de institutos, fundações e movimentos como o Todos Pela Educação,
definem as políticas públicas e influenciam legislações que abrem espaço para diversos
mecanismos de apropriação das verbas públicas.
Cada vez mais se aprofunda a desigualdade educacional no país: enquanto os filhos dos
ricos têm acesso a escolas equipadas e a um ensino completo para aprender a mandar,
os filhos da classe trabalhadora estudam em escolas sem estrutura, com um currículo
cada vez mais simplificado para aprender a obedecer e se submeter ao trabalho precário.
Por isso, o projeto da burguesia para a juventude trabalhadora é a militarização e a
plataformização que condicione o aluno a uma realidade de opressão e exploração. O
nosso projeto de educação deve buscar transmitir o conhecimento socialmente
acumulado e voltado à produção social e coletiva na mão dos trabalhadores.
Nenhuma verba pública para os grandes empresários da educação!
Fim das Parcerias Público-Privadas (PPP), das terceirizações e da aquisição de
materiais e serviços dessas empresas pelas redes públicas de ensino
Revogação das propostas curriculares elaboradas pelos grandes empresários da
educação e fundações privadas (BNCC e Novo Ensino Médio). Por propostas
curriculares elaboradas pelos trabalhadores da educação.
Não à militarização das escolas e a projetos de controle ideológico, como Escola
Sem Partido!
Não à plataformização da educação! Por uma formação completa, crítica e
científica nas escolas públicas.
Valorização dos profissionais da educação, com carreira e salários dignos
Ampliação de vagas em creches, escolas e universidades públicas
Garantia de permanência estudantil (transporte, alimentação, bolsas)
Investimento massivo na educação pública.
Produção de conhecimento voltada às necessidades sociais, e não ao mercado
Por um sistema único de educação para todas as crianças e adolescentes. Abaixo
o abismo entre educação de ricos e pobres!
MORADIA
O Brasil precisa de uma revolução urbana. A questão da moradia revela de forma direta o
conflito entre o direito à vida e a lógica da propriedade privada e da especulação.
Enquanto milhões de trabalhadores vivem em moradias precárias ou comprometem
grande parte da sua renda com aluguel, enormes áreas urbanas permanecem
subutilizadas ou destinadas à especulação imobiliária.
Milhares de imóveis permanecem vazios ou abandonados nas regiões centrais, ao mesmo
tempo que a população trabalhadora é empurrada para as periferias, enquanto o capital se
apropriou das melhores áreas e transformou o espaço urbano em ativo financeiro.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 12
Os bancos e as grandes construtoras tratam a terra e a moradia como mercadoria e fonte
de lucro, quando a classe trabalhadora depende do território como condição de vida, de
moradia e de reprodução social.
O resultado são grandes cidades profundamente marcadas pela desigualdade,
segregação e violência, onde a maioria da nossa classe, negra, periférica e migrante, não
tem acesso a serviços básicos, como moradia, lazer, transporte, educação e saúde.
O direito à cidade e à moradia digna para todos só pode ser plenamente garantido com a
superação do capitalismo e a construção de uma sociedade na qual o território deixe de
ser mercadoria e passe a servir à vida.
Casa para morar, não para especular!
Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito!
Fim dos despejos de famílias sem alternativa habitacional
Construção massiva de moradias populares e infraestrutura por empresa pública
de obras
Urbanização das periferias e comunidades populares
Universalização do saneamento básico
Garantia de infraestrutura, transporte, educação e saúde nos bairros populares
Expropriação dos imóveis urbanos abandonados, ociosos ou destinados
exclusivamente à especulação imobiliária.
Plano diretor com garantia de acesso a serviços e direitos
IPTU progressivo com isenção para baixa renda
Participação popular no planejamento urbano, que deve ser decidido pelo povo
organizado.
TRANSPORTE PÚBLICO
O transporte público é um direito social e condição fundamental para o acesso ao
trabalho, à educação, à saúde, à cultura e ao lazer. Mas, ao articular território, trabalho e
acesso a direitos, mostra como a organização da cidade está subordinada ao lucro e não
às necessidades da população.
Avançam processos de privatização e concessão de metrôs, estradas e ferrovias,
aprofundando a mercantilização da mobilidade.
Hoje, setores empresariais passam a defender a tarifa zero como forma de ampliar
subsídios estatais, garantindo lucros sem assegurar qualidade, expansão da rede ou
condições dignas de trabalho. Nesse modelo, o Estado paga mais caro por um serviço
que permanece sob controle privado, enquanto a população segue enfrentando
superlotação, longas filas e deslocamentos exaustivos.
Defendemos outra lógica: transporte público, estatal, de qualidade e voltado às
necessidades da população, e não aos interesses das empresas.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 13
Tarifa zero no transporte público
Transporte público estatal, sob controle público e dos trabalhadores
Estatização dos sistemas de transporte urbano e reversão das concessões
privadas
Contra a privatização de metrôs, estradas e ferrovias
Fim dos subsídios públicos às empresas privadas de transporte
Ampliação e integração da rede (ônibus, metrô, trem)
Garantia de qualidade, manutenção adequada e ampliação do número de linhas
Redução do tempo de deslocamento da população trabalhadora
Prioridade para transporte coletivo sobre o individual
Condições dignas de trabalho para os trabalhadores do transporte
APOSENTADORIA
A aposentadoria é um direito construído ao longo de toda uma vida de trabalho. A
destruição da previdência expressa a tentativa de subordinar o direito à velhice digna aos
interesses do capital financeiro.
Revogação da reforma da Previdência
Defesa da previdência pública, solidária e universal
Garantia de aposentadoria digna para todos os trabalhadores
Redução da idade mínima para aposentadoria
Valorização real dos benefícios
Inclusão de trabalhadores informais e precarizados na proteção previdenciária
Combate a qualquer forma de privatização da previdência social
Garantir saúde, educação, moradia, transporte e aposentadoria para todos exige
recursos, investimento e planejamento que entram em choque direto com os interesses
que hoje controlam a economia.
É esse choque que leva, na prática, à necessidade de enfrentar os mecanismos que
concentram e drenam a riqueza produzida no país.
A luta por direitos e serviços públicos de qualidade responde às necessidades
democráticas e mínimas da população. Mas sua realização entra em choque direto com
os interesses de grandes empresas e do sistema financeiro.
Por isso, garantir esses direitos até o final exige organização, mobilização e
enfrentamento junto com toda a classe trabalhadora, por outro projeto de país.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 14
MEIO AMBIENTE
A questão ambiental se tornou uma das principais questões do nosso tempo. Seus efeitos
já são sentidos agora.
A crise ambiental expressa o esgotamento do próprio sistema e modelo de produção,
mostrando que não é possível garantir condições de vida dignas sem enfrentar os
interesses econômicos que sustentam a destruição ambiental.
O novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) reforça
o avanço acelerado da crise climática e o fracasso iminente das metas estabelecidas no
Acordo de Paris. Mesmo que todos os compromissos atualmente assumidos pelos países
sejam cumpridos na íntegra, a temperatura média global deve aumentar entre 2,5°C e
2,9°C até o fim do século – um patamar considerado extremamente perigoso por
cientistas.
Isso significaria cruzar vários pontos de não retorno, tornando o aquecimento global
incontrolável. Um mundo acima de 2°C seria varrido por pandemias, cidades costeiras
destruídas, florestas colapsadas e extensas áreas continentais impossíveis de serem
habitadas pelos humanos devido ao calor extremo.
O grande agronegócio, mineradoras e petroleiras aprofundam a crise ambiental, a qual se
converte em enchentes, tornados, incêndios e desastres ambientais como os de Mariana
e Brumadinho, que recaem sobre os trabalhadores e a população mais vulnerável.
O grande agronegócio é um modelo agrícola destrutivo e no Brasil tem um caráter
totalmente predatório. A expansão desse modelo é responsável por aproximadamente
75% das emissões nacionais de gases de efeito estufa. A expansão da fronteira agrícola
já destruiu metade do Cerrado, ameaça o Pantanal e pressiona cada vez mais a
Amazônia.
Se a extrema direita e o bolsonarismo não escondem que desejam destruir a floresta,
liberar agrotóxicos proibidos e acabar de vez com os povos originários, Lula também
governa com e para o grande agronegócio e as mineradoras. Autorizou a exploração de
petróleo na Margem Equatorial, enquanto o Congresso aprovou o Projeto de Lei da
Devastação e o Marco Temporal
É preciso enfrentar o agronegócio e os governos capitalistas e defender medidas visando
o fim do uso de agrotóxicos, a recuperação de áreas degradadas, a promoção da
agroecologia e a aceleração da demarcação de terras indígenas e territórios quilombolas:
Fim dos créditos públicos e dos subsídios estatais ao grande agronegócio
Recuperação das áreas desmatadas e dos biomas devastados pelo agronegócio.
Reparação e demarcação imediata das terras indígenas, titulação dos territórios
quilombolas e proteção das comunidades tradicionais
Reconhecimento e reparação das populações atingidas por crimes ambientais
Garantia do direito à autodefesa de todas as comunidades e militantes que lutam
em defesa do meio ambiente diante da violência patronal e estatal.
Não à exploração do petróleo da Margem Equatorial!
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 15
Não à privatização dos rios da Amazônia das hidrovias!
Planos de prevenção contra os efeitos do aquecimento global, tais como:
prevenção contra enchentes; prevenção contra deslizamentos de áreas de risco,
que atingem as moradias mais precárias.
Planos de emergência e defesa civil: alertas e evacuação, com participação
comunitária
Impedir que a ocupação do solo seja feita pela especulação imobiliária.
Reflorestamento urbano
Defesa dos rios e recursos hídricos que foram privatizados.
É preciso superar o modelo do grande agronegócio e construir formas de
produção que respeitem os territórios, os povos e os limites ecológicos da Terra.
Também para garantir soberania alimentar, acabar com a fome no Brasil e
produzir uma agricultura livre de agrotóxicos.
É crescente a incompatibilidade entre a expansão do agronegócio e a preservação da
Amazônia em um contexto de crise climática global.
Diante do colapso ambiental em curso, torna-se cada vez mais evidente que não é
possível continuar apostando em um modelo agrícola baseado na destruição de florestas,
na exportação de commodities e na apropriação de territórios tradicionais. Em um
planeta que já enfrenta eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, insistir
nesse caminho significa aprofundar uma crise que ameaça tanto a natureza quanto a
própria sobrevivência humana.
Terra para quem nela vive e trabalha!
O campo brasileiro vive uma escalada de conflitos e violência. O avanço do grande
agronegócio sobre o Cerrado e a Amazônia intensifica expulsões, concentra terras e
institucionaliza a violência por meio de grupos que atuam como milícias contra
trabalhadores. Mais de sete milhões de camponeses sem terra enfrentam precariedade
extrema, exploração e risco constante de despejo, enquanto cerca de um milhão vivem
em acampamentos sem condições básicas; mesmo os assentamentos não garantem
autonomia produtiva. O problema não é a falta de terra, mas quem a controla.
Terra a quem nela trabalha! Por reforma agrária e por uma revolução na estrutura
do campo brasileiro! Transferir o controle das terras para os trabalhadores rurais,
transformando estruturalmente as relações de propriedade, poder e produção no
campo, pondo fim à exploração que enriquece bilionários.
Demarcação de terras indígenas e quilombolas
Desapropriação das áreas utilizadas para especulação fundiária – incluindo terras
públicas devolutas, latifúndios improdutivos, áreas griladas, terras concentradas
em monoculturas voltadas à exportação, propriedades subutilizadas e áreas sob
controle do capital financeiro.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 16
Assentamentos com garantia de infraestrutura rural, como moradia, água,
energia e estradas
Assistência técnica e garantia de comercialização, articulando o acesso à terra
com condições reais de permanência no campo.
Criação de redes locais de produção, voltadas à produção, comercialização e
resistência, capazes de enfrentar o agronegócio.
AUTONOMIA PARA QUEM PRODUZ ALIMENTOS E SOBERANIA ALIMENTAR
Os pequenos e médios produtores são estratégicos para a soberania alimentar e a
produção de alimentos no Brasil, mas não controlam o processo produtivo. Estão
subordinados às cadeias do agronegócio, que impõem o que produzir, os preços e as
condições de comercialização, transferindo riscos e custos aos produtores, enquanto o
controle e a apropriação do valor permanecem com os grandes grupos econômicos.
Crédito público direcionado, sem intermediação privada, com juros baixos,
combinado com subsídios ao pequeno produtor, incluindo isenção de impostos,
seguro agrícola e políticas que evitem endividamento.
Regulação e proteção do mercado interno, com preços mínimos, estoques
reguladores e compras públicas (merenda escolar, hospitais e programas
sociais), reduzindo a dependência em relação às grandes empresas.
Prioridade à produção de alimentos da cesta básica, com apoio à diversificação
agrícola voltada ao abastecimento interno, livre de transgênicos e agrotóxicos,
preservando a saúde da população e o meio ambiente.
Incentivo a modelos produtivos com menor dependência de insumos externos,
incluindo a transição para uma agricultura popular e agroecológica.
Desenvolver tecnologias próprias de produção de defensivos, manejo e controle
de pragas, adaptadas às condições do território brasileiro, sob controle público,
a partir de pesquisas nas universidades públicas e institutos nacionais.
Produção nacional de maquinário agrícola, como colheitadeiras e tratores,
rompendo a dependência das importações.
Fortalecimento da organização coletiva, com cooperativas e associações,
condições de produção que permitam aos pequenos produtores disputar não
apenas a produção, mas também a circulação e a definição do que se produz,
deslocando o centro de decisão hoje concentrado no agronegócio para os
próprios trabalhadores do campo.
Incentivo ao processamento da produção pelas próprias famílias e organizações
camponesas, agregando valor e gerando renda no campo.
Educação no campo, combate ao analfabetismo e valorização dos saberes locais.
DIREITOS PARA OS TRABALHADORES ASSALARIADOS DO CAMPO
Os trabalhadores assalariados do campo constituem uma parcela fundamental da força
de trabalho rural no Brasil, mas enfrentam condições marcadas por precarização,
informalidade, baixos salários e instabilidade. A remuneração média permanece
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 17
significativamente inferior à urbana, frequentemente próxima a um salário mínimo,
enquanto a terceirização, o trabalho temporário e as condições degradantes são
recorrentes, inclusive com casos de trabalho análogo à escravidão.
Garantia de direitos trabalhistas plenos, com equiparação aos direitos urbanos,
incluindo jornadas regulamentadas, descanso semanal e previdência.
Combate efetivo ao trabalho análogo à escravidão, com fiscalização rigorosa,
punição exemplar aos responsáveis e expropriação das empresas onde essas
práticas forem identificadas, colocando-as sob controle dos trabalhadores.
Fim da terceirização e da informalidade no campo
Condições de trabalho seguras, com acesso a equipamentos de proteção e
políticas de saúde e segurança.
EXPROPRIAR O GRANDE AGRONEGÓCIO, GARANTIR AUTONOMIA PRODUTIVA
Expropriação das grandes propriedades rurais e das empresas do agronegócio,
retirando o controle da produção do grande capital e das multinacionais, sem
indenização aos grandes grupos e sob controle dos trabalhadores rurais.
Fim dos subsídios públicos bilionários ao grande agronegócio e aos monopólios,
nacionais e internacionais, com redirecionamento desses recursos para a
produção de alimentos voltada à soberania alimentar.
Romper com a subordinação dos pequenos e médios produtores à lógica do
agronegócio, garantindo autonomia produtiva e capacidade de decisão sobre o
que e como produzir.
Segurança pública
A população trabalhadora convive diariamente com diferentes formas de violência:
desde aquelas que são fruto do desespero social até assaltos, roubos, feminicídios,
violência contra as mulheres, atuação de organizações criminosas – tráfico, milícias,
facções ou outras organizações –, além da violência praticada pelo próprio Estado contra
as periferias, especialmente contra a juventude negra e pobre e os movimentos
populares.
As instituições que, em tese, deveriam garantir a segurança da população são, dentro do
sistema capitalista, organizadas para preservar a ordem social existente. À medida que a
crise e a decadência do capitalismo se aprofundam, essas mesmas instituições,
justamente para sustentar um sistema cada vez mais em crise, tornam-se também fonte
de violência e insegurança, atingindo principalmente a população trabalhadora. Por isso,
fracassa a política dos governos do sistema, que alternam entre o abandono das
comunidades e a repressão indiscriminada da população pobre, sem enfrentar os
grandes interesses econômicos, políticos e estatais – muitas vezes também corruptos –
que sustentam a criminalidade organizada.
Coerentes com esse papel, as atuais instituições policiais estão organizadas para exercer
o controle social sobre a população pobre e trabalhadora, e não para garantir sua
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 18
segurança. O caráter militar dessas instituições – presente nas pms e cada vez mais
ampliado em parte das demais polícias – é funcional a esse objetivo. No caso das PMs,
isso é ainda mais grave, pois elas constituem uma extensão do Exército voltada para
atuar na ordem interna. Enquanto existir esse sistema, essas instituições permanecerão
cumprindo esse papel. Por isso, o objetivo estratégico da classe trabalhadora deve ser
sua dissolução e a construção de um sistema de segurança pública baseado na
auto-organização da população trabalhadora ou sob seu estrito controle em outra
sociedade.
Isso não nos exime de lutar desde já; por um lado, em defesa de mudanças no sentido de
buscar garantir os direitos democráticos da população a uma segurança efetiva. Isso
inclui medidas que coíbam a violência policial contra a população e para um maior
controle social sobre essas instituições.
Por outro lado, em defesa dos direitos democráticos dos próprios policiais frente a seus
comandos, aos governos e ao sistema. Diferentemente de seus comandos, a base
dessas instituições vem da classe trabalhadora, embora sejam separados dela e
treinados para reprimir suas lutas. Também sofrem com baixos salários, precarização,
jornadas exaustivas e diversas restrições a direitos democráticos. Assim, defendemos
liberdade de organização e os direitos econômicos e democráticos da base das polícias.
Combater o crime organizado, as máfias, as milícias, as facções e demais
organizações criminosas por meio da investigação, inteligência e desarticulação
de seus negócios, atingindo seu patrimônio, suas fontes de financiamento e suas
relações com agentes públicos, políticos, empresários e, em especial, com o
sistema financeiro, em vez de realizar operações militares que vitimam
principalmente a população trabalhadora. O crime organizado e o narcotráfico
são empresas capitalistas ilegais que mantêm relações com o sistema financeiro,
setores do Estado e empresários.
Confisco dos bens obtidos por atividades criminosas, punição dos agentes
públicos envolvidos com organizações criminosas e dissolução dos grupos e
estruturas milicianizadas existentes no aparelho de Estado.
Investigação e punição de corruptos e corruptores, com confisco dos bens
obtidos por meio da corrupção.
Descriminalização das drogas e revogação da Lei Antidrogas, para efetivamente
combater e acabar com o narcotráfico, junto com políticas públicas de
prevenção, tratamento e redução de danos.
Implantação de câmeras corporais para todos os agentes de segurança pública,
com gravação ininterrupta e armazenamento das imagens sob controle de
órgãos civis, garantindo acesso às gravações quando houver processo legal.
Fim da Justiça Militar
Punição exemplar para tortura, execuções, desaparecimentos forçados, chacinas
e demais crimes praticados por agentes do Estado, responsabilizando também
seus comandantes militares e civis.
Desmilitarização da Polícia Militar e reversão da dinâmica de militarização das
demais polÍcias e guardas municipais.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 19
Unificação das polícias em uma única instituição de caráter civil, com eleição de
comandantes e delegados pela população e mandatos revogáveis
Direito de organização e sindicalização dos policiais. Fim dos abusos e do
desrespeito que caracterizam o tratamento dos policiais dentro das instituições
de segurança pública, com controle popular sobre essas instituições.
Contra as milícias e bandos paramilitares organizados por agentes do Estado.
Expulsão de todos os envolvidos das polícias, dissolução imediata dos batalhões
milicianizados, punição de todos os políticos envolvidos com as milícias e
proibição de que qualquer agente do Estado envolvido com essas organizações
volte a exercer cargo público.
Responsabilização de bancos, fintechs e plataformas digitais pela adoção de
mecanismos efetivos de prevenção às fraudes. Restituição imediata de valores
desviados em casos de fraude eletrônica. A digitalização dos serviços não pode
transferir à população os riscos das operações financeiras.
DIREITO E ESTÍMULO À ORGANIZAÇÃO DA AUTODEFESA
A luta para que as instituições de segurança pública atuem para garantir a segurança da
população – e não seu controle social – é parte da luta pelos direitos democráticos da
população trabalhadora. Mas ela não pode parar aí.
Desde já, é preciso estimular a população a se auto-organizar para garantir sua
própria segurança, seja diante do crime organizado e da criminalidade em geral,
seja diante da violência do Estado por suas polícias.
A organização da autodefesa dos trabalhadores deve, sempre que possível,
combinar-se com o chamado aos policiais e aos demais integrantes da base das
instituições armadas do Estado para que se unam aos trabalhadores e defendam
suas reivindicações. Afinal, os responsáveis pelas mazelas impostas à classe
trabalhadora em nome do lucro dos grandes monopólios são os mesmos
responsáveis pelas condições de vida dos próprios policiais e de suas famílias.
Esse é o caminho que nos permitirá atingir o objetivo estratégico que buscamos.
Combate às opressões: abaixo o
racismo, o machismo, a lgbtfobia,
a xenofobia. Defesa dos povos
indígenas!
A unidade e a emancipação da classe trabalhadora não é possível sem o combate a toda
opressão. Não pode ser livre quem oprime o outro.
As opressões cumprem o papel de dividir a classe trabalhadora e permitir níveis mais
altos de exploração.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 20
NEGRAS E NEGROS
O Brasil de hoje não é mais o da década de 1980, quando a Política de Reparação ganhou
visibilidade com as mobilizações contra a comemoração dos 100 anos da abolição, em
1988, e com a disputa da Constituição. O mundo mudou, a localização do Brasil na ordem
mundial mudou, a classe trabalhadora mudou. E a situação da população negra, maioria
absoluta do proletariado brasileiro, não ficou imune. Pelo contrário: o trabalhador negro
foi o setor mais atingido pela reestruturação capitalista dos últimos trinta anos.
A extrema direita nega os impactos da escravidão porque é contra qualquer política
pública. Já a esquerda lulista e institucional se apega à reparação de forma esvaziada:
joga todos os problemas do povo negro para o passado, isentando seus próprios
governos que aprofundaram a desigualdade racial, e reduz reparação a ações afirmativas
ou assistencialismo, sem tocar na grande propriedade privada. A PEC 27/2024, do União
Brasil e abraçada por PT, PSOL e PCdoB como “PEC da Reparação”, é o exemplo mais
sintomático. Serviu só para desviar o foco do Banco do Brasil, identificado como maior
financiador do tráfico de africanos escravizados na história do capitalismo.
Nossa política de reparação deve combinar as questões históricas da escravidão e da
abolição sem reparação com os problemas que se intensificaram nos últimos trinta anos,
frutos da nova inserção do Brasil na divisão internacional do trabalho e da decadência do
país.
PROGRAMA PARA A QUESTÃO NEGRA
Expropriação imediata, sem indenização, de todas as fazendas do agronegócio
que atuam sobre territórios indígenas e quilombolas.
Titulação já dos territórios quilombolas!
Fim da escala 6×1! Pela redução da jornada para 36 horas semanais, escala 4×3,
sem redução de salário. O povo negro é maioria nos empregos precarizados e
não aguenta mais essa superexploração.
Fim das terceirizações. Salário igual para trabalho igual nos serviços públicos
Manutenção e ampliação de cotas para negros nas universidades e serviços
públicos
Combate à intolerância às religiões de matriz africana, como expressão do
racismo religioso no Brasil
Contra a criminalização das culturas periféricas: funk e batalhas de rima não são
casos de polícia.
Contra a redução da maioridade penal
Desmilitarização da pm e unificação das polícias sob controle dos trabalhadores
Revogação da Lei Antidrogas e fim da privatização dos presídios.
Desencarceramento em massa
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 21
Implementação efetiva da Lei 1645/2008, com ensino de história e cultura
afro-brasileira e indígena em toda rede de ensino
Punição severa (multas de caráter confiscatório ou mesmo expropriação) dos
empregadores que estimulam ou toleram racismo nos locais de trabalho.
Que o Banco do Brasil destine suas verbas para a agricultura familiar, quilombola
e indígena, e não para o agronegócio escravista.
Expropriação de todos os bilionários herdeiros de famílias escravocratas
MULHERES
As mulheres compõem uma parte decisiva da classe trabalhadora brasileira e estão entre
as mais atingidas pela decadência econômica e social do país. São maioria nos trabalhos
mais precarizados, informais e mal remunerados, concentradas nos setores de serviços,
cuidado e reprodução social, recebendo salários inferiores mesmo quando exercem as
mesmas funções.
A reestruturação produtiva, a terceirização, a plataformização e a destruição de direitos
aprofundaram essa realidade. Essa situação atinge de forma ainda mais brutal as
mulheres negras, que ocupam a base da pirâmide social, combinando superexploração
com racismo.
Ao mesmo tempo, o capitalismo se sustenta na dupla jornada das mulheres
trabalhadoras. Milhões garantem gratuitamente a reprodução da força de trabalho por
meio do trabalho doméstico e de cuidado, enquanto o capital reduz custos e amplia seus
lucros. Em um cenário de crise, desemprego e cortes sociais, essa sobrecarga aumenta,
ampliando a dependência econômica e aprisionando muitas mulheres em relações de
violência.
A violência contra as mulheres, incluindo o feminicídio, não é um fenômeno isolado nem
meramente cultural. Está diretamente ligada à desigualdade material, à dependência
econômica e à estrutura de poder da sociedade de classes. No Brasil, essa violência tem
cor: as mulheres negras são as principais vítimas.
A opressão das mulheres cumpre um papel funcional no capitalismo: divide a classe
trabalhadora, rebaixa salários e amplia a exploração. Por isso, não será superada por
políticas pontuais ou dentro dos limites do sistema. Ao mesmo tempo, não desaparecerá de
forma automática com a luta econômica: exige medidas concretas, mobilização e
auto-organização das mulheres trabalhadoras, ligadas à luta de toda a classe trabalhadora.
BASTA DE FEMINICÍDIO E VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES!
Proteção real para as mulheres: delegacias especializadas abertas 24 horas,
casas-abrigo e rede de atendimento conforme a demanda, com recursos
garantidos pelo Estado e sob controle das trabalhadoras e da população.
Punição efetiva aos agressores, com garantia de proteção às vítimas
Campanhas massivas de combate à violência nas escolas, locais de trabalho e
meios de comunicação
Organização de comissões de mulheres nos locais de trabalho, estudo e moradia
para prevenir e enfrentar a violência.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 22
Emprego, renda e moradia como condição concreta para romper ciclos de
violência.
Combate às ideologias misóginas e responsabilização das plataformas que
lucram com a disseminação do ódio contra as mulheres.
POR EMPREGO, SALÁRIO DIGNO E DIREITOS PARA AS MULHERES!
Salário igual para trabalho igual
Combate à desigualdade salarial e à superexploração das mulheres, em especial
das mulheres negras
Garantia de direitos para todas as trabalhadoras (aposentadoria, licença
maternidade, auxílio-doença etc.), independentemente do vínculo empregatício
Proteção social (aposentadoria, licença maternidade, auxílio-doença etc.) para
todas: formais, informais e desempregadas
Prioridade de acesso ao emprego e às políticas públicas para mulheres
trabalhadoras, em especial as mais precarizadas
CHEGA DE DUPLA JORNADA! PELA SOCIALIZAÇÃO DO TRABALHO DOMÉSTICO!
Creches e escolas públicas, gratuitas e em tempo integral para todas as crianças,
como condição para a independência das mulheres
Restaurantes populares e lavanderias públicas em todos os bairros
Ampliação dos serviços públicos de cuidado (idosos, pessoas com necessidades
especiais) retirando das mulheres essa sobrecarga.
Redução da jornada de trabalho sem redução salarial como medida para
enfrentar a dupla jornada e garantir qualidade de vida.
PELO DIREITO AO CORPO E À MATERNIDADE LIVRE!
Educação sexual para decidir, contraceptivo para não engravidar, aborto legal e
seguro para não morrer.
Aborto legal, seguro e gratuito pelo sus, contra qualquer interferência de igrejas
e setores reacionários
Licença parental de um ano, compartilhada entre responsáveis.
Maternidade como direito, e não como obrigação
Garantia de condições materiais para quem deseja maternar.
Fim de toda forma de controle sobre o corpo das mulheres.
MULHERES NEGRAS: NA BASE DA EXPLORAÇÃO E DA OPRESSÃO
As mulheres negras expressam de forma mais brutal a combinação entre exploração de
classe e opressões. São maioria no trabalho precário, no desemprego e entre as vítimas
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 23
da violência estatal e do feminicídio. Essa realidade é produto direto da formação
histórica do país e da permanência do racismo no capitalismo brasileiro.
Prioridade de acesso ao emprego, renda e políticas públicas para mulheres
negras
Combate à superexploração das trabalhadoras negras
Garantia de direitos às trabalhadoras domésticas
Enfrentamento ao genocídio da população negra, que atinge diretamente as
mulheres como vítimas e como mães.
UMA LUTA QUE EXIGE RUPTURA
A opressão das mulheres não será superada por políticas compensatórias nem dentro
dos limites do capitalismo. Enquanto existir uma sociedade baseada na exploração, na
propriedade privada e na desigualdade, a opressão de gênero seguirá sendo funcional ao
sistema.
As reivindicações aqui apresentadas partem das necessidades mais imediatas das
mulheres trabalhadoras, mas sua plena realização entra em choque com os limites do
capitalismo, exigindo enfrentar os interesses dos grandes capitalistas e do Estado que os
sustenta.
Por isso, a luta das mulheres trabalhadoras deve estar ligada à luta de toda a classe
trabalhadora pela transformação da sociedade, pela expropriação dos grandes
capitalistas e pela construção de uma sociedade socialista, baseada na igualdade
material e na libertação de toda forma de opressão.
LGBTQIAPN+
No capitalismo, a sexualidade é moldada pela necessidade da reprodução da força de
trabalho e da família tradicional. O gênero é aprisionado nesse modelo
heteronormativo, em que a disforia entre o sexo/fenótipo biológico e o gênero social é
taxado como doença, e pessoas trans e não binárias são tratadas como pessoas de
segunda categoria, desumanizadas.
O Estado nega direitos básicos à população LGBTQIAPN+ e é cúmplice da brutal
violência que ela sofre no cotidiano. A burguesia se aproveita da lgbtifobia para
relegá-los aos postos de trabalho mais precários e com menores salários, quando não
estão compondo as fileiras do exército industrial de reserva no subemprego ou na
prostituição. Defendemos um programa que enfrente a violência, garanta acesso ao
trabalho e à renda, à saúde e à educação, assegure direitos sociais plenos e combata
todas as formas de discriminação, unificando a luta da população lgbti+ com a luta de
toda a classe trabalhadora.
Vidas LGBTQIAPN+ importam: basta de violência! Criminalização da lgbtfobia
já!
Casas-abrigo e proteção para vítimas de violência!
Direito ao nome social, sem burocracia e sem taxas!
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 24
Investimento na saúde especializada para pessoas LGBTQIAPN+. Direito à
terapia hormonal e à cirurgia de redesignação pelo sus, com acompanhamento
adequado. Políticas de prevenção de ISTs e tratamento para pessoas com HIV,
em especial nas periferias.
Contra a patologização das identidades LGBTQIAPN+: não à “cura gay”!
Educação sexual nas escolas e fim do financiamento de comunidades
terapêuticas e manicômios
Pelo direito de existir, contra o apartheid trans! Trabalho, direitos, renda e
dignidade! Cotas trans nas universidades e concursos públicos, rumo ao pleno
emprego!
Por banheiros multigênero em órgãos públicos e o direito de pessoas trans e
não binárias de usarem o banheiro no qual se sintam seguras.
Emprego, qualificação profissional e políticas públicas para travestis e
transexuais que queiram sair da prostituição.
POVOS INDÍGENAS
Ao lado da escravidão, houve no Brasil um genocídio indígena. A luta que derrubou a
ditadura conquistou a reserva das terras indígenas para impedir o seu extermínio e
inscreveu esse direito na Constituição de 1988, mas, como tantos outros, ele nunca foi
regulamentado. E mineradoras, madeireiras, agronegócio, fazendeiros e seus jagunços
e o próprio Estado promovem uma violência enorme para expulsá-los das suas terras,
privatizando e contaminando seus rios e o solo, promovendo chacinas, tentativas de
genocídio e instituição do Marco Temporal, que na prática impede a demarcação da
maioria das terras indígenas
Demarcação e regulamentação já de todas terras indígenas é uma medida
democrática mínima.
Direito a reparações aos povos indígenas
IMIGRANTES
Basta de xenofobia e superexploração!
Direito imediato à nacionalidade: legalização dos papéis de haitianos,
bolivianos, venezuelanos, cubanos, angolanos e todos os africanos
Direitos civis, trabalhistas e sociais
A classe trabalhadora é uma só, seja brasileira, seja estrangeira.
PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
No Brasil, segundo o IBGE, são mais de 18 milhões de pessoas com deficiência, e elas
terminam sendo discriminadas e oprimidas por uma forma de sociedade que se recusa
a se adaptar às diferentes formas de existência humana, porque está voltada para a
acumulação de capital.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 25
Mais oportunidades de emprego e condições de trabalho e de estudo. Mais cotas
Garantia de intérprete de libras nas universidades e meios de comunicação
Acessibilidade: rampas e elevadores para cadeirantes nos serviços públicos,
bancos, supermercados
Espaços que abafem ruídos para autistas com sensibilidade auditiva, em
especial nas escolas.
Assistência médica gratuita e de qualidade no sus
Todas essas lutas – por soberania, trabalho, terra, meio ambiente, serviços públicos,
segurança, contra as opressões de negros e negras, mulheres, das LGBTQIAPN+,
povos indígenas – partem das necessidades imediatas da população.
Mas, ao avançarem, entram em conflito com os interesses dos grandes grupos
econômicos, do sistema financeiro e da forma como a economia está organizada.
É esse processo que coloca a necessidade de ir além das reivindicações imediatas e
enfrentar as engrenagens do sistema que bloqueiam sua realização.
As medidas de um plano
econômico dos trabalhadores
REESTATIZAÇÃO DAS EMPRESAS ESTRATÉGICAS:
PELO CONTROLE SOCIAL DOS SETORES ESTRATÉGICOS
Expropriação imediata (em grande parte dos casos, reversão de privatização)
das grandes empresas privadas dos setores de mineração, petróleo, energia,
siderurgia, celulose e das grandes comercializadoras e centralizadoras do
agronegócio, incorporando seus ativos ao patrimônio público nacional.
Proibição da privatização de empresas estratégicas e reversão das privatizações
realizadas nos setores considerados essenciais à soberania econômica, militar e
social.
Petrobras 100% estatal e sob controle dos trabalhadores já!
Destinação prioritária dos excedentes dessas empresas à criação e expansão de
setores de alta complexidade tecnológica, especialmente nos ramos de refino e
de separação de alta pureza de terras raras e minerais críticos, máquinas e
equipamentos associadas à estrutura produtiva nacional, infraestrutura digital,
química fina e defesa.
As terras raras são nossas! Pela criação de uma empresa estatal de terras raras
sob controle dos trabalhadores
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 26
Limitação em 25% da distribuição de dividendos das grandes empresas privadas
remanescentes, com reinvestimento obrigatório do excedente produtivo no
território nacional.
Expropriação integral da produção nacional de ouro e metais preciosos
estratégicos, com incorporação automática às reservas cambiais públicas com
vistas à redução da dependência das reservas em dólar e títulos estrangeiros,
sejam eles originários, sejam de que país for.
Criação de fundos públicos de investimento produtivo, abastecidos pelos
excedentes das empresas expropriadas, e não por impostos, voltados à
industrialização, inovação tecnológica e expansão da infraestrutura nacional
organicamente associados a todas as universidades e institutos públicos de
pesquisa e desenvolvimento.
Bancos públicos 100% estatais e reestruturados de modo a se adequarem a uma
estratégia nacional de desenvolvimento.
Ao passo que essas medidas entrem em pauta, elas colocam diretamente o
enfrentamento com os grandes grupos econômicos, o sistema financeiro e o
imperialismo, que se apoiam justamente na apropriação desses excedentes.
O financiamento do plano
dos trabalhadores
O financiamento dessas medidas se dá ao interromper os mecanismos pelos quais a
riqueza produzida é apropriada por uma minoria.
Tributação fortemente progressiva sobre lucros empresariais e taxação ampliada
sobre remessas de capital ao exterior, impedindo a evasão do excedente
produzido pelos trabalhadores brasileiros.
Imposto progressivo sobre as verdadeiras grandes fortunas, o topo da pirâmide,
os que possuem de R$ 1 bilhão para cima.
Fim dos benefícios fiscais e tributários às grandes empresas
Isenção de ir até dez salários mínimos, atualizando a tabela à 1996, a partir de
quando deixou de ser corrigida pela inflação, fazendo cada vez mais pobres
pagarem ir. A partir daí, alíquotas progressivas.
Cobrança da dívida ativa das grandes empresas com a União (entre elas, Vale,
JBS, Coca-Cola, Raízen, Gerdau e tantas outras), sob pena de expropriação. A
soma da dívida das grandes empresas ultrapassa R$ 1 trilhão, grande parte com
INSS e FGTS.
Proibição das Bets, expropriação de seu capital e de seus proprietários e sua
reversão a um fundo público de saúde para o tratamento de ludopatia, com a
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 27
proibição aos bancos de realizarem transações financeiras a essas empresas.
Suspensão do pagamento da dívida pública aos grandes investidores e auditoria
Fim a Lei de Responsabilidade Fiscal
A estatização do sistema financeiro e centralização do crédito em um banco
único é essencial para planejar a economia e garantir o controle de capitais.
O controle do sistema financeiro não aparece aqui como uma escolha isolada, mas como
consequência necessária do enfrentamento com os mecanismos que bloqueiam o
financiamento das demandas sociais.
SOBERANIA DIGITAL
O avanço das tecnologias e da economia digital amplia ainda mais esse problema, ao
deslocar o controle do excedente e das decisões econômicas para fora do país.
O domínio tecnológico se tornou base central da dependência econômica
contemporânea, sobretudo nos novos ramos produtivos oriundos das últimas revoluções
tecnológicas. Estes nem sequer dependem de unidades produtivas instaladas próximo
dos locais de consumo. Esse cenário enterrou de vez os projetos de desenvolvimento
nacional, subordinados ao capital internacional sob o eufemismo de globalização.
O controle das infraestruturas digitais, dados, plataformas e ia se concentra em grandes
conglomerados estrangeiros, submetendo Estado, produção nacional e trabalhadores a
interesses privados e leis externas. A exposição de dados públicos – defesa,
administração, empresas estratégicas – implica a perda completa de soberania sobre
informações sensíveis nos campos econômico, político e militar.
Ao mesmo tempo, a relativa novidade tecnológica de áreas como inteligência artificial,
modelos de linguagem, automação de processos e infraestrutura de dados abre uma
janela histórica para reduzir o atraso acumulado. O país deve utilizar os excedentes das
empresas estratégicas expropriadas para construir uma base tecnológica própria,
articulada às universidades públicas, aos institutos de pesquisa, sob controle dos
conselhos de trabalhadores que produzem e utilizam essas ferramentas.
PELA CONSTRUÇÃO DE UMA INFRAESTRUTURA DIGITAL
SOB CONTROLE DOS TRABALHADORES
Proibição da hospedagem de dados governamentais sensíveis em nuvens
estrangeiras e vedação de contratos que submetam dados nacionais a
legislações externas.
Desenvolvimento de uma inteligência artificial pública nacional, financiada por
excedentes de empresas estratégicas expropriadas, com uso obrigatório na
gestão e em empresas públicas e como opção subsidiada às diversas
modalidades de trabalho por plataformas e aos consumidores em geral.
Prioridade nacional ao desenvolvimento e uso de softwares livres e bens públicos
digitais, em parceria com universidades públicas e institutos de pesquisa
Garantia de remuneração continuada aos trabalhadores e produtores de
conhecimento cujos conteúdos e dados sejam utilizados no treinamento de
sistemas de inteligência artificial estatais.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 28
Gestão democrática da infraestrutura digital por conselhos compostos por
trabalhadores da tecnologia, dos trabalhadores que utilizam esses sistemas e
daqueles cujo conhecimento é embutido nos sistemas, com poder de auditoria
sobre algoritmos e sistemas automatizados.
Redução automática da jornada de trabalho, sem redução salarial, na proporção
dos ganhos de produtividade oriundos do uso de ferramentas de inteligência
artificial e correlatas.
Garantia do direito à desconexão no trabalho remoto, proibindo mecanismos de
disponibilidade permanente e jornada invisível.
Proibição de sistemas invasivos de vigilância digital e de monitoramento opaco
de desempenho, assegurando transparência e controle social sobre todas as
ferramentas digitais utilizadas no trabalho.
A construção de uma infraestrutura digital sob controle público e dos trabalhadores
também se coloca como parte desse mesmo processo: garantir soberania sobre os
dados, a produção e o conhecimento implica enfrentar o controle privado e estrangeiro
dessas ferramentas.
Todas essas medidas, no entanto, não podem ser implementadas dentro dos limites
atuais da institucionalidade e da correlação de forças existente.
Elas exigem mobilização;organização; e enfrentamento direto com os interesses
dominantes.Ao lutar pelas suas reivindicações até o final, a classe trabalhadora é levada
a esse enfrentamento.
É esse processo que coloca, na prática, a necessidade de organização independente e
da construção de poder por parte dos trabalhadores.
Sem isso, mesmo as medidas mais necessárias permanecem bloqueadas.
Por um governo socialista da classe
trabalhadora e dos povos originários,
quilombolas, mulheres e juventude
pobre e negra, sem capitalistas
As tarefas colocadas por este programa não são frases para um futuro distante. São
necessidades reais da classe trabalhadora e dos setores oprimidos: emprego, salário,
terra, moradia, transporte, saúde, educação, aposentadoria, soberania nacional, controle
das riquezas do país, enfrentamento dos monopólios, fim da violência policial e
reorganização da economia em função das necessidades da maioria da população.
Mas essas medidas, quando tomadas a sério e levadas à luta, chocam-se diretamente
com os interesses que comandam o Brasil.
Defender uma Petrobras 100% estatal, sem entregar bilhões em lucros e dividendos a
acionistas privados e estrangeiros, significa enfrentar bancos, Bolsa de Valores,
imperialismo e grandes meios de comunicação. Estatizar a Vale sob controle dos
trabalhadores significa enfrentar mineradoras, acionistas, Judiciário, Congresso e
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 29
governos que protegem os monopólios. Colocar as terras raras, a energia e os setores
estratégicos sob controle nacional significa enfrentar o capital estrangeiro e a burguesia
brasileira associada aos imperialismos. Defender uma educação totalmente pública, sem
fundações empresariais definindo a política educacional, significa enfrentar o poder
econômico dentro do próprio Estado.
Da mesma forma, exigir o fim da matança e do encarceramento em massa da juventude
pobre e negra, a desmilitarização da PM, a eleição de delegados pelas comunidades e o
controle popular da segurança significa enfrentar o braço armado do Estado burguês nas
periferias, assim como as relações entre repressão, milícias, tráfico, poder econômico e
poder político.
As lutas começam muitas vezes separadas: contra o aumento de tarifas de transporte,
contra a privatização de um rio, uma greve por salário, uma ocupação por moradia, uma
luta contra privatizações, contra chacinas policiais, contra demissões ou pela defesa da
educação pública. Mas, quando essas lutas começam a se encontrar e a se ampliar,
surgem obstáculos cada vez maiores, mas também tomamos consciência da força que
tem a classe trabalhadora mobilizada, unificada e organizada. Os monopólios, o
imperialismo e seus aparatos entram em cena para bloquear qualquer mudança profunda.
Então o problema deixa de ser apenas como conquistar uma reivindicação isolada. Surge
a necessidade de unificar as lutas, fortalecer a mobilização e disputar a maioria da classe
trabalhadora e de seus aliados para um caminho de enfrentamento dos monopólios, do
imperialismo e do próprio Estado burguês.
É nesse sentido que este programa não é um conjunto de promessas eleitorais para que
outros governem por nós. É um guia para a ação, para a luta, para a organização, para a
elevação da consciência e para a mobilização com independência de classe.
Não se trata de dizer ao povo “vote em nós e faremos por vocês”. Trata-se de nos
organizarmos para lutar, enfrentar o capital, impor nossas reivindicações e desenvolver a
capacidade da própria classe trabalhadora – em especial da classe operária – e de seus
aliados de governarem diretamente a sociedade.
A classe operária, que é diversa, ocupa um papel decisivo porque está no coração da
produção, da energia, da mineração, da indústria, dos transportes, da logística e dos
grandes serviços que movem o país. Ao lado dela estão os demais setores da classe
trabalhadora e do proletariado, assim como os seus aliados do campo e da cidade, os
povos indígenas, os quilombolas, os camponeses pobres, os sem-terra. Também os
movimentos populares, em especial o imenso setor popular dos bairros proletários e das
periferias das grandes cidades. É essa força social organizada que pode enfrentar os
monopólios, paralisar o funcionamento normal da sociedade burguesa e reorganizar o
país sobre novas bases.
Por isso, a mobilização direta deve ser prioritária em relação à ação institucional. Não
somos cretinos antiparlamentares. A disputa eleitoral e institucional pode ter importância
tática e, se realizada à maneira revolucionária, pode servir, e muito, para denunciar os
monopólios, fortalecer lutas e ampliar a consciência política. Mas deve estar subordinada
à mobilização, à ação direta, à auto-organização e à estratégia de conquista do poder
político pela classe trabalhadora e seus aliados.
Quando ocorre o contrário, como ocorre hoje, quando a luta passa a servir à
governabilidade, à eleição de parlamentares, ao parlamento e à administração do Estado
burguês, a mobilização é contida, a ação direta é desorganizada e as organizações da
classe são adaptadas à ordem existente.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 30
Foi esse o caminho seguido pelo PT e que está sendo seguido pelo PSOL. O PT surgiu
apoiado nas grandes greves operárias e mobilizações que enfrentaram a ditadura militar
e colocaram milhões de trabalhadores em cena. Mesmo sem uma estratégia
revolucionária consequente, expressava, de maneira contraditória, a entrada da classe
trabalhadora como sujeito político nacional. Não por acaso, nas greves do abc ecoava a
palavra de ordem: “Lutar, vencer, operários no poder!”.
Mas, ao adotar a colaboração de classes e a administração do capitalismo brasileiro em
acordo com a burguesia nacional e os imperialismos, o PT transformou-se de possível
ponte para o avanço da mobilização em barreira contra esse caminho. Subordinou a ação
direta à governabilidade e aos acordos parlamentares, integrou organizações dos
trabalhadores ao Estado e administrou os limites impostos pelos bancos, pelo
agronegócio, pelos monopólios e pelo imperialismo.
Junho de 2013 mostrou esse impasse de forma explosiva. Milhões foram às ruas contra
a precarização da vida, os serviços públicos degradados, os gastos bilionários com a
Copa, a violência policial e a crise de representação política.
Um governo apoiado na mobilização poderia ter atuado contra a ordem, a
institucionalidade e o sistema, impulsionado assembleias populares, fortalecido a
organização nos bairros, locais de trabalho e estudo, apoiado a entrada organizada da
classe trabalhadora nas ruas, defendido transporte público de qualidade, saúde e
educação “padrão Fifa”, suspendido o pagamento da dívida pública e utilizado as
riquezas do país para garantir direitos sociais à população.
Mas isso exigiria enfrentar bancos, empreiteiras, monopólios, Congresso, Judiciário,
grandes meios de comunicação e aparatos repressivos. O caminho escolhido foi outro:
conter, reprimir e reconduzir a crise para os limites da institucionalidade burguesa e das
eleições.
A lição é decisiva: o problema não é apenas quem ocupa o governo, mas qual classe
exerce o poder. Um governo dos trabalhadores sem capitalistas pode ser ponte para o
avanço da mobilização, da auto-organização e da luta pelo poder político da classe
trabalhadora e de seus aliados. Mas, se é de colaboração de classes ou passa a governar
para administrar a institucionalidade burguesa, preservar a ordem e conciliar com a
burguesia, transforma-se na maior barreira contra esse caminho.
Por isso, um governo dos trabalhadores sem capitalistas deve apoiar-se prioritariamente
na mobilização direta e na auto-organização da classe trabalhadora e de seus aliados
contra a ordem, e não nos acordos com os partidos da burguesia, no Congresso inimigo
do povo, no Judiciário ou nos aparatos construídos para defender a propriedade
capitalista.
Isso significa impulsionar assembleias, comitês nos bairros, organismos nos locais de
trabalho, estudo e moradia, conselhos populares e formas de auto-organização e
autodefesa.
Esses organismos não surgem por decreto. Nos períodos de ascenso da luta de classes
e de processos revolucionários, podem surgir rápido, reunindo trabalhadores, juventude,
periferias, movimentos populares, camponeses e setores oprimidos em luta. Mas sua
preparação começa antes: nas greves, ocupações, piquetes, organizações de bairro e
locais de trabalho, comissões de fábrica e destacamentos de autodefesa, nos sindicatos,
centrais e organizações combativas e independentes dos patrões e governos, na
construção cotidiana de laços de solidariedade, mobilização e independência de classe.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 31
Quando as lutas se generalizam o problema é harmonizar as diversas reivindicações e
formas de luta, mesmo nos limites de uma cidade. Os conselhos e organismos
democráticos de luta cumprem esse papel: reúnem os diversos setores em movimento,
coordenam reivindicações, organizam a luta, centralizam forças e podem transformar-se
em embriões de um novo poder.
As crises econômicas, políticas e sociais que atravessam o Brasil e o mundo tendem a
produzir novos processos de luta, radicalização e enfrentamento social. Argentina,
Bolívia, Chile, Equador, Colômbia e o próprio Brasil mostram que explosões sociais e
grandes mobilizações podem voltar a colocar milhões em movimento.
Mas não existe resultado automático. Essas lutas podem ser desviadas, derrotadas ou
reconduzidas aos limites da institucionalidade burguesa. Por isso, precisamos disputar
desde já a maioria da classe trabalhadora e de seus aliados para este programa, esta
estratégia e este caminho.
Por um governo socialista
dos trabalhadores baseado
na democracia operária
A luta pelas tarefas colocadas neste programa entrará inevitavelmente em choque com o
Estado burguês, suas instituições e seus aparatos repressivos.
Esse Estado não é neutro. Ele aparece de forma concreta na vida da classe trabalhadora
por meio do Congresso que bloqueia direitos, do Judiciário que protege os ricos, das
Forças Armadas que tutelam o regime, das pms militarizadas, da polícia que mata nossos
filhos nas periferias, do encarceramento em massa, das milícias, da repressão às greves,
ocupações e protestos.
Por isso, a luta não coloca apenas a necessidade de outro governo. Coloca a necessidade
de outro poder e de outro Estado.
Fora do poder político, todas as conquistas da classe trabalhadora permanecem
limitadas, ameaçadas ou reversíveis. A luta para realizar plenamente as tarefas colocadas
neste programa conduz inevitavelmente à necessidade de derrotar o poder econômico e
político da burguesia e construir um Estado dos trabalhadores.
Defendemos um Estado operário revolucionário, uma ditadura revolucionária do
proletariado contra a burguesia, os monopólios e o imperialismo, sobretudo fundada na
mais ampla democracia operária e popular.
O Estado burguês pode apresentar-se na forma de um regime ditatorial ou de
democracia burguesa, limitada pelo domínio econômico e político dos monopólios e do
capital financeiro. Nos dois casos ele representará fundamentalmente os interesses de
uma minoria de 0,8%. O Estado operário representará efetivamente a maioria da
população, o proletariado e seus aliados. E o Estado operário revolucionário, ao contrário
do que fez o stalinismo, deve apoiar-se na democracia operária: na participação direta da
classe trabalhadora e dos setores explorados e oprimidos nas decisões políticas,
econômicas e sociais do país.
PSTU ELEIÇÕES 2026 | COM OS TRABALHADORES CONTRA O SISTEMA 32
Defendemos um poder baseado em organismos democráticos construídos pela própria
classe trabalhadora e seus aliados em luta, com representantes eleitos e revogáveis, sob
controle permanente da base.
Ao contrário das experiências burocráticas que transformaram a classe em objeto,
administrando o Estado operário por aparelhos separados da população, defendemos a
classe trabalhadora como sujeito político consciente da transformação revolucionária da
sociedade.
Não queremos substituir a classe por uma burocracia. Queremos que a própria classe
trabalhadora e seus aliados governem diretamente a sociedade, organizem a economia,
controlem as riquezas do país e decidam os rumos políticos da nova sociedade.
Esse processo inclui organizar a autodefesa dos trabalhadores e também disputar a base
das Forças Armadas e das polícias, composta majoritariamente por filhos da própria
classe trabalhadora, para que rompam com os comandos burgueses e se coloquem ao
lado do povo.
É esse o caminho necessário para conquistar plenamente as reivindicações da maioria da
população, derrotar a extrema direita, enfrentar os monopólios e imperialismos e abrir
caminho ao socialismo e à revolução latino-americana e internacional.